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Dou-lhe com a alma

“Setúbal tem alma musical – um retrato sobre a música underground em Setúbal"

Peguem na vossa agenda e anotem o dia 26 de Outubro com um marcador bem catita, não tendo medo de abusar da fluorescência. É nesta data que o bar La Bohéme, em Setúbal, exibe em estreia nacional o documentário “Setúbal tem alma musical – um retrato sobre a música underground em Setúbal”, sonhado, pensado e realizado por João Miguel Fernandes, com quem estivemos à conversa num recente fim de tarde.

Terra conhecida pela sua laranja de primeira água, pelo néctar dourado a que por convenção se passou a chamar de moscatel e por uma iguaria que faz com que muitos amantes da gastronomia se desloquem às margens do Sado – o choco frito –, será que Setúbal irá dentro em breve passar a figurar nos panfletos turísticos como a capital nacional da música underground? E, afinal, o que é essa coisa do underground? “Por underground em Portugal eu entendo um estilo de cultura que não faz parte das massas, ou seja, algo que não aparece muito nas televisões, que não é notícia nos grandes jornais, que não leva milhares de pessoas atrás – algo que faz parte de um estilo de cultura suburbano”.

Como se lembrou João Miguel Fernandes de revelar a alma musical setubalense? “Eu sempre gostei de vídeo, de audiovisuais. Mas investir numa máquina boa é caro, até que um dos meus melhores amigos comprou uma. Também coincidiu com uma altura em que li uma crítica a um concerto que custava três euros e onde se lia que o bilhete era caro. Isto para ver cinco bandas tocar. As pessoas não têm bem a noção daquilo que uma banda trabalha para dar um concerto. Devem pensar que é só fazer meia dúzia de ensaios, chegar lá no dia e tocar, e é tudo muito divertido. Então pensei, porque é que eu não peço a máquina emprestada e faço um documentário que mostre que ter uma banda é uma coisa complicada”?

Falamos portanto de altruísmo, de um espírito de super-herói inspirado no colectivo dos Vingadores para reparar uma ideia pré-concebida de que isto de ter uma banda é só boa vida: “Sinto uma grande injustiça para com as bandas, talvez pelo facto de trabalhar com elas de perto. Ter um grupo a sério implica deixar de tempo para os amigos, para as namoradas, para a família, para o trabalho, para a escola; significa, se calhar, sair às 8 da noite do trabalho e estar a ensaiar às 9 ou às 10; significa não sair no fim-de-semana para ir ensaiar”.

Não há estatísticas que o comprovem cientificamente, mas correm muitos rumores de que Setúbal será a cidade do país que apresenta o índice mais elevado de bandas por metro quadrado. Com estes dados, como foi o processo de escolher apenas quatro delas? “Cada banda foi escolhida por uma razão diferente. Os Blame the Skies porque são aquela que conheço de mais perto e há mais tempo; os The Doups porque têm já um grande impacto em Setúbal, razão porque são a banda com mais destaque no documentário; os Hills Have Eyes porque têm um grande peso no metal; e os Lydia´s Sleep porque estão a começar agora. São uma banda recente, com menos experiência, mas que estão a gerar algum hype”.

Se lhe apontassem uma arma e tivesse que escolher um adjectivo ou retratar cada uma das bandas com pouca conversa, João Miguel Fernandes responderia assim: “Os Blame the Skies são a verdadeira alma musical; aos Lydia´s Sleep estarão sempre ligados a muita criatividade; nos Hills Have Eyes destaco a perseverança, o orgulho em como se têm aguentado durante todos estes anos; os The Doups porque são muito fiéis ao seu estilo musical, e porque continuam iguais ao que sempre foram”.

Voltemos ao princípio. Peguem na vossa agenda e anotem o dia 26 de Outubro com um marcador bem catita, não tendo medo de abusar da fluorescência. É nesta data que o bar La Bohéme, em Setúbal, exibe em estreia nacional o documentário “Setúbal tem alma musical – um retrato sobre a música underground em Setúbal”, sonhado, pensado e realizado por João Miguel Fernandes, com quem estivemos à conversa num recente fim de tarde.



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