Depeche Mode @ Pavilhão Atlântico

Preciosidades Tardias.

Foi na passada quarta-feira, dia 8, que se quebrou o jejum. Passados 13 anos, os Depeche Mode regressaram a Portugal para deliciar um Pavilhão Atlântico completamente repleto de fãs, claramente a contrastar com os estádios que, em 1993, pareciam praticamente vazios.

Numa “explícita” tentativa de refrear os ânimos, a primeira parte esteve a cargo dos nova-iorquinos The Bravery. Missão cumprida. Pela segunda vez em Portugal, depois de, em Paredes de Coura, já terem deixado o escriba com a impressão de que, aparte dos singles, não se poderia esperar muito mais da banda, Sam Endicott e companhia foram o ruído de fundo para quem ia entrando no espaço. E logo aí se via a falta de curiosidade do público português; durante toda a duração do concerto, não havia mais do que um terço do espaço ocupado.

«An Honest Mistake» ou «Unconditional» foram mesmo os pontos altos do concerto, entre quedas e esforços de incitação ao público. Os instrumentos criam melodias atractivas; pena a voz do voz do vocalista não as suportar.

Pouco passava das 21h30 quando a razão para que 17 mil pessoas se tivessem reunido no mesmo espaço subisse a palco. Dave Gahan, Martin Gore e Andrew Fletcher partiram de imediato para «A Pain That I’m Used To», faixa retirada de “Playing The Angel”, último registo da banda e mote para a actual tournée, deixando desde logo a certeza de que este seria um belo espectáculo.

Suportados por um formidável aparato cénico, onde se incluíam ecrãs (aqui ainda escondidos pela mascote oficial da banda) e uma enorme bola metálica a debitar palavras-chave, «John The Revelator» encontrou a multidão completamente rendida perante a música do trio (que contava com mais dois membros em palco). O último registo dos Depeche Mode é claramente mais fácil, mais pop e isso reflecte-se no tipo de assistência. Além dos fãs de sempre, havia toda uma nova geração que acompanhava os novos registos na perfeição e dançava mesmo antes de se ouvir temas mais antigos, como «A Question of Time» e «Policy Of Truth» que começam a reunir um consenso inquestionável entre a plateia.

Ter 43 anos de idade pode deixar algumas marcas. Nada que aconteça no entanto com Dave Gahan, que continua a dançar e a levar o público feminino ao delírio, num crescendo que teria como primeira apoteose «Walking In My Shoes». Era altura de sair de cena e dar lugar a Martin Gore que, envergando um fenomenal gorro e umas asas negras, conseguiu criar com «Damaged People» um silêncio entre o público e uma intimidade espantosa, apesar de o ritmo do concerto ter abrandado consideravelmente com os solos do guitarrista.

A maior ovação aconteceria na inevitável «Personal Jesus». A confiança transmitida pela voz de Gahan, a reunião de memórias que as músicas de sempre como esta revivam, aliadas ao jogo de imagens e luzes em palco, originaram dos maiores coros de que possa haver registo, que continuaram aliás com «Enjoy The Silence».

Depois de uma curta pausa, chega o primeiro encore com «Shake The Disease» a acalmar os ânimos antes de um alucinado «Just Can’t Get Enough» voltar a ter o poder de colocar 17 mil pessoas a dançar. A despedida não estava marcada ainda e, com outro curto intervalo e depois de «Everything Counts» e «Never Let Me Down Again», «Goodnight Lovers» demonstrava a cumplicidade de Gahan e Gore numa das poucas visitas à extremidade do palco. Ainda houve no ar a esperança de um regresso, mas o encontro ficaria marcado para Julho em Alvalade e haverá muitos a querer repetir a dose.

 



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