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DiRT Rally | Análise

Um nostálgico regresso à simulação de ralis.

Após um longo período em acesso antecipado no Steam, que durou desde Abril do ano passado, DiRT Rally chega finalmente às consolas pronto a acelerar em direcção às salas de estar de todos os fãs que ansiavam por um regresso às origens da simulação de Rali. Afinal de contas, desde os tempos de Colin McRae Rally que não se via um verdadeiro título de simulação de corridas deste género. A componente arcade ganhou demasiada força nos últimos anos e aqueles que procuravam uma verdadeira experiência de condução na lama ficaram a ver o tempo a passar a alta velocidade. A nível de jogabilidade, como um verdadeiro simulador deve ser, podem contar com carros que fogem da estrada, derrapam pela encosta e quase parecem ganhar vontade própria através da lama. Aguarda-vos uma dose brutal de frustração a início, sobretudo se chegam a DiRT Rally habituados aos anteriores títulos da série DiRT. Controlar estes carros, verdadeiros cavalos selvagens que tentamos domar, é uma tarefa árdua mas, de repente e sem quase darmos conta, estamos a derrapar como verdadeiros condutores profissionais de Rali e a contornar as curvas mais apertadas por entre as três categorias que o jogo nos oferece: rally, rallycross e hillclimb.

O mundo dos carros de ralis está muito bem representado com veículos divididos entre as seguintes categorias: 1960s, 70’s, 80’s, Group B, Group A, Group R, 2000s e 2010s, Rallycross e Pikes Peak. No total são quase três dezenas de veículos para conduzir em mais de cinquenta pistas, com mais a caminho segundo a Codemasters. No entanto, o factor simulação é, efectivamente, o maior chamariz deste DiRT Rally. Pensem que este jogo está para o género de Ralis tal como Dark Souls está para o género RPG. Exige de nós uma total atenção a cada curva, a cada salto, a cada poça de água. Desviar a atenção, para espreitar o tempo lá fora durante 2 segundos ou ver se o miúdo não prega uma cabeçada no chão é sinónimo de um desastre certo, de uma saída da estrada que pode, em alguns casos, ser mesmo fatal e resultar numa desqualificação. Partir o para-brisas ou rebentar com os pneus do carro são outras das eventualidades que podemos enfrentar e após as quais ficaremos, irremediavelmente, limitados para terminar a corrida em igualdade face aos tempos dos nossos adversários. O nosso carro será sempre a imagem do nosso desempenho na pista… ou seja, se formos de encontro aos obstáculos vezes de mais, o nosso carro ficará uma verdadeira desgraça ambulante. Algo que, se conduzirmos dentro do cockpit, podemos ver a acontecer na primeira pessoa e aí, sim, apercebemo-nos dos detalhes que a Codemasters teve o cuidado de introduzir neste fantástico título.

Para nos ajudar a reparar o nosso carro podemos contar com a ajuda de uma equipa de técnicos, a qual vamos reforçando mas que começa apenas com um chefe de equipa. A pouco e pouco, à medida que vamos ganhando créditos, vamos seleccionando, da lista de técnicos possíveis, aqueles que achamos que nos podem ajudar a poupar tempo durante as reparações. Seleccionar bem a nossa equipa, de acordo com a capacidade de cada um dos seus membros, é sinónimo de tempo recuperado ao invés de tempo perdido. Algo que muitas vezes pode significar a diferença entre o pódio e um campeonato perdido. Mais um factor que temos de ter em conta, para além da dificuldade da condução em DiRT Rally mas que acresce à experiência de jogo e o torna mais realista.

Não obstante, se a dificuldade nos obriga a focar totalmente a nossa atenção em DiRT Rally, a atmosfera do jogo ajuda-nos a absorver ainda mais a experiência deste simulador. Para isso contribuem em muito vários factores: os detalhes e variabilidade dos cenários onde corremos, as condições atmosféricas das várias regiões em que competimos, ou até mesmo os efeitos sonoros que são magistrais. A minha primeira corrida em DiRT Rally, com um Lancia Fulvia HF de 1960, foi uma verdadeira surpresa. À minha espera encontravam-se as escarpas das montanhas gregas e inúmeras curvas e contra-curvas, saltos e travagens bruscas. Começa a contagem para o início da corrida, mudo a visão para o interior do cockpit do carro e oiço o motor a vibrar com o pressionar do acelerador. Arranco e enquanto conduzo o carro pela primeira vez começo a ouvir coisas a bater. Mas que raio seria aquilo? O que é que eu parti? A resposta era nada porque, afinal de contas, estava a conduzir um carro com meio século de existência… aquele som eram as latas do carro a bater com a oscilação pela estrada fora. Um pormenor simplesmente fenomenal em DiRT Rally!

Devagar ou depressa, na floresta ou na montanha, em qualquer altura as pistas são fenomenais visualmente e encontram-se populadas com pessoas espalhadas pelas laterais das estradas, como é habitual (e perigoso!) nas verdadeiras competições de Rali. Contudo, o que de facto distingue DiRT Rally ao nível dos cenários são as corridas em pistas em zonas ermas, completamente dominadas pela natureza. Aí sim, o nosso coração dispara e a adrenalina sobe. Conduzir pelas zonas montanhosas da Grécia, com a encosta sempre ali a ameaçar-nos com uma queda fatal, é quase claustrofóbico. A falta de espaço é enervante mas, acima de tudo, realista. Conduzir em zonas em que apenas o nosso carro cabe em largura é habitual em DiRT Rally. Atravessá-las até pode não parecer problemático se não equacionarmos em conjunto a velocidade com que temos de entrar nestas zonas ou até as curvas a 360º que muitas vezes temos de efectuar. Mais uma vez, não há palavras suficientes para enaltecer o trabalho da Codemasters neste título.

No entanto, se as pistas são complicadas, também as condições atmosféricas não estão a nosso favor e interferem directamente onde conduzimos. Conduzir no ambiente seco da Grécia não é o mesmo que conduzir nas zonas frias do Mónaco ou no ambiente húmido do País de Gales. Efeitos como a chuva ou as poças de águas estão extremamente muito bem conseguidos e limitam, de facto, a nossa visibilidade. Isto para não falar de quando somos obrigados a conduzir à noite, na penumbra, apenas com o apoio dos nossos faróis e a fraca luz da lua que se levanta no horizonte ao longe. Consoante as pistas e as condições atmosféricas que enfrentamos, também a sujidade que se abate no nosso carro se altera. Efectivamente se a tua paixão é manter o carro limpo enquanto corres, fazê-lo em DiRT Rally vai ser um desafio. Introduzidos ainda nesta versão para consolas, para aqueles que já dominarem a experiência DiRT Rally, estão ainda os desafios diários, onde falhar significará ter de esperar pelo dia seguinte para voltar a tentar um novo desafio.

DiRT Rally é um regresso às origens do género de videojogos de Rali numa excelente aposta da Codemasters onde o desafio é constante. Esta é uma das melhores experiências que tive nos videojogos para PC, no ano passado em acesso antecipado, e que este ano chega em força às consolas PlayStation 4 e Xbox One. Embora a curva de aprendizagem não seja, de todo, generosa, a verdade é que recompensa todos os esforços despendidos para a ultrapassar. Conteúdo não falta e a condução está de tal forma afinada que o condutor será sempre o único culpado pelas falhas que acontecerem durante a corrida. A maneira como a produtora britânica colocou de parte o género arcade, para finalmente fazer “fan-service” aos fãs da simulação, é uma opção que muda o panorama daquilo que virá a seguir. Depois de DiRT Rally nada será igual no género…



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