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Dragon Ball: Fusions | Análise

"FUUUUUSÃO YAAAH!!!"

 Dragon Ball: Fusions já chegou às lojas! Uma vez mais, o universo de Son Goku e dos seus amigos está de regresso à família de portáteis da Nintendo e também ao formato RPG, algo há muito pedido pelos fãs, só que com uma aventura, algo… peculiar mas que agradavelmente foge à norma imposta pelos mais recentes títulos inspirados na série. Em vez de uma vez mais replicarmos os eventos emblemáticos da série, em Dragon Ball: Fusions vamos fazer parte do maior torneio de artes marciais alguma vez organizado! Contrariamente ao que se está agora a passar no Dragon Ball Super, o responsável por este torneio não é Son Goku mas sim o protagonista deste Fusions (criado por nós) e o seu amigo e rival, graças a um pequeno erro de cálculo ao utilizarem as bolas de cristal. Acontece que, ao pedirem a Shenron que organizasse um torneio onde pudessem decidir de uma vez por todas quem era o mais forte, o “simpático” dragão resolveu elevar a fasquia e estendeu o convite a todas as personagens do universo de Dragon Ball. O resultado foi a criação de uma dimensão alternativa onde as mais diversas linhas temporais se cruzam – seja do Dragon Ball original, Z, Super e até GT que cada vez tem ficado mais de parte – e onde os mais variados heróis e vilões irão unir esforços ou combater entre si naquele que será seguramente um torneio sem precedentes.

A participação neste torneio impõe ainda que tal seja feito em equipas de 5 e felizmente que não tardei a dar de caras com os membros iniciais da minha: Son Goten e o seu melhor amigo Trunks, Son Goku ainda criança e Pan, a filha de Son Gohan e Videl. Reunida a minha equipa, pude então começar a minha aventura rumo ao local onde se iria realizar o torneio. Este é claramente um jogo para fãs, tanto que, mais do que uma história; o que realmente me apelou foi a interacção entre as várias personagens que de outra forma não seria possível. Momentos como a Pan a discutir com o pequeno Trunks perguntando-lhe o que é que ele no futuro terá feito aos dois vilões à nossa frente que claramente lhe têm um ódio enorme ou a reacção de Bardock ao dar de caras com o seu filho em criança – como fã que sou – deixaram-me sempre de sorriso no rosto. Já para quem não é fã da série, talvez seja mais difícil apreciar o jogo no seu todo, sobretudo se a isso aliarmos aspecto visual que faz com que as personagens surjam com um aspecto Chibi, de modo a parodiar ainda mais esta “história.”

Confesso que, ao não ser de todo fã desta apresentação de personagens, pensei que o grafismo me fosse fazer mais confusão. Mas talvez pelo facto de na minha equipa ter de facto crianças, depressa me habituei. Isso e também pelo facto de, no que toca ao combate, Dragon Ball: Fusions se ter mostrado bem mais aliciante em termos visuais. Repleto de sequências de golpes dinâmicas e bem animadas e ataques especiais devastadores, alguns até nos dão direito a uma espécie de mini jogo vertiginoso onde teremos de martelar alguns botões para provocar ainda mais dano no adversário. O combate é de facto o ponto alto deste jogo e na maioria das vezes coloca a nossa equipa em arenas circulares. Aprender a posicionar os membros da nossa equipa é crucial para alcançar a vitória. Com a barra de acções a surgir no fundo do ecrã, é fácil saber a ordem dos atacantes e há que saber quando investir, ou encher um pouco mais as nossas reservas de energia, se houver tempo para isso. Ao atacarmos, projetamos o adversário em questão numa determinada direcção. Se for com um ataque de longa distância, este será projetado para trás. No entanto, se for com um ataque melee podemos escolher a direcção em que o projetamos. Se o empurrarmos para fora da arena, a sua posição na barra de acção irá transitar para a última posição mas se o projetarmos na direcção dos nossos companheiros estes irão atacá-lo provocando pontos de dano extra.

