Drunk Robots

Drunk Robots

Entrevista com Drunk Robots, um projecto nacional de ambiências electrónicas experimentais, bem underground, mas que tem tido eco fora de portas

Apesar de recente – o projecto iniciou-se em 2011 – já apresenta três álbuns; “We should do an EP” (Fevereiro), “We are the Drunk Robots” (Março) e o mais recente “Drones & Bones” (Junho) todos de 2012, mostram a urgência que este projecto tem em lançar material novo. De nos embriagar com sonoridades electrónicas e balancear-nos para cenas de filme perfeitas para cada música. Sons próprios que se encaixam em terror, suspense ou cenas mais high-tec, faz com que seja difícil sacar uma definição standard do tipo de som que ouvimos, e daí a originalidade e carisma deste projecto.

A quase repetição de sons faz com que se acompanhe Drunk Robots, bêbedos ou não, para locais mais noctívagos, mas não lucífugos – também se ouve bem durante o dia, mas quando o ouvimos ficamos com a sensação que fazem mais sentido no calor da noite, ou no frio da madrugada (pouco relevante).

Iniciado em Novembro de 2011, no seio da capital Algarvia, o projecto não apresenta nomes próprios, mas sabemos que por detrás bate um coração a solo, e foi com ele que trocámos mensagens, o “não-robot” que cria e produz este projecto. Um ser que prefere “fazer coisas emotivas”, sem esse lado humano, as coisas não fazem sentido, mas que não dá um nome, uma identidade. Curiosamente foi devido a esse lado humano que tudo começou; depois de se ter oferecido para criar um tema original para uma animação de um amigo, percebeu que havia demasiado material e facilidades para não se mostrar musicalmente ao Mundo.


O mentor não se revê na pele de músico. Apesar de já ter tido bandas de metal, hoje dedica-se ao “DAW (digital audio workstations) e algum (pouco) som captado, mas tudo processado, mastigado e revisto no computador”. Não segue regras, segue o instinto, o ritmo ou o riff que se prendeu na cabeça, o lado mais humano da arte reforça. Revê-se assim como compositor/produtor que, depois de ter o “esqueleto, é tudo limpo, revisto – o processo normal”, diz, seguindo-se as reviravoltas da produção em que uma “ideia que nasceu na acústica pode ir parar a um “moog” ou o inverso e todo um vice-versa”, tornando essa parte muito lúdica.

A velocidade de criação é no entanto facilmente explicada; em dois meses já havia material suficiente para ficar escondido. Na realidade, o LP foi o primeiro a ser dado como terminado, mas a vontade de testar as funcionalidades do mundo cibernético de distribuição musical fez com que o “We Should Make a EP” saísse primeiro. São “picos criativos”, como lhe chama, que também “acontecem com outras coisas (como a pintura, por exemplo). Há um flash de ideias e depois passam-se um ou dois meses sem nada novo”. E assim, diz, que as próximas edições deverão ser apenas para Janeiro ou Fevereiro de 2013.

Um projecto a solo, sem labels e sem lamúrias; o “criador/produtor” não lamenta profundamente não ter uma label, assume-se como control-freak, e sabe que muitas vezes as editoras não respeitam os timings, a “não-existência em palco”. No entanto, gostava de ter mais exposição caso houvesse perfeita sintonia com a postura apresentada e lamenta “não ter meios de por exemplo fazer uma edição física mais luxuosa (…)”.

Parámos quando falou na “não-existência em palco”. Afirma que nem tudo gira em torno de um concerto… Mas a essência de um projecto musical não é esse – mostrar frente a um público as suas criações? Sim, mas quando estiver pronto para isso. A sua (ainda) não aparição em palco/público foi explicada pela vontade de amadurecer técnicas para mostrar algo realmente feito na hora, sem ser “carregar no play e fingir que mexe em botões”. Mas existe uma ideia, um conceito que gostava de concretizar, e imagina um concerto de Drunk Robots com uma roupagem “humana, de preferência com mais pessoas a interagir em palco”, elementos reais com distorções. E isso implica muita experimentação, a tentativa e erro que dá gozo, mas leva tempo. Será o mesmo tempo que levará a fazer aquilo que chama de “canções” e juntar uma voz à música que cria, conforme o próprio deseja?

O Drunk Robot responde-se: “uma coisa de cada vez, por agora é isto”.

No entanto ficamos à espera de mais. Criatividade não falta a este ser humano iluminado pela originalidade, tanto musical como gráfica (toda a imagem do projecto é também desenvolvido pelo próprio que não quer dizer o nome). Vale a pena ficar a tento às novidades e, até que elas surjam, ficamos com temas que facilmente caem no repeat como «Be carefull with those humans», «We had a nightmare on bits» ou «Drones & Bones 2». Deliciem-se com o experimental underground!



Também poderás gostar


There are no comments

Add yours

Pin It on Pinterest

Share This