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Desenhos de A a Z

Lisboa, Museu da Cidade.

Quando se entra nesta exposição ficamos com uma sensação curiosa, uma pergunta nos assola: como é que não se pensou nisto mais cedo? Como não se pensou mais cedo em tecer a trama por trás de todas os projectos de arte, por trás de todas as obras de arte contemporânea, uma trama que se escreve constantemente atrás de todos os objectos, esculturas, instalações, pinturas, filmes etc. Uma trama que viveu sempre à sombra, como uma marca de água, como um suspiro às vezes, sem apoteose, sem grande espectáculo…

Por trás de tudo há um desenho…

O desenho está sempre presente, primeiro passo para a representação, para a expressão e para o imaginário. Esta colecção que reúne os desenhos de numerosos artistas de todas as nacionalidades, nascidos depois de 1960, dá-nos a prova que o desenho está mais do que vivo. O espírito e o cuidado com o qual esta exposição foi montada é obra do curador Adriano Pedrosa, conhecido por ter sido curador adjunto da 24ª Bienal de são Paulo em 1998 e curador da 27ª Bienal de São Paulo. Esta é uma montagem judiciosa e particularmente ousada a meu ver, onde por vezes se deixou de lado qualquer referência de autoria, de provenência ou de estilo para deixar as obras dialogarem entre elas, simplesmente como obras que vivem per se; o que deixa o espectador debruçar-se sobre as linhas que unem os desenhos em vez de criar antagonismos.

É surpreendente ver uma colecção desta envergadura representar grandes nomes da arte contemporânea (como Francis Alÿs, Pedro Cabrita Reis, Maurizio Cattelan, Mona Hatoum, Ilya Kabakov, Guillermo Kuitca, Beatriz Milhazes, Ernesto Neto, Gabriel Orozco e Julião Sarmento), artistas cujo desenho é referência fundamental para a discussão contemporânea do meio (como Franz Ackerman, Joseph Grigley, Julie Mehretu, Dave Muller e Raymond Pettibon), artistas de renome cujo trabalho em desenho é reduzido ou pouco conhecido (como Michael Elmgreen & Ingar Dragset, Olafur Eliasson e Vik Muniz), ao lado de artistas mais jovens ou emergentes (como Brian Alfred, Ryoko Aoki, Marcelo Cidade, Gabriel Vormstein e Carla Zaccagnini).

Não fazendo mostra de pretenciosismo gratuito, Pedrosa põe em valor não a notoriedade mas a plasticidade e a pertinência das obras. Assim, numa montagem brilhante e inteligente, podemos ver, lado a lado, reunidos por temáticas por vezes muito subtis, os desenhos de artistas consagrados como os de novos talentos, dando um foco especial a artistas Portugueses e Brasileiros.

A Colecção Madeira Corporate Services, com o seu acervo variadíssimo, está aqui posta em valor por Adriano Pedrosa, com uma grande homogeneidade, como uma viagem no mundo do desenho, como uma visita nos labirintos da creatividade artística… apaixonante e fascinante.



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