Dutch Uncles

Dutch Uncles

“Eles são conhecidos pelo seu uso atípico de métricas no contexto da música pop”

Por vezes é uma carga de trabalhos pôr por palavras aquilo que nos vai na cabeça (ou na alma, se preferirem). Umas vezes é o tempo que escasseia, outras vezes são as palavras que cá dentro soam perfeitas e, quando vêm cá para fora, deixam de o ser, muitas vezes sem que se consiga perceber bem porquê. É frustrante. Torna-se um desafio, um objectivo a superar. Escrevemos e reescrevemos, parágrafo