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Drawn to Death | Análise

Uma experiência original e irreverente que deve ser doseada

Desde quarta-feira passada que já está em vigor o novo leque de jogos gratuitos para os subscritores do serviço PlayStation Plus. Para a PS3, foram escolhidos os títulos Invizimals: O reino perdido e Alien Rage. Já para a Vita, os jogadores puderam contar com 10 Second Ninja X e Curses N’ Chaos, ambos desfrutando do sistema de cross-buy com a PS4. E por falar na PlayStation 4, para a actual consola da Sony, os títulos deste mês são Lovers in a Dangerous Space Time e Drawn to Death, o jogo sobre o qual vos venho falar hoje. Trata-se de um Shooter multijogador, muito peculiar (diga-se) mas que, com a sua originalidade, convida os jogadores a experimentar uma nova abordagem ao género. Só que o grafismo e irreverência de que se faz acompanhar, sugerem que este não será um jogo para todos. Será que foi para nós?

Num determinado momento da vossa vida escolar, certamente que deram por vocês numa “daquelas aulas” em que estavam completamente absortos, não pelo que o vosso professor ou professora vos estava a (tentar) ensinar mas sim pelos rabiscos que meticulosamente desenhavam no vosso caderno ou livros. Dirigido por David Jaffe – director de franchises como God of War e Twisted Metal – em Drawn to Death, a imaginação de um aluno desatento voa e os seus desenhos ganham vida. Este exclusivo da PS4 convida-nos, então, a fazer parte do consequente caos (ou será antes da total javardice?) que se irá instalar na nossa sala-de-estar.

Drawn to Death é um daqueles jogos que, das duas uma, ou se gosta ou não. Quanto a mim, confesso que não sou o maior apreciador do humor que recorre à flatulência ou que incessantemente faz alusões à genitália do ser humano. Drawn to Death faz isso vezes sem conta, mas ainda assim há qualquer coisa que me fez apreciar o tempo que passei a jogá-lo. O grafismo sem dúvida que ajudou, os cenários são todos eles ricos e variados em detalhe, sempre como se de o caderno de um aluno se tratasse, o que confere ao jogo uma identidade muito própria e achei divertida a forma com a qual nos podemos “meter” com outros jogadores, mediante imagens e gifs. Além disso a fluidez com que toda a acção decorre é notável. E se ela é frenética.

Intercalada entre vários modos de jogo que fazem alusão ao que tradicionalmente podemos encontrar nos demais títulos do género, o que mais me surpreendeu em Drawn to Death e o que realmente me fez voltar para mais foi a sua jogabilidade. À primeira vista este é um jogo que parece não ter muito para oferecer mas aqueles que conseguirem contornar a vibe, algo “brega” para alguns, vão encontrar um grau de profundidade invejável. O leque de armas é todo ele variado e estende-se desde a mais simples metralhadora, a uma poderosa arma laser, passando ainda por um tipo que colado ao nosso ombro lança bolas contra os nossos adversários como se estivesse a jogar ao “mata”, uma consola Super Nintendo que dispara cartuchos do Chrono Trigger, ou um cadáver num caixão que podemos plantar no cenário e que provoca uma enorme onda de pontos de dano – mas que, como contrapartida, só poderá ser utilizada novamente quando desenterrarmos outro corpo para colocar no caixão – e por aí fora.

Se a isto aliarmos 6 personagens, cada uma com um leque de habilidades específicas, Drawn to Death depressa ganha contornos tácticos que à primeira vista não evidencia com o seu sentido de humor. Por defeito, Johnny Savage será o primeiro personagem que iremos conhecer mas não deixem de dar oportunidade ao militar Bronco, Cyborgula ou o malfadado Alan, por exemplo. Há toda uma estratégia que deve ser considerada e que passa, por exemplo, pelo armamento que escolherem levar equipado e o que preferem encontrar disperso pelos cenários para que se possam adaptar às mais variadas situações.

À medida que os combates decorrem, o comentador vai falando sobre a vossa prestação, fazendo questão de vos animar quando estão a ganhar e de vos mandar ainda mais para baixo quando estiverem a perder. Tudo em prol de uns bons momentos de diversão mas, no entanto, apesar de tudo isto, este é um jogo que para mim deve ser doseado. Com isto, quero dizer que deve ser jogado aos poucos, talvez até entre outros jogos, numa espécie de “vamos lá dar uns tirinhos” e nunca durante muitas horas a fio.

Isto porque, se torna inevitável que queiramos levar a nossa experiência mais a sério, ou não houvesse disponível um modo Ranked. Claro que este é um modo indispensável para os mais competitivos mas não deixa de ser algo que considero contra-producente, tendo em conta a premissa originalmente descontraída do jogo. Aqui, a vitória é mais importante mas é também aí que problemas como o “balanço” entre algumas personagens mais se faz notar bem como, por exemplo, o facto de levar imenso tempo até que consigamos matar um adversário. Isto leva a que tanto a viabilidade do equipamento escolhido como da nossa personagem tenha de ser levada em conta, em detrimento do quão divertido são de usar.

A experiência de Drawn to Death vê-se ainda comprometida por componentes que replicam as que encontramos noutros jogos Free to Play, mascarando a sua longevidade e que certamente irão afastar alguns jogadores. Falo por exemplo de caixas de loot, muito à semelhança das que encontramos por exemplo em Overwatch, que incluem fatos para as nossas personagens e novas formas de interagirmos com a comunidade. Para que o jogo nos ofereça uma, temos de conseguir 150 kills, tudo bem que estes são apenas itens de cariz estético e podemos comprar caixas com dinheiro real, mas ainda assim, deviam ser precisas menos kills para que o jogo nos oferecesse uma caixa. À semelhança com tudo isto, surgem ainda umas chaves especiais que nos dão acesso a outras armas. Ao todo será preciso reunirmos 10 e o caminho para lá chegar é igualmente penoso, isto claro se quisermos evitar uma vez mais gastar dinheiro real.

Num ponto de vista geral, longe de replicar o sucesso de Rocket League quando este ficou disponível pelo PlayStation Plus, Drawn to Death é um bom jogo para alguns momentos de distracção. A variedade de personagens, bem como do equipamento que tem para oferecer, confere ao jogo uma divertida variedade de abordagens e isto tanto aos cenários como aos nossos adversários que tudo farão para nos derrubar. Os seus problemas tornam-se mais evidentes quando damos por componentes algo indesejadas que replicam o que vemos noutros jogos Free to Play e também quanto se tenta levar mais a sério, indo contra a premissa original do jogo. Ainda assim, para os subscritores do serviço PlayStation Plus, este é um jogo que não vos deve passar ao lado, caso estejam à procura de uma experiência original mas que possa, sobretudo, ser partilhada com amigos!



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