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Donkey Kong Country: Tropical Freeze | Análise | Switch

A versão deluxe na Switch.

Mais um dia, mais um port de um jogo da Wii U para a Switch. Desta vez foi a saga de Donkey Kong a receber o tratamento deluxe , e traz consigo um novo modo de jogo funky. Infelizmente não podemos jogar com os membros dos Earth, Wind and Fire, mas sim com o (especula-se) irmão do protagonista, Funky Kong, que torna a experiência mais uniforme e acolhedora a novos jogadores. O resto permanece intacto: excelente level design, com uma parafernália de paisagens selvagens que transformam os níveis em autênticas montanhas-russas. Está lá tudo, tanto o que faz deste jogo um espectáculo viciante de plataformas, bem como os seus defeitos, alguns dos quais podiam ter sido corrigidos, em vez de atenuados, neste relançamento.

Antes de soprar a vela do seu bolo de aniversário, Donkey Kong e a sua família são invadidos por animais naturais de regiões gélidas. Estes ameaçam transformar o habitat natural dos primatas numa tundra gelada – talvez o grande vilão não sejam os pinguins, mas sim o aquecimento global que lhes rouba espaço habitável. De qualquer maneira, é uma premissa satisfatória para nos pôr perante as várias ilhas tropicais que estão em perigo de sofrerem uma idade do gelo. A diversidade entre cada ilha é refrescante e os gráficos melhorados deslumbram com a sua fluidez, enaltecendo o detalhe das animações de objectos, inimigos e protagonistas. Porém, a melhor característica do jogo são os níveis. Cada um apresenta mecânicas que se vão fundindo de maneiras criativas e espectaculares. Os desafios são gradualmente mais difíceis, mas justos, alcançando um balanço saudável entre “fácil, mas estimulante” e “irritante, mas exequível”. Contudo, são capazes de perder uns balões vermelhos – contadores das vidas – até apanharem o jeito e entrarem na onda do jogo. Felizmente, são maioritariamente boas ondas, e, à medida que ficamos mais confortáveis, a experiência flui como a prancha do McNamara na Nazaré.

No entanto, como mencionei, a jogabilidade não é imediatamente perceptível, pois alguns movimentos são estranhos ao início. Criar balanço com a técnica de rebolar (correr e atacar ao mesmo tempo) não é intuitivo por causa da curta distância que se percorre. Além disso, mudar subitamente de direcção abranda a nossa personagem o que nos engana em alguns saltos que pensávamos estar memorizados. Para facilitar a experiência, Donkey Kong pode recrutar, individualmente, 3 membros da sua família que lhe dão mais opções de movimento, uma boa maneira de oferecer formas variadas de abordar os desafios. Ainda assim, há um defeito que deveria ter sido corrigido no relançamento. Ora, um jogo de plataformas com um número reduzido de vidas (2, na dificuldade normal e 4 se recrutarmos outro Kong) significa que só podemos cometer 2 erros sob pena de voltarmos ao último checkpoint. O problema surge quando os checkpoints estão longe uns dos outros e há vários caminhos e tesouros escondidos que não conseguimos apanhar à primeira. Não há uma opção no menu para recomeçar a sequência. Temos de perder propositadamente. E se, acidentalmente, passarmos ao checkpoint seguinte, temos de sair e voltar a entrar no nível, passando por dois loading screens. Isto cria algum conflito com outras qualidades do jogo, pois é só graças aos caminhos alternativos que podemos desbloquear outros níveis fantásticos.

Quando nos sentimos à vontade com a jogabilidade, percebemos o quão bem desenhados estão os níveis e os bosses – alguns verdadeiramente desafiantes

Felizmente, temos o novo modo funky que atenua os defeitos do jogo. Este pode ser escolhido no início da aventura e muitos o verão como um easy mode. Pessoalmente, vejo-o como um modo complementar que funciona melhor com as mecânicas do jogo, especialmente se escolhermos o Funky Kong. Com ele temos 5 vidas, um número mais razoável de oportunidades perante o intervalo dos checkpoints, e podemos percorrer uma distância mais longa com a técnica de rebolar. Para além disso, temos quase todas as capacidades dos outros Kongs sempre ao nosso dispor, o que faz com que a jogabilidade seja mais coesa. Ou seja, jogar com o Funky Kong permite-nos desfrutar o jogo de uma maneira mais descontraída. Com isto não quero dizer que o desafio do modo normal não seja aliciante, mas, com as características negativas que apontei, não me pareceu indicado para aprender e apreciar o jogo se o jogador não estiver habituado.

Quando nos sentimos à vontade com a jogabilidade, percebemos o quão bem desenhados estão os níveis e os bosses – alguns verdadeiramente desafiantes. No entanto, a minha crítica principal concentra-se na falta de opções que temos para voltar a tentar um desafio. Encontrar todos os “coleccionáveis” torna-se frustrante quando temos poucas vidas, ou não temos o Kong correto, ou, pior, nos apercebemos que estavam noutro caminho antes do checkpoint. Para tornar a experiência mais cativante bastava haver uma maneira para voltar ao início, ou para repetir os mini-jogos escondidos em cada nível. Para além disso, não há nada de novo neste relançamento que torne o modo multi-jogador especial – todos os níveis foram claramente feitos com um jogador em mente. Resumindo, Donkey Kong Country: Tropical Freeze tem uma boa quantidade e qualidade de conteúdo. Trata-se de um platformer exemplar no seu design de níveis, e o novo funky mode é bem sucedido ao oferecer uma abordagem nova e ao tornar a jogabilidade mais coesa. Mas, como relançamento, sinto que deveria ter levado mais ajustes.



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