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Dead Combo

"Lisboa Mulata" é editado a 3 de Outubro e apresentado aqui por Tó Trips e Pedro Gonçalves. Um disco que é um "voltar às raízes da banda de maneira natural".

Três anos passados desde “Lusitânia Playboys”, os Dead Combo estão de volta com o quarto álbum de originais. Fortemente influenciado pela música africana, “Lisboa Mulata” é quase uma homenagem à cidade. Conta com a participação do norte-americano Marc Ribot, em quatro temas; do brasileiro Alexandre Frazão, com quem têm vindo a tocar ao vivo; e ainda com Sérgio Godinho e Camané, em «Ouvi o texto muito ao longe».

Foi sobre este novo trabalho, que sai cá para fora dia 3 de Outubro, que fomos conversar com Tó Trips e Pedro Gonçalves.

“Lisboa Mulata” encarna a alegria de uma Lisboa bairrista, do fado à desgarrada, mesclada com o espírito western a que já nos habituaram. Foi algo que surgiu à medida que escreviam os temas ou foi uma escolha premeditada?

O nosso processo de composição é contínuo, ou seja, estamos sempre a criar novas músicas que depois trabalhamos na sala de ensaios. Quando decidimos gravar um disco aquilo que fazemos é ir ao baú ouvir o que temos e escolhemos as que consideramos apropriadas. Para este disco o processo foi semelhante, embora algumas das músicas tenham surgido no processo de gravação e outras sejam filhas de outras paragens, como por exemplo «Esse Olhar Que Era Só Teu», que surgiu de uma colaboração com o realizador Bruno de Almeida em 2010 e que resolvemos aproveitar para o disco.

Ao contrário do que nos mostraram em “Lusitânia Playboys”, voltam agora às composições com poucos arranjos e às melodias simples, directas à alma. É este trabalho um elogio a Lisboa?

Chegámos à conclusão que andámos estes anos todos a afirmar que somos de Lisboa mas sem nunca termos o nome da cidade numa música ou disco, ou mesmo numa fotografia. Neste disco para além do nome, surge Lisboa na capa, que é uma fotografia da Rita Carmo tirada num banco de areia no meio do rio Tejo, pela primeira vez os Dead Combo em céu aberto e de dia, ao contrário dos discos anteriores em que aparecíamos sempre em locais fechados e de noite. Mais do que um elogio é a afirmação de uma Lisboa pluricultural e multi-racial que sempre nos atraiu, mas mais uma vez nunca a afirmámos tão abertamente.

Estas músicas novas foram gravadas em directo, como no primeiro álbum, ou mantiveram o método de ir gravando “camadas”, como nos dois seguintes?

Uma das decisões tomadas para este disco foi a de gravar como gravámos o “Vol. 1”: takes directos. Claro que fazemos overdubs, mas este disco é muito semelhante ao nosso primeiro pela crueza dos arranjos e do som. Foi uma decisão consciente de voltar às raízes da banda. Em relação ao som, está mais in your face, muito graças ao fabuloso trabalho do nosso engenheiro de som e co-produtor do disco Hélder Nélson.

De entre os vários sítios onde escolheram gravar os álbuns anteriores, como a ZDB, o São Jorge ou o Fábrica da Pólvora, por exemplo, dificilmente encontramos algum estúdio “convencional”. Porquê estas escolhas?

Há vários factores: o primeiro é o facto de a editora ser nossa, a Dead & Company, logo uma desgraça financeira. Como a editora não tem dinheiro, não há hipótese de gravar num estúdio. Mas o factor mais importante talvez seja o de não termos pressões de tempo ou horários. Este disco foi gravado no Centro de Experimentação Artística na Fábrica da Pólvora em Barcarena, um espaço incrível com excelentes condições para nos podermos concentrar sem nunca nos preocuparmos com horários.

Sente-se mais forte que nunca a influência de músicas vindas da América latina e de África. Foi algo que surgiu a partir duma escuta mais intensa destes géneros, ou está relacionado com o estreito contacto multicultural de que hoje Lisboa beneficia?

Sendo que somos ambos maníacos por música e que ouvimos de tudo um pouco, África esteve sempre presente na nossa música mas a grande diferença, mais uma vez, é a maneira como a afirmamos. Foi uma decisão consciente de explorar esses territórios musicais. Ao mesmo tempo Lisboa permite-nos explorar todas essas músicas sem termos de viajar. Lisboa sempre foi uma cidade multicultural, embora actualmente seja claramente mais aberta a todas as culturas que sempre a habitaram.

Depois do lançamento de “Lusitânia Playboys” estiveram em Vila Velha de Ródão, a compor durante uma semana, e gravaram alguns temas por lá. Foi desse “retiro” que surgiu “Lisboa Mulata”?

Esse retiro foi uma maneira de voltarmos a compor os dois em tempo real, tocar e deixar que a música nos leve onde for. Algumas das músicas deste disco surgiram desse retiro. Mas talvez o mais importante tenha sido mesmo a abordagem que tivemos à música durante o tempo que lá estivemos. Voltar às raízes da banda de maneira natural.

A formação com a Orquestra é para continuar? Estão a pensar um novo formato para a apresentação e digressão do álbum?

Sendo este disco de certa maneira um voltar a casa, não faz muito sentido apresentar as músicas em formato de Orquestra. Uma das coisas que nos atrai é a de os Dead Combo serem mutáveis sem nunca perderem a identidade. Para este disco iremos estar apenas os dois em palco.

Dentro da música portuguesa, o que vos tem impressionado mais nos últimos cinco anos?

Há várias bandas que nos impressionam. Linda Martini, Norberto Lobo, Gala Drop, Filho da Mãe, Dapunksportif, Paus, Carlos Bica, Sérgio Godinho, Camané, tantas mais…..

Digam um sítio de sonho para um concerto de Dead Combo

Um qualquer telhado de Lisboa com vista para o Tejo numa noite de lua cheia, rodeados de pretos gatos, lindas mulheres e bom vinho.

Em Outubro, os Dead Combo vão passar pela Moita (dia 8, no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo) pelo Porto (dia 14, no Hard Club), descem até Sintra, onde actuam a 15, no Festival Sintra Misty, e seguem para Praga e Bucareste (dias 19 e 20), voltando até Braga, para um concerto no Theatro Circo, a 22.



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