Doclisboa 2004

No fim de Outubro as rotas cinematográficas voltam a indicar Lisboa como destino obrigatório.

Depois da estreia auspiciosa do Festival Indielisboa, os caminhos da cinefilia nacional voltam a convergir em direcção à capital. Em Outubro o mundo inteiro cabe em Lisboa, assim anuncia o cartaz do II Festival Internacional de Cinema Documental de Lisboa. Ao longo de oito dias, o doclisboa 2004 – uma co-produção Apordoc (Associação Portuguesa do Documentário) e Culturgest – promete, não só celebrar múltiplas culturas através do género documental, como fomentar “novas formas de pensar, de olhar o mundo e comunicar”.

Entre a categoria internacional competitiva (de curtas e longas-metragens) e sessões temáticas, mais de 60 obras cinematográficas estarão à espera do público que se deslocar ao pequeno e grande auditório da Culturgest entre os dias 24 e 31 de Outubro.

No doclisboa serão exibidos tanto filmes inéditos em Portugal, premiados documentários de 2003 e 2004 pouco divulgadas entre nós e algumas das últimas obras de cineastas que são já uma referência incontornável da cinematografia mundial, como é o caso de Avi Mograbi que apresentará How I learned to overcome my fear and love Arik Sharon e Happy birthday, Mr. Mograbi. Da autoria da realizadora de Os Respigadores e a Respigadora – Agnès Varda – poderemos ver Cinévardaphoto e Ydessa, les ours et etc… ou mesmo a polémica película de Julio Medem sobre o País Basco, La pelota vasca, la piel contra la piedra.

Nicolas Philibert – realizador do filme Être et Avoir, recentemente estreado nas salas de cinema nacionais e recordista de bilheteira um pouco por toda a Europa –, tem já presença confirmada para a apresentação do seu filme, La Voix de Son Maître e como responsável por uma master class. O ensaísta e crítico do diário El Pais, Casimiro Torreiro, será o anfitrião da mostra Foco sobre Espanha que trará a Lisboa algumas obras exemplificativas da evolução do documentário espanhol estreado em cinema nos últimos dez anos. Por seu lado, Marie-Pierre Duhamel Muller (directora do festival Cinéma du Réel) é a comissária da secção Como entender o Médio Oriente?, apresentando diversos filmes que reflectem a situação e o conflito israelo-árabe.

No doclisboa há ainda espaço para o documentário nacional, tanto ao nível da competição – com os filmes Olhar por dentro de Christine Reeh e No jardim do mundo de Maya Rosa – como especificamente na secção temática Para onde vai o documentário português?, onde será apresentado um conjunto de filmes seleccionados de um total de 70 candidatos.

A reflexão e a discussão terão igualmente um lugar de destaque nos debates com os realizadores, produtores e críticos de cinema que ocorrerão após a exibição dos filmes portugueses e alguns estrangeiros. A pedagogia também é uma preocupação da organização do festival que não só proporciona entradas gratuitas a grupos escolares (mediante marcação), como constituiu dois Júris formados por cinco alunos da Escola Secundária Filipa de Lencastre e cinco estudantes de universidades portuguesas.

O júri da Competição Internacional, presidido por Paulo Branco (reconhecido produtor nacional), atribuirá o Grande Prémio doclisboa / Canal Odisseia para a melhor longa-metragem documental no valor de 5.000 € e o Prémio doclisboa / Jameson para a melhor curta documental no valor de 3.000 €. Por seu turno, ao Júri das Primeiras Obras e melhor documentário português – do qual faz parte Cândida Pinto (galardoada repórter televisiva que trabalhou como enviada especial em zonas de conflito como o Iraque e o Kosovo) – cabe a tarefa de atribuir o Prémio doclisboa / Adobe no valor de 3.000 € e o Prémio doclisboa / Tóbis convertido em 3.500 € de edição vídeo. Além da recompensa monetária, aos filmes premiados será entregue um troféu e um diploma. Todos os filmes serão exibidos na sua versão original dispondo de legendas em português.



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