Diário de um Imago

O melhor do que se passou no Fundão.

A edição de mais um Imago – Festival de Som e Imagem, que decorreu entre 1 e 8 de Outubro, na cidade serrana do Fundão chegou ao fim.

Divido em várias secções, o início do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Jovem dificilmente poderia ter sido melhor. O filme “entre Acte”, de René Clair, foi musicado pelo mestre Kubik (Vítor Afonso), acompanhado pela Orquestra de percussão da Associação Cultural da Beira Interior e do coro Misto da Covilhã, coordenado por Luís Cipriano.

A abertura da edição mais concorrida de sempre do Sound & Vision Experience 2005 abriu com o espectáculo memorável de Erlend Oye, um dos pontos altos do festival. O aclamado músico esgotou o alinhamento pré-definido, onde se incluía temas dos Kings of Convenience, com um público sentado deixando-se levar pela corrente subtil do som da guitarra do norueguês e obrigando-o a incluir temas até aí não previstos na sua actuação.

Entre muitos filmes, concertos, artistas de renome, jornalistas e países representados, os vencedores do Festival foram:

• Competição Internacional:

– Grande prémio cidade do Fundão: The Raftman’s Razor, de Keith Blarden
– Prémio do Júri da Competição Internacional: City Paradise, de Gaelle Denis
– Prémio Jovem Realizador Europeu/Jameson: A Bras le Coprs, de Katell Quillévéré

• Docs in Shorts

– Melhor Filme Competição Docs in Shorts: Undressing My Mother, de Ken Waerdrop

• Competição Under 25

– Melhor Filme Internacional: Bow Tie for SquareHeads, de Stephan Flint Muller
– Melhor Filme Nacional: Lixo, de Mário Filipe Faria

• Prémio Júri Jovem: Bow Tie for Squareheads, de Stephan Flint Muller

Não admira, pois, ao passear pelas ruas e pelos demais recintos do Festival, que a língua oficial da cidade beirã fosse o inglês. Para tal, muito contribuíram as presenças de Jess Franco, do holandês Rosto, da Alex (Chicks on Speed) e dos vários elementos da editora Britânica Twisted and Nerve (com Andy Votel e os seus amigos).

Jess Franco apresentou as suas criações, por piores que fossem, onde se destacou “snakewoman” (definitivamente um filme não recomendável), ou outros trabalhos já melhores que marcaram a sua carreira como “Drácula contra Frankenstein”.

Apontamento necessário para o esplêndido documentário em animação real sobre Ryan Larkin, o realizador canadiano, que se deixou afundar pelo preço da fama.

O projecto Old Jerusalem, lançado pela editora Borland marcou presença. Foi preciso apenas uma guitarra e um percussionista para Francisco Silva mostrar a beleza das suas canções. Não foi magnífico, pois o público mantinha-se ruidoso e não parava de conversar em vez de se mostrar mais atenção a este songwritter português, mas satisfez os fãs.

Destaque para o desafio lançado aos Albicastrenses Norton, que musicaram ao vivo versões de músicas de autênticos clássicos indie (com uma versão lindíssima de «Silent high» de Badly Drawn Boy, que até teve direito a um live-act “Fundão-Manchester”) e projecções de extractos de filmes a acompanhar.

Mas a grande revelação estava reservada para Namosh, o turco que invadiu as noites loucas do Festival. E a receita deste residente na Alemanha consistia em: 500g de Iggy Pop, 100g de Peaches, 50g de Paulo Furtado, 30g de António Variações; com uma pitada (q.b.) de adrenalina e substâncias ilícitas. Isto tudo misturado resulta num grande performer, bailarino e comunicador da cena electro! Seguiu-se noite dentro com a “música bonita para gente bonita” da australiana Alex (Chicks on Speed), que prova mais uma vez não saber tocar guitarra.

A equipa Twisted and Nerve traz os seus convidados. O primeiro concerto de Toolshed no nosso país foi bonito de se ver e ouvir. Recorrendo a instrumentos emprestados, o grupo percorreu vários estilos de música, desde o jazz ao rock progressivo, ao noise, passando também pelo punk. Nessa noite, Andy Votel e Cherrystones fizeram um tributo a Jess Franco, fazendo-nos acreditar que estávamos situados num ano qualquer da década de 70.

Outro dos destaques do Festival foi a presença do realizador Holandês Rosto, que veio mostrar os seus trabalhos. Tal como a sátira ao capitalismo, através da obra de Terry Gilliam.

O Festival não poderia ter terminado melhor. Mais um momento musical a cargo de um renomado Dj internacional, Kid Koala (Ninja Tune) e amigos que conseguiram fazer o público vibrar. No final, havia ainda tempo para que os Platanitos dessem a conhecer as suas deambulações musicais, acompanhados pelas imagens de Chiklet TV.

Para 2006 a organização promete novo espaço. Resta-nos esperar… Até para o ano!



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