Drinks

DRINKS @ ZDB (11.04.2017)

Ainda antes de chegarmos à ZdB, já ouvimos um ruído de fundo. Estão em palco os três rapazes acompanhantes dos DRINKS que já vão brincando com os pedais. Tal como tinha sido anunciado umas horas antes, formam os SNACKS, uma associação visual e musical à própria banda que iria tocar a seguir. Ainda não tocou a sineta para recolherem à sala de aula, por isso eles vão mantendo a conversa com os seus brinquedos. Uns teclados. Uns pedais de delay, de reverb, de tudo e mais alguma coisa. Uma guitarra. Um violino. Umas cervejas que vão refrescando a sala quente do Bairro Alto. Nota-se que estão bem ali no recreio, e o público vai apreciando os seus devaneios, os seus universos de ruído, de electrónica, de texturas de sons.  O público vai também aproveitando para dar uma volta, e enquanto não chega a hora da lição. Encontram-se também ali para assistir ao concerto os Woods, que dois dias antes tinham dado um belo espetáculo no Musicbox, e que iriam parar uns dias pela cidade de Lisboa para tirar umas férias o que significa que, se eles tiram tempo das suas férias para estar ali, é porque vai ser uma boa noite, com certeza.

E eis que, 45mins após a hora marcada, o grupinho de amigos recolhe aos bastidores para voltar a palco uns minutos depois, desta vez acompanhados da cantautora galesa Cate Le Bon e de Tim Presley, cabecilha dos lo-fi White Fence. Ambos fundaram os DRINKS e lançaram um álbum em 2015, “Hermits On Holiday”. Começam com a própria abertura do álbum, «Laying Down Rock». Uma malha com uma linha de guitarra que podia facilmente encaixar-se num álbum dos Guided By Voices ou The Strokes. E é à medida que o concerto vai decorrendo que em cada música tocada vamos fazendo o exercício de nos lembramos de meia dúzia de bandas que a poderiam ter escrito. Houve Velvet Underground, The Cars, Captain Beefheart e visitaram também o ruído do Sonic Youth ou a melancolia dos Yo La Tengo. Enquanto o baixista da banda ia alternando entre ocupar o espaço entre Cate e Presley ou ficar-se pelo fim do palco, e mantinha linhas de baixo que, com as melodias vindas do folk, ligavam as guitarras dos membros fundadores, que muitas vezes soavam desencontradas, e que ali conseguiam enfatizar as vozes de Cate, que mantinha uma presença hipnotizante a mostrar-nos uma voz que nos faria lembrar Nico ou Angel Olsen, e Presley, que de tantas progressões e composições inesperadas, fazia mesmo com que estas se alojassem nas nossas cabeças.

Foi uma noite de rock na Zé dos Bois, foi noite de flutuarmos e levitarmos com influências solarengas. Mas, acima de tudo, foi noite de DIY, o que sendo cada vez mais raro encontrar-se por aí, torna-se também mais especial quando o vemos. E assim o foi.



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