Com o desenrolar do combate há ainda outra barra que se enche no canto superior do ecrã. Gastem-na e podem desencadear, por exemplo, uma transformação que funde as vossas cinco personagens numa só, durante uns breves instantes e uma vez mais, como se de um mini jogo se tratasse, podem desencadear enormes pontos de dano num só adversário ou mesmo em toda a equipa adversária. Parece um sistema complexo e até acaba por ser mas a verdade é que está muito bem explicado e é super-intuitivo. Só que o número de membros por equipa implica que estes confrontos sejam algo demorados, sobretudo face a adversários mais fortes do que nós, podendo resultar num atraso indesejado do nosso progresso para outra área.

Na verdade para alcançarmos a zona do torneio precisamos de atravessar outras quatro áreas distintas. Para passar de uma para a outra, além de precisarmos de completar o evento principal da história a que lhe diz respeito, é preciso que tenhamos recolhido um determinado número de cinco tipos de energia, concernentes a cada raça disponível no jogo. Para o fazer, precisamos de recrutar várias das personagens contra quem lutamos para a nossa equipa. Como? Derrotando-as por meio de uma sequência de ataque especial chamada de Zenkai Attack e que, tal como a fusão dos cinco membros a nossa equipa, também consome a tal barra de energia em cima mencionada. Se falharmos, lá teremos de a encher de novo, para tentar outra vez.

Infelizmente esta mecânica mascara alguma da longevidade do jogo e acaba por também comprometer a fluidez da sua experiência. Até porque é também com ela que desbloqueamos algumas áreas especiais no mapa onde estamos, e que podemos comprar algumas peças de roupa para o nosso protagonista (felizmente que são apenas de cariz estético). Levou algum tempo até que conseguisse contornar a mecânica de recrutamento e recolha de energia mas ainda bem que o consegui, porque com isso consegui apreciar os outros aspectos que, esses sim, me fizeram voltar para mais horas com Dragon Ball: Fusions. Um deles é o facto de que, paralelas à história principal, existem outras missões que quando completadas nos podem atribuir novos aliados para a nossa equipa, aliados esses que são oriundos da história original de Dragon Ball como por exemplo Tenshin Han e Chaoz. Essas missões levam a ainda mais interacções com as mais variadas personagens deste universo tão especial para os fãs. Algo que se traduz em momentos de boa disposição mas há ainda mais um aspecto que tenho de mencionar e que diz respeito às Fusões.

Se leram com atenção já perceberam que é possível fundir os cinco membros da nossa equipa, sejam eles quais forem, numa só personagem – durante breves instantes, recordo – mas o mesmo pode ser concretizado fora de combate, com duas personagens à nossa escolha por um período ilimitado. Graças ao engenho de Bulma, mais para a frente na história seremos presenteados com uns anéis muito especiais que funcionam como os Potara, os brincos que Goku e Vegeta utilizaram por exemplo para se fundirem e dar origem a Vegito. Tal como o efeito destes brincos, a custo de alguma energia, também os anéis conferem um efeito ilimitado que pode ser revertido quando quisermos. Existem cerca de 700 fusões disponíveis e dão origem a personagens nunca antes vistas. O que será que acontece quando fundirmos o Son Goku em criança com Krillin? Mais do que tudo, foi essa pergunta – a do: “o que será que acontece se fundir X com Y” – que me fez voltar para mais e mais horas de jogo. Criar a nossa equipa de sonho nunca foi tão fácil e nada como levá-la para o ringue do torneio da história ou até mesmo contra outros jogadores online para a pôr à prova.

Dragon Ball: Fusions oferece aos jogadores o regresso, tão pedido pelos fãs, da série ao género RPG e não se poupa a esforços para agradar, aliando (ou porque não “fundindo!”) uma história interessante, sempre com boa disposição à mistura, a um sistema de combate aliciante que é sem dúvida o ponto alto deste jogo. O seu único ponto fraco prende-se com o processo de recolha de energia que, de alguma forma, compromete a fluidez da experiência. Mas ainda assim, contornado esse aspecto, Dragon Ball: Fusions tem várias horas de diversão à tua espera. Se estás à procura de uma aventura original que possas levar contigo para onde quiseres, não precisas de procurar mais!



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