doclisboa’12 defende a importância dos laboratórios de cinema independente ao lado de realizadores portugueses

Num momento em que, no plano nacional, um grupo de realizadores portugueses se reúne à volta de um colectivo – Laboratório de Cinema Independente – para defender a importância da existência de um laboratório de cinema independente em Portugal, o doclisboa’12 promoverá, durante o Festival, uma mesa redonda acerca do tema. O objectivo será o de debater a pertinência destes laboratórios no contexto actual, e de abrir um debate público sobre o destino dos equipamentos laboratoriais da extinta Tobis.

Para tal, o doclisboa contará não só com a presença do colectivo do Laboratório de Cinema Independente, mas também com outros convidados nacionais e internacionais. Entre eles, estará Nicolas Rey.

Nicolas Rey é um dos fundadores do ateliê colectivo de criação cinematográfica sediado em França, L’Abominable, onde há cerca de 15 anos desenvolve o seu trabalho enquanto realizador. Foi director de fotografia do filme, produzido no contexto desse laboratório, Ami entends-tu de Nathalie Nambot, Prémio Revelação doclisboa’11. Recentemente, realizou Anders, Molussien, galardoado com o Grande Prémio Cinéma du Réel 2012 e o 3º Prémio Media City.

André Gil Mata, realizador e porta-voz do colectivo Laboratório de Cinema Independente, confirma que já existe um município interessado em acolher a iniciativa. Uma Associação Cultural está a ser constituída, como modo de garantir a viabilidade do projecto. Espera-se assim que se abra a possibilidade de as máquinas da Tobis encontrarem uma nova utilidade neste contexto. E afirma:

“(…) A prática de um cinema mais artesanal, onde os realizadores, fotógrafos ou artistas plásticos, manuseiam a película, desde a filmagem à projecção, como suporte dos seus trabalhos, sempre existiu, paralelamente à existência de laboratórios profissionais com actividade comercial. A rentabilidade dos laboratórios suportada pelo “cinema de indústria” permitiu durante alguns anos a prática de preços mais confortáveis ao cinema independente, mas, simultaneamente, afastou um pouco esses artistas da relação táctil e fundamental com o suporte fílmico, base de experimentação e da consequente evolução da linguagem cinematográfica.

Assim, a necessidade da criação de um laboratório independente de cinema em Portugal não é de hoje. Neste momento, em Portugal, estamos perante uma situação limite: não existe qualquer laboratório, estatal ou privado, em funcionamento. Tal coloca, fundamentalmente, dois problemas directos: por um lado, impossibilita a existência de sistemas de produção independentes, com estruturas financeiras mais pequenas, para cinema em película; por outro lado, impossibilita, precisamente, todo e qualquer acesso dos realizadores ao processo de manuseamento técnico dos seus filmes. Identificando aqui uma urgência, está a ser criada uma Associação Cultural que pretende propor soluções concretas para este problema: um grupo de cidadãos, artistas, realizadores, produtores, que criarão um laboratório de cinema independente em Portugal.”



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