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“O Dia dos Prodígios” @ Teatro da Trindade

Retrato do Portugal esquecido.

O “Dia Dos Prodígios” retrata o país da ditadura, estagnado e sem perspectivas à espera de uma milagrosa força de mudança. O espectáculo pode ser traduzido como metáfora dos acontecimentos anteriores e posteriores à Revolução de Abril e da parcela significativa do povo português que não chegou a reconhecer o momento histórico que vivia.

A encenadora Cucha Carvalheiro leva à cena a adaptação da obra homónima de Lídia Jorge editada em 1980, “O Dia Dos Prodígios”, na qual faz o relato sobre o país esquecido e o próprio conceito de nacionalidade perante uma população isolada, alheia às mudanças ocorridas com a revolução.

Vilamaninhos, é a aldeia mítica localizada no interior algarvio onde se desenrola a acção. Uma pequena comunidade que a emigração reduziu vive isolada, fechada sobre si própria. Os habitantes, gentes simples de hábitos rústicos parecem viver à margem do tempo e da realidade do país, crentes num mundo de superstição e misticismo, ocupados em reviver memórias e féis a preconceitos antigos.

Os 14 actores em palco movem-se no cenário construído em torno de uma árvore quase despida de folhas com galhos recortados, uma taberna, um canavial, uma janela e alguns adereços que dão forma às diferentes vivências.

O eco das memórias da primeira Guerra Mundial e da Implantação da República é evocado através do jovem soldado sonhador que parte para a Guerra Colonial, do coronel autoritário que não pede licença e do soldado da revolução (MFA), três personagens diferentes interpretadas por Diogo Morgado.

José Pássaro Volante (Carlos Paulo) – Personifica o homem frio, rude e agressivo – cuja mula fugiu e deixou o homem revoltado a descontar as frustrações na mulher, Branca (Lucinda Loureiro). A jovem Carminha (Filomena Cautela) que anseia conhecer o príncipe encantado com quem casará por amor, vive com a sua mãe (Maria Emília Correia). Esperancinha e José Jorge aguardam a chegada dos filhos que partiram, e Manuel Gertrudes (Rogério Vieira) que conta as lembranças dos tempos de guerra são alguns dos intervenientes.

Mas há um dia no verão de 1973 diferente de todos os outros e que fica marcado por um acontecimento invulgar e que muito agita a vida da rotineira população de Vilamaninhos dando-lhe novo fôlego. Um inesperado prodígio é avistado por Jesuína Palha (Teresa Faria) – personagem espirituosa, guardiã das tradições e dos mitos da aldeia e principal crente no fenómeno – e testemunhado por toda a aldeia que vê uma cobra ganhar asas e fugir da morte.

O acontecimento transforma-se no principal tema de conversa e dá a todos o sentimento de terem vivido uma experiência única e excepcional, tornando o mundo exterior ainda mais longínquo e indiferente. Na Primavera de 1974 chega à aldeia um soldado que vem anunciar a importante revolução mas os habitantes de Vilamaninhos imersos numa realidade muito própria, quase hermética não entendem a importância da mensagem e Jesuína Palha remata com a eterna pergunta “porque é que a cobra ganhou asas?”

A co-produção entre o Teatro da Trindade e a Comuna – Teatro de Pesquisa – conta com Carlos Paulo, Cristina Cavalinhos, Diogo Morgado, Elisa Lisboa, Filomena Cautela, Hugo Franco, José Martins, Lucinda Loureiro Luís Lucas, Maria Emília Correia, Maria Ana Filipe, Rogério Vieira e Teresa Faria entre outros, que se juntam a António e Duarte Teixeira, os actores juniores da peça.

“O Dia dos Prodígios” estará em cena na sala Principal do Teatro da Trindade até 14 de Novembro, de Quarta a Sábado às 21h e Domingo às 16h.



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