rdb_artigo_dpr

DEUS. PÁTRIA. REVOLUÇÃO.

Teatro Musical no CCB.

Fomos no passado dia 26 de Fevereiro ao CCB para assistir ao ensaio para imprensa da peça musical “DEUS. PÁTRIA. REVOLUÇÃO.” cujo título, segundo Luís Bragança Gil, surgiu depois de ouvir o ciclo “Marchas, danças e canções” de Fernando Lopes-Graça, que lhe provocou uma série de questões relativamente à arte e à sua necessidade de fazer cumprir um programa ou ideologia ou, por exemplo, até que ponto se pode falar de autenticidade artística quando se escreve música ao serviço de uma ideologia?

Luís Bragança Gil começou assim por investigar o espólio da Mocidade Portuguesa que se encontra na Torre do Tombo e pela recolha de partituras e bibliografia sobre o regime do Estado Novo de Salazar. Tudo parece ser uma investigação musicológica mas, uma vez que se trata de um repertório retrógrado de propaganda fascista que em tempos este país foi obrigado a aprender, para quê desenterrá-lo agora num espectáculo, no CCB?

Foi precisamente este o desafio artístico; o desejo de encontrar uma forma de revisitar este vasto repertório cheio de ideais polémicos e contraditórios, respeitando sempre o carácter de cada uma das peças musicais, e ao mesmo tempo criar uma comunicação com o mundo cada vez mais paradoxal dos nossos tempos.

De um cenário reduzido surge um quadro romântico e divertido e em poucos segundos começa uma abundância de cores, sons e vozes que nos arrancam da firmeza dos assentos e convidam a “bater o pé” e a viajar pela história, pela guerra, pelas muitas memórias. De repente, as vozes avançam para a plateia e surgem de trás envolvendo-nos sem querer nos cânones e nas palavras cantadas. Sem darmos por isso, estamos perante um repertório que já não pertence a uma época, mas sim a uma euforia mais que contemporânea que nos faz pensar no poder da música, dos hinos, das massas.

Segundo Luísa Costa Gomes, é esta ironia que se pretende, o quebrar do preconceito, e é este poder que a música tem que nos ensina a crescer, a idealizar, a sonhar. Um poder que nos move, e comove.

As músicas são interpretadas por um conjunto de músicos que inclui a Orquestra Aldrabófona, o coro Vocês Caelestes e quatro solistas: Alexandra Moura (soprano), Inês Madeira (mezzo-soprano), Fernando Guimarães (tenor) e Rui Baeta (barítono).

Fotografia de Mário Sabino Sousa



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This