Dirty Pretty Things @ Santiago Alquimista

The Libertines v2.0

Primeiro os Libertines, depois Pete Doherty e ainda depois os Babyshambles (e às vezes, os Babyshambles e o Pete Doherty ao mesmo tempo), fizeram correr rios de tinta na imprensa internacional. Principalmente, porque foi acolhido pela imprensa britânica, que o adoptou como seu último filho romântico do rock. Já tudo o que era necessário (e até o desnecessário) foi dito sobre eles. Por isso, agora, abram alas para Carl Barat!

Barat era a outra metade da força motriz que fazia mover a engrenagem dos Libertines. Quando estes terminaram, Barat não perdeu tempo e colocou a sua capacidade criativa a favor de um novo projecto musical: os Dirty Pretty Things. Provavelmete eles não devem gostar desta definição, mas não estou a ser nada injusto ao afirmar que são uma espécie de Libertines versão 2.0, tanto em termos sonoros (a própria banda até repesca alguns temas dos Libertines em concerto), como em termos de alinhamento. É que ao vocalista/guitarrista Carl Barat, juntaram-se os outros dois ex-Libertines, o baterista Gary Powell e o guitarrista Anthony Rossomando (que havia substituído Pete Doherty quando este foi deposto da banda). O único elemento novo é o baixista Didz Hammond.

O álbum debutante dos Dirty Pretty Things chama-se “Waterloo To Anywhere”, mas só verá a luz do dia no próxima dia 8 de Maio. No entanto, aproveitando uma pouco usual actividade musical em Portugal, a banda apresentou-se ao vivo em Lisboa, dando a conhecer o que poderemos ouvir no álbum. Está lançado o hype!

Quem também ainda não tem trabalho editado são os portugueses (The) Scope, que subiram primeiro ao palco do Santiago Alquimista. A banda lisboeta denotou a sua falta de experiência nestas andanças e os problemas técnicos logo de início certamente não ajudaram a acalmar os sistemas nervosos. Com uma sonoridade rock assente nas guitarras abrasivas, os (The) Scope andaram sempre num registo veloz demasiadas vezes inconsequente. No ouvido ficou o tema «Second Nature», suficientemente radiofriendly para single do anunciado álbum de estreia.

Durante os momentos que antecederam a subida ao palco dos Dirty Pretty Things, foi possível ouvir algumas pessoas a recordarem a passagem dos Libertines por Portugal, há dois anos atrás, numa actuação que não deixou grandes recordações. No entanto, parece que Barat e os seus companheiros não consideraram esse concerto cem por cento inútil e, certamente, tomaram-no como um mau exemplo a não repetir. É que os Dirty Pretty Things entraram determinados a fazer esquecer essa noite.

Com aquela pose pseudo-degradante de quem apenas se interessa pela garrafa de Jameson que estava no tapete, os Dirty Pretty Things não perderam tempo e entraram com toda a força: guitarras em riste, Gary Powell a agredir (literalmente) a bateria e o som muito, muito alto, a ferir os tímpanos, na boa tradição punk.

Os Dirty Pretty Things são a evolução natural de mais de quase quatro décadas de música rock britânica, num registo que pode ser apelidado de brit-punk. Nota-se a linha evolutiva que começou com os coros dos Beatles, a absorção dos ritmos rock norte-americanos dos Stones, a fúria sonora dos Sex Pistols e, finalmente, as faculdades letristas dos Oasis.

Com a urgência volátil – e, arrisco dizer, efémera – de que se tem feito a música britânica da actualidade, os Dirty Pretty Things encarrilharam o concerto durante uma hora sem interrupções ou palavras desnecessárias. A rematar, estava «Bang Bang You’re Dead», o single de estreia da banda que já se pode ouvir nos rádios e na televisão.

Talvez tivesse sido uma melhor opção se tivesse surgido mais cedo. É que o público, entusiasmado pela identificação do tema, galvanizou-se finalmente, transformando o encore no melhor momento da actuação: até houve uma tentativa tímida de invasão de palco por duas jovens e o guitarrista Anthony Rossomando a pegar ao colo uma admiradora. No final, os fãs (especialmente os do sexo feminino) tiveram oportunidade de abraçar os músicos e tirar fotografias junto a Carl Barat, como nos tempos da histeria rock dos anos 60.



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