DJ Jalex

Entrevista a um dos dinamizadores da noite alfacinha.

Na indústria da música desde 1999, Jalex começou a carreira como DJ em Inglaterra organizando eventos com destaque para a fusão de estilos musicais, misturando hiphop, funk, broken beat, afro beat, breaks e drum’n’bass.

Em 2003 decide assentar em Portugal onde tem crescido gradualmente como DJ, produtor musical e promotor de eventos. Podem ouvi-lo atrás dos pratos um pouco por todo o país em clubes como o Lux, Mercado, Jamaica, Estado Líquido e Bazaar e nas as noites ‘Cookin Vinyl’ uma vez por mês no Clube Mercado.

Reencontrei-o dia 25 de Dezembro no Lotus Bar em Cascais, onde era um habitué. Em jeito de sessão nostalgia e ressaca de Natal, Jalex voltou a aquecer aquela que foi a sua casa durante alguns anos, brindando-nos com boa música e um espírito muito positivo. Nesta noite o drum’n’bass voltou a ser rei. Resolvi aproveitar para saber quais são os seus planos para este novo ano de 2006.

RDB: Começaste a tua carreira na indústria da música em Inglaterra. Como é que tem sido o teu percurso em Portugal?
Jalex: Tem sido bastante bom. Portugal é um mercado mais compacto que Inglaterra, contando com menos, mas bons, artistas, espaços e condições. Desde 2003 que tem sido uma progressão crescente com muito trabalho e dedicação à mistura. Na comunidade da música a maioria das pessoas conhecem-se e dão apoio umas às outras, o que ajuda muito também. Desde que comecei a organizar festas e a remisturar para bandas portuguesas o feedback tem sido muito positivo.

Já trabalhaste com artistas como Nitin Sahwney, Jazzanova, Kid Loco e os Da Weasel, entre outros. Como é que essas experiências te influenciaram?
Todos os projectos em que trabalho ou dos quais fiz parte deixam sempre influências. Desde tocar ao lado de artistas como o Nitin até à banda sonora que produzi com a Yen Sung para uma peça de teatro. Todas contribuiram para a minha experiência pessoal. Nesta indústria há sempre coisas novas para aprender.
Em relação às actuações como DJ aprendi com pessoas como o Kid Loco a manter sempre uma identidade e a ser criativo; nas remisturas para os Da Weasel deu para perceber um pouco mais o funcionamento da indústria da música em Portugal, já que foi editado pela EMI, uma editora de grande escala.

Além de DJ também és produtor musical e promotor de eventos. Não é complicado conjugar estas estas tarefas todas?
O meu tempo é dividido entre as três funções. Como DJ tenho compromissos com várias casas, especialmente em Lisboa e no Porto. O trabalho como promotor é a tempo inteiro, estando em contacto constante com artistas, agências, espaços e patrocinadores. É um trabalho que ocupa muito tempo mas que acaba por recompensar muito quando vejo uma casa cheia a dançar e a curtir por causa do nosso trabalho. Há também a mais-valia de estar a tocar ao lado de muitos dos meus ídolos… é uma sensação inigualável. Como produtor o trabalho tem um carácter mais esporádico e normalmente envolve remisturas ou bandas sonoras.

Ao longo da tua vida quem é que te tem influenciado no âmbito da música? Existem algumas figuras de referência, bandas ou outros DJ’s que fizeram de ti o que és hoje?
As influências começaram em casa. O meu pai sempre teve uma paixão pela música e por isso cresci a ouvir motown, jazz, reggae, Bob Marley, Aretha Franklin, John Coltrane, James Brown… e os meus primeiros discos vieram da colecção dele. A partir daí o tempo que estive em Bristol a estudar também me empurrou numa certa direcção, já que é uma cidade riquíssima em termos sonoros com bandas como Massive Attack e os Portishead a tocarem todos os fins-de-semana.

De festa em festa crias atmosferas que variam entre várias paisagens musicais. O que é te faz variar assim tanto?
Eu comecei por inclinar-me mais para sons de Hip Hop e Funk, passando também pelo Drum’n’Bass e Break Beat. Penso que a mudança de Inglaterra para Portugal influenciou em muito a minha escolha já que lá os DJ’s têm tendência em tocar só um género em sets de uma ou duas horas. Cá, chego a tocar sets de 5 ou 6 horas portanto a música tem que fluir conforme a noite vai passando.

Hoje em dia prefiro só comprar discos de que gosto mesmo e não comprar algum só porque é o hype do momento. Isto é outro factor influente. Os sets que toco agora podem incluir influências de vários estilos de música. Tudo, desde que tenha uma sensação boa e que consiga fazer fluir em conjunto. Acho que acaba por ser mais apelativo do que passar uma noite inteira a ouvir sempre o mesmo.

No meio de todas estas actividades, com certeza terás já alguns projectos em carteira. O que andas a fazer hoje e o que podemos esperar do Jalex para amanhã?
Nesta altura estou prestes a trabalhar em duas remisturas, uma para uma artista canadiana, a Andrea Ravel, e outra para os Telépopmusik. Em termos de eventos vou continuar o trabalho feito com os NoLinx na organização dos eventos “Cookin Vinyl”, agora uma vez por mês no Clube Mercado em Lisboa. Vamos também iniciar um projecto novo no Sabotage Club, intitulado “Good Times”, de duas em duas semanas, a partir de Fevereiro, podem assistir a perfomances de dois nomes internacionais. O nosso site também está a ser renovado e em breve podem ler as entrevistas com Jazzanova e Nicola Conte e está já em desenvolvimento uma rádio online chamada “Bigger Bounce”.



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