“Dead Combo: Sound Files” | Tó Trips e Pedro Gonçalves

“Dead Combo: Sound Files” | Tó Trips e Pedro Gonçalves

O duo dinâmico está de regresso

O Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, foi palco do lançamento de “Dead Combo: Sound Files”, uma Banda Desenhada de Tó Trips e Pedro Gonçalves que pretende marcar o início da comemoração dos 10 anos dos Dead Combo.

”Dead Combo: Sound Files”, com desenho de Tó Trips e argumento de Pedro Gonçalves, é a compilação de tiras que ilustram vários episódios das suas vidas enquanto membros dos Dead Combo. A ideia de criar estas tiras sobre o – agora mais do que nunca – duo dinâmico, tinha já surgido na mente de Tó Trips, que afirmou contar com cerca de 18 delas em Novembro de 2012.

Além da música, os Dead Combo têm uma componente visual muito distinta, tendo criado duas figuras – uma muito alta e outra sempre de chapéu comprido – que facilmente poderiam ter saído das páginas de uma outra BD. A química entre estes dois foi algo que passou muito bem para estas páginas, que focam várias vezes o quão diferentes os autores são. Diferenças, essas, que estão na base do que são os Dead Combo. Como disse Henrique Amaro durante a apresentação, sobre um episódio aqui relembrado, «Tó Trips é Cesária Évora e Pedro Gonçalves é Napalm Death.»

“Dead Combo: Sound Files” | Tó Trips e Pedro Gonçalves

Sempre de um lado para o outro, Trips e Gonçalves estão do início ao fim das tiras numa imensa correria, seja para gravar o vídeoclip «Uma Perseguição em Lisboa», de Paulo Abreu, ou para chegar a tempo aos concertos na ZDB – onde se esquecem das chaves frequentemente. São várias as situações caricatas que a banda relembra nestas tiras; situações que, embora cómicas, Pedro Gonçalves garante estarem muito perto da realidade: a vida dos Dead Combo é mesmo assim, uma constante aventura.

Graficamente, Trips optou pelo uso exclusivo do negro, num estilo de tracejado que privilegia o tom das sombras. Uma opção que assenta, na perfeição, com o espírito da banda – afinal de contas, os Dead Combo não são coloridos. O traço de Trips poderá ter também influências de alguns dos seus autores de eleição, tais como Stuart de Carvalhais, Daniel Clowes e Charles Burns. Quanto a Pedro Gonçalves, está actualmente mais afastado da BD, tendo sido, no passado, um leitor de obras, maioritariamente francófonas de linha clara, tais como “Blake & Mortimer” e “Michel Vaillant”.

A título negativo, existe um par de tiras cuja balonagem não segue as regras de leitura, algo que deveria ter sido contornado.

O desenho de ”Dead Combo: Sound Files” capta facilmente a atenção de qualquer um, mas acaba por ser, inevitavelmente, um produto mais direccionado aos fãs da banda, e nesse sentido é uma peça de colecção imperdível.

O livro, com edição pela Chiado Editora, é dedicado à Bety – uma companheira de ensaios e a gata de Pedro Gonçalves – e já se encontra à venda nas lojas.



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