“Dunkirk” e “A Hora Mais Negra”

“Dunkirk” de Christopher Nolan e “A Hora Mais Negra” de Joe Wright

Dois realizadores e uma praia.

O cerco e evacuação da cidade francesa Dunkirk em 1940, durante a II Guerra Mundial, é o elo de ligação das histórias de “Dunkirk” de Christopher Nolan e “A Hora Mais Negra” de Joe Wright .

Nolan centra a sua narrativa no mar, na praia e nos céus de Dunkirk. Wright leva-nos para as decisões no Gabinete de Guerra de Churchill. Duas visões, executadas com mestria, complementares em narrativa e sentimento.

Estreado em Julho passado, Nolan realiza e escreve a história da retirada de soldados ingleses, franceses e belgas cercados pelas tropas alemãs. Desespero e instinto de sobrevivência dominam os espíritos dos homens que na praia de Dunkirk procuram formas para escapar à morte. Bravura e patriotismo dos britânicos que responderam ao apelo de Churchill e atravessaram nos seus barcos de recreio o Canal da Mancha para resgatar o maior número de pessoas. Nolan oferece-nos grandes planos da praia cheia de militares em filas, esperando, vulneráveis, sobre uma chuva de bombas e balas e Hans Zimmer escolheu a banda sonora certa para sublinhar a tensão e o terror. Destaca-se a prestação emotiva de Mark Rylance, como Mr. Dawson, dono de um barco que decide atravessar o mar, em direcção à guerra.

Estreado no passado dia 18, “A Hora Mais Negra”, leva-nos para o dia 9 de Maio de 1940, quando Winston Churchill é convidado para ser Primeiro Ministro e recebe um país que está em risco de perder todos os seus militares nas praias de Dunkirk. Joe Wright, que já estinha estado a atrás da câmara em “Expiação” de 2007, volta ao cenário de guerra com o argumento de Anthony McCarten (argumentista de “A Teoria de Tudo” de 2014) e juntos constroem o cenário em que Gary Oldman entrega ao público uma das melhores prestações da sua carreira encarnando Churchil, aos 65 anos, no auge da sua vida política. Charutos, álcool e poucas horas de sono alimentam a determinação deste homem que desempenhou um papel determinante no desfecho da II Guerra Mundial. A caracterização ajuda Oldman a parecer Churchil, mas é a verdade no seu trabalho de actor que faz estremecer a plateia.

Ambos filmes têm tido bons resultados no número de nomeações e nos prémios ganhos. “Dunkirk” conta com oito nomeações para os Óscares, destacando-se a nomeação para Melhor Filme e para Melhor Realizador. Também recebeu nomeações nos Globos de Ouro, Prémios SAG Awards e Prémios BAFTA. “A Hora Mais Negra” já deu dois prémios de Melhor Actor a Gary Oldman nos Globos de Ouro e nos Prémios SAG. Está nomeado para seis Óscars entre a nomeação para Melhor Filme e Melhor Actor.

 

Ilustração de Joana Fernandes



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This