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Diabo na Cruz @ Musicbox

"Ai foi tão lindo. Ai foi tão Lindo. Ai é tão lindo". Lisboa, 11 de Dezembro de 2009.

A FlorCaveira outra vez. E vai mais um projecto certeiro – como diriam os Pontos Negros. Os Diabos na Cruz fazem rock popular português. Foi o próprio Jorge Cruz que nos disse. Não há folclore. Quer dizer, há numa outra canção mas não é coisa omnipresente. Nós cá concordamos. O novo álbum, “Virou!”, o que vieram apresentar ao Musicbox, não só prolonga o prazer do EP “Dona Ligeirinha”, como nos dá novas pistas e define o som dos Diabo Na Cruz.

O quinteto composto por guitarra eléctrica, baixo, bateria, baixo, teclados e guitarra braguesa seguiu, nas primeiras quatro canções do espectáculo, o alinhamento do disco. Quer isto dizer que abriu com a voz de Vitorino nesse «Regresso da Lebre» e seguiu com «Tão Lindo», canção maior que desmistifica qualquer ideia de folclore puro e duro – isto aqui é mesmo rock popular português com uma camada de teclados deliciosa e guitarras que conferem um toada dançável e nos deixa a pensar “porque não foi isto feito antes?” Continuou com as já conhecidas «Dona Ligeirinha» e «Loucos» – estas já davam muitas pistas relativamente ao futuro, nós é que não queríamos ver (nem ouvir). Há humor, mas também há uma crítica social cerrada. As letras são rústicas, mas nem por isso banais. Há pormenores deliciosos na vertente lírica dos Diabo Na Cruz. Um exemplo que não é novidade nenhuma para quem já conhece o EP: “O bairro está cheio / As cheias estão à porta / O António das Chamuças mudou de canal” («Loucos»).

A festa teve ponto alto em «Casamento» – olha a crítica social – com Jónatas Pires, “um diabo” que por ali andava, segundo Jorge Cruz. O músico dos Pontos Negros faz companhia a b fachada nos coros e entra num headbangging frenético. Confirma-se: Jónatas é mesmo o rapaz cool da FlorCaveira – ele é membro dos Pontos Negros, ele é músico de João Coração, ele é colaborador dos Diabo na Cruz. Mas deixemos a outra banda da FlorCaveira de lado, esses que segundo b fachada são “uma grande banda rock”, Os Pontos Negros.

Referimo-nos aos coros e a fachada. Ele que é um tipo com piada, mesmo quando não o tenta ser. Entra em divagações vãs, como descrever a “profundidade” do Musicbox, mas é isso que lhe confere a referida piada. É um grande músico, já o sabíamos. Jorge Cruz é o carismático líder. Formou os Superego e lançou um disco a solo em 2002, “Sede”, que, refere no myspace, “foi aclamado pela crítica por ter uma capa sépia” – olha a crítica à crítica. Os também experientes João Gil, Bernardo Barata e João Pinheiro completam a formação.

Em «Corridinho de Verão», a outra canção já conhecida – esta tem mesmo o folclore entranhado – ouve-se do palco um “vamos partir isto tudo”. É de facto uma canção para fazer a festa e fará furor em qualquer espectáculo dos Diabo Na Cruz que deixam o palco com uma apropriada «Fecha a Loja».

No regresso, em encore, fachada diz que nunca “tinha dado um concerto assim tão lindo”. Fecham com «Dona Ligeirinha» que parece que vai dar em single e consequente vídeo, provavelmente com imagens do concerto, este mesmo, o do Musicbox. Adaptando a letra dessa grande canção que praticamente abriu o espectáculo: “ai foi tão lindo, ai foi tão lindo”.



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