Destroyer | “Five Spanish Songs”

Destroyer | “Five Spanish Songs”

Um exercício diferente

Antonio Luque é um Andaluz, de Sevilha, e tem uma banda chamada Sr. Chinarro. É conhecido pelas letras das suas canções que oscilam entre o surrealismo, a dualidade de sentidos e as metáforas, tal como as de Dan Bejar, corpo e alma dos Destroyer. Antonio Luque é também o autor de «Maria De Las Nieves», «Del Monton», «El Rito», «Babieca» e «Bye Bye», as canções que Bejar decidiu interpretar e que dão corpo a “Five Spanish Songs”.

É uma versão diferente de Destroyer, aquela que nos é apresentada através destas 5 canções. Desde logo salta à vista a ligaçao de Dan Bejar com Espanha, onde passou um período após um desmembramento inicial dos Destroyer que teve lugar em 2000. Depois há também a escolha das canções de Luque, de quem Bejar é um fã confesso.

Estaria a mentir se dissesse que não soa um pouco estranho ouvir a voz de Bejar a entoar palavras em castelhano, no entanto rapidamente se ultrapassa o “choque” inicial para dar início ao exercício seguinte, que passa inevitavelmente por estabelecer comparações com os restantes trabalhos de Destroyer, sendo que é inevitável não pensar logo no belo, no magnífico, “Kaputt”, de 2011. Pois deixem-me que vos diga: não vale a pena. São dois trabalhos feitos com propósitos completamente distintos. Se “Kaputt” foi um trabalho de paciência, de precisão e que levou o seu tempo, “Five Spanish Songs” foi o contrário, reflexo de  períodos e abordagens distintas, no fundo, passou muito por deixar a vida seguir o seu rumo.

«Maria De Las Nieves» tem um travo folk vincadamente norte-americano, muito por culpa da guitarra que se faz escutar ao longo de toda a canção e nem as palavras em castelhano conseguem fazer essa sensação desaparecer. É a forma de Bejar mostrar que não se quis limitar a tocar e a cantar as canções de Luque.

Seguem-se os blues de «Del Monton» e os ritmos espanhóis de «El Rito», marcados pelas palmas (não, não evocam o flamenco!) e atravessados por uma bateria e uma guitarra, que a tornam numa interessante canção pop.

«Babieca» deixa-se extravasar para sonoridades que evocam um funk, versão a la Bejar. Babieca que era o cavalo de El Cid mas que também pode significar simplório ou estúpido. É a dualidade sempre presente.

«Bye Bye» fecha o ciclo, reaproximando-se mais da canção de abertura. É também a forma de Bejar se despedir, ainda que temporariamente, porque os Destroyer deverão passar por um período de recolhimento, pelo menos no que diz respeito aos palcos.

É verdade que “Five Spanish Songs” não tem o brilho de “Kaputt” mas conforme já tinha escrito há cinco parágrafos atrás, não é a isso que se propõe. “Five Spanish Songs” é um exercício diferente de Bejar mas que não devem deixar de escutar, como mais um passo na já muito rica discografia dos Destroyer. Só para terminar. As alternâncias entre o singular e plural que foram utilizadas ao longo desta prosa, sempre que me referi a Destroyer (mais uma!) foram propositadas, porque pese embora Bejar veja os Destroyer como uma banda, a verdade é que estes acabam por ser uma extensão de si próprios e “Five Spanish Songs” é a prova disso mesmo.



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