rdb_artigo_dirkeskimo

Dirk Eskimo

A aparente discrição belga encobre um importante país no enclave da música de dança. Dirk de Ruyk criou a Eskimo e a Mindless Boogie que mantêm o groove perpétuo.

Dirk de Ruyk, também conhecido por Dirk Eskimo não é um produtor ou DJ muito conhecido. Representa outra parte importante da indústria discográfica – dono de editora – e o seu dia-a-dia passa por escolher as faixas que iremos gostar no futuro, estar à frente de tendências e ajudar a que melhor música chegue até ao público.

Juntamente com amigos como os Glimmers, ajudou a criar festas na Bélgica que ainda hoje definem a direcção da música de dança, lançando artistas como Radio Slave, Prins Thomas, Lindstrom, Reverso68, Aeroplane, Chromeo, Rub ‘N Tug, etc, pela sua editora Eskimo Recordings.

Na sua selecção de faixas para compilações da Eskimo, e analisando as suas escolhas quase 10 anos depois, fica patente a sua percepção das direcções do futuro da música – já andava a reeditar faixas pós-punk de Liquid Liquid, o chamado yacht rock como Oates ou faixas Disco que são actualmente procuradas em dezenas de bootlegs.

Recentemente criou a editora Mindless Boogie que, composta por vários artistas conhecidos sob alter-egos, produzem reedits em white labels de homenagem às suas influências de vários estilos anteriores dos anos 60/70/80.

Considera que a Música de Dança e o seu groove são uma constante. E a única diferença é a maneira como soa de ano para ano. Conta-nos ainda que o primeiro disco que comprou com o seu próprio dinheiro foi o primeiro álbum de The Specials, produzido por Elvis Costello e que ainda o considera como um clássico.

O que te interessou na música, como começaram as tuas festas?

Sempre tive um grande interesse em todos os tipos de música desde o início dos anos 80 quando tinha cerca de 12 anos. Tinhamos na Bélgica a cultura do New Beat, que me deu outra visão da música de dança – diferente do que conhecia da televisão – e a partir daí comecei a gostar de House como Fingers, Inc. a editora Trax, etc. O que me levou a criar as minhas primeiras noites no final dos anos 80, inícios de 90. Com o domínio global do Techno em 93 eu parei e voltei em 97 e desde aí tenho continuado.

Porquê a decisão de começar uma editora – havia uma necessidade ou nicho na altura?

Não há uma explicação, apenas aconteceu e devido à sua selecção ecléctica conseguiu sair e ser bem falada fora da Bélgic. A partir daí, pessoas como The Glimmers e 2ManyDJs conseguiram atingir uma maior audiência.

Mindless Boogie contra Eskimo: apareceu a Mindless Boogie devido às white labels ou existem diferenças criativas entre as duas editoras?

Mindless Boogie apenas existe devido ao amor pela música. Resume-se a andar à procura de algo que é bom novamente para ser tocado e sempre baseado em faixas dos anos 60/70/80 que são reeditadas e remasterizadas adaptando-as para a pista de dança actual.

Lançaste recentemente alguns artistas portugueses como Social Disco Club e Tiago – o que achas da componente musical em Portugal e os seus artistas?

Conhecia o Tiago [Miranda] há alguns anos… O Humberto [Social Disco Club] veio falar comigo pela Internet.

Lembro-me que a primeira vez que fui a Lisboa foi no fim dos anos 90 e fiquei surpreso pela qualidade e estilo do que estava por lá a passar no momento, seja música ou cultura em geral. É bastante mais interessante que outros lugares como, digamos, Barcelona, e acho que está ligado à forte cultura gay presente na cidade.

Fala-nos acerca de alguns lançamentos recentes que tenham captado o teu interesse e não tenham sido lançados por ti, tanto do lado da música de dança como fora dela.

Oh, há sempre muitos, entre coisas antigas e novas, alguns nomes: Moody Blues (álbum Psychedelic 69), Empire of the Sun (que considero como pop puro e perfeito), Holy Ghost (grandes produtores de dança da DFA), Jonathan Jeremiah (singer songwritter), Neil Young (mais especificamente o álbum trance dos anos 80), etc.

E sempre The Beach Boys entre 66 e 74, o “Surf’s Up”, álbum de 72, que é ainda o meu álbum favorito de todo o sempre.

Como vês a evolução dos clubes e bares ao longo dos teus anos?

Acho que sempre foram iguais, a tua vida é que muda com a tua idade e ponto de vista, etc. Foi uma página da minha vida à qual voltei no ano passado.

O que tens alinhado para este ano?

A nível de editora para a Eskimo Recordings irá sair o novo álbum de Lindstrom & Prins Thomas, o álbum de Aeroplane e outros que ainda são segredo…

A outros níveis há demasiado para contar, darei notícias em breve.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This