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Deadlight: Director’s Cut | Análise

Deadlight está de volta naquela que podemos considerar como a sua versão definitiva!

Deadlight está de volta, agora, na versão Director’s Cut. Trata-se de uma versão melhorada do jogo original, lançado em 2012 e que, além de contar agora com uma resolução de 1080p, se faz também acompanhar por controlos redefinidos e uma jogabilidade refinada, bem como um novo modo de jogo, pronto a levar ao limite a capacidade dos veteranos. Finalmente a produtora espanhola, Tequila Works, conseguiu trazer aos jogadores o mundo pós-apocalíptico de Deadlight em todo o seu esplendor. Agora a pergunta que fica é se Deadlight: Director’s Cut traz argumentos suficientes que justifiquem o regresso de quem já experimentou a versão original ou se esta é uma versão, sobretudo, focada em quem ainda não teve oportunidade de a experimentar.

A acção de Deadlight tem lugar numa versão pós-apocalíptica de 1986. Ruínas e devastação, resquícios de um mundo que, tal como o conhecíamos, já não volta, é agora o cenário que se estende para lá do horizonte. As ruas de Seattle, sempre agitadas e cheias de vida, em tempos que já lá vão, estão agora preenchidas por incansáveis hordas de Zombies (ou Sombras, como lhes chamam no jogo) que tentam fazer da sua próxima refeição o ocasional sobrevivente que, por azar, se cruze no seu caminho.

A história tem como protagonista Randall Wayne, um sobrevivente, precisamente, que dá por si separado do seu grupo e que tudo fará para encontrar a sua família. A premissa não é propriamente inovadora – aliás, se é disso que estavam à espera, desenganem-se – mas o caminho até ao final desta aventura (de quase quatro horas) na companhia de Randall, resulta numa experiência fácil de recomendar capaz de nos fazer pensar em quem será realmente a verdadeira ameaça: os Zombies ou ou o que resta da humanidade? Numa acção de deslocamento lateral (side-scrolling) vamos correr, saltar e rebolar para atravessar uma série de cenários, quase ao estilo dos primeiros Prince of Persia. Cada um destes cenários surge como um puzzle que teremos de resolver e depressa nos vamos aperceber que, muitas vezes, mais vale evitar o confronto com os zombies que neles se encontram. Apesar de não serem muito extensos, deixam ainda espaço para que os exploremos, em busca de mantimentos como Health Kits (que recuperam pontos de vida), armas ou munições e até coleccionáveis, muitos deles habilmente escondidos.

Claro que, por vezes, o confronto é inevitável e quando isso acontece, Randall, felizmente, traz consigo fortes argumentos que o permitem levar a melhor (ou não). Um revolver, uma espingarda e um machado de bombeiro é tudo o que o protagonista precisa para garantir a sua sobrevivência na aventura principal do jogo. Mas cuidado, as munições são escassas e o manejar do machado esgota a energia de Randall. Já dizia o Joel no The Last of Us: “Make every shot count!

 

Só que isto é mais fácil de dizer do que fazer. A versão que recebemos para análise foi a de PC e a pré-configuração das teclas que controlam os movimentos de Randall não é lá muito intuitiva. Isto fez-se notar sobretudo mais para a frente quando a acção que decorria no ecrã exigia uma capacidade de resposta mais rápida da minha parte, só que ao dar por mim quase a jogar ao Twister com as mãos, a acção de plataformas do jogo levou-me a algumas frustrações. Isto até que decidi jogar com um comando e, aí sim, consegui desfrutar da experiência de Deadlight como deve de ser. Fica a dica e devo confessar que tive pena de não o ter feito logo de início.

Em termos de grafismo, este é um título que não desilude. Apesar da bidimensionalidade dos cenários, os planos de fundo estão sempre repletos de elementos que prendem. Paralela à história de Randall há mais histórias a desenrolarem-se ao fundo do ecrã e que mostram que Randall não está, de todo, sozinho. Não posso também deixar de salientar a qualidade da arte conceptual do jogo – fortemente inspirada na banda desenhada The Walking Dead de Robert Kirkman – que por vezes decide brindar-nos com sequências de grande qualidade ao estilo de banda desenhada. Só é pena que sejam comprometidas por um trabalho de voz que precisava de ser revisto. Felizmente que, à medida que vamos progredindo na história, vamos completando a galeria de arte do jogo para que a possamos contemplar sempre que desejarmos.

Já que saímos da história do jogo, saibam que, exclusivo para esta versão Director’s Cut, além do modo Nightmare – que nos permite jogar a história do jogo com apenas uma vida, sem que o jogo grave o nosso progresso – temos agora ao nosso dispor o modo Survival que coloca Randall num hospital a tentar sobreviver ao maior número de Zombies que conseguirmos. Ao nosso dispor estará um leque de armas mais vasto do que o que está presente na história e quantos mais Zombies derrotarmos melhor será a nossa classificação na tabela de pontuações global.

Os veteranos terão poucos motivos para regressar ao universo de Deadlight. A história (apesar de contar agora com um grafismo superior) em nada difere da versão original e uma vez que a completamos, poucos motivos oferece para que a voltemos a atravessar. Para a complementar, em termos de novidade, surge apenas o modo Survival. Claro que prenderá o jogador durante algumas horas mas é questionável se vale a aquisição total do jogo para que possam desfrutar dele. Deadlight: Director’s Cut esforça-se, sobetudo, por captar a atenção de jogadores que, como eu, não tiveram a oportunidade de experimentar a versão original. Se quiserem ficar a conhecer a história de Deadlight em todo o seu esplendor, então esta é a versão que devem adquirir.



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