Discotheater

Masters of nothing...

Nome do espectáculo: Discotheater; Duração: 6 horas; Início do espectáculo: 00h00; Local: Picadeiro do Museu da Politécnica; Ideia: Teatro Praga; Elenco: oito figuras de perucas longas desdobradas em dezenas de surpreendentes personagens; Nota do espectáculo: performance em inglês; Nota ao espectador: pode entrar e sair do espectáculo sempre que quiser; Objectivo: interpretar e gravar sonhos!

À entrada da sala de espectáculo somos recebidos pelo colectivo de actores que nos olha fixamente como se fossemos nós o alvo da representação. Naquele momento apercebemo-nos igualmente da amálgama de adereços que vão preencher as 6 prometidas horas de espectáculo: um pódio; uma piscina; megafones; uma pequena floresta; um banco de ginásio; travessas; um quadro de Frida Kahlo; cestos de piquenique; mesas de som; luzes; projectores; perucas; máscaras; um cabide de loja com dezenas de medalhas penduradas e a primeira interveniente da noite: uma caixa de música e luz onde se lê a palavra Discotheater!

Em jeito de coro grego os oito intervenientes do Discotheater encontram-se gradualmente no centro da sala, anunciam a razão de estarem ali e prometem: “To make a beautiful performance… many have succeeded.”

Acreditamos que o Teatro Praga, em co-produção com o alkantara festival e o Espaço do Tempo, tenha conseguido pelo menos entreter através dos mais de 70 quadros performativos que se seguiram. Neles, mestres de “si-mesmos”, demonstram e “auto-medalham” as suas competências e conduzem-nos por momentos divertidos, exóticos, embaraçosos, grotescos, masoquistas, românticos, nojentos, saborosos, penosos e violentos sem nunca serem muito profundos ou doutrinais…

Assim embarcamos numa corrente de cenas caricaturadas e irónicas que por vezes roçam o absurdo, como o “Master of Protest” onde numa manifestação se grita efusivamente palavras de ordem como “Maybe” ou “Incert a Coin”! Em situações mais violentas deparamo-nos com uma das personagens femininas munida de duas garrafas de água de 1,5L e a dolorosa tarefa de as beber… Missão que só consegue vencer depois de vomitar parte do líquido já ingerido para se tornar na “Master of drinking + Vomit”!

A noite já vai longa e os estômagos dos espectadores são de novo postos à prova. Três bandejas tapadas são colocadas no pódio, atrevidamente a corajosa personagem que interpreta o “Master of Disgust” começa por revelar o terceiro lugar que vai para um preservativo usado que sorve sofregamente; no segundo posto encontra-se um sapato onde repousa uma beata de cigarro, um cabelo e uma pastilha elástica que ainda tem sabor; a vitória incontestável vai para um piaçaba usado que a também “Master of bad taste” devora como se de um gelado de chocolate se tratasse! E com o amor sempre presente vamos ao encontro dos “Masters of a Classical Scene” onde um casal de namorados começa por um fugaz e tímido trocar de olhares para terminar completa e totalmente coberto de chantilly!

Seis horas depois, já com o dia a nascer, a caixa de música e luz do Discotheater regressa ao centro da sala… Lá são guardados todos os “Master of” que também protagonizámos, foram estes, mas podiam ter sido outros uma vez que não parece haver um fio condutor que esteja na base da escolha deste pequenos “masters of nothing” que talvez sejamos todos nós!



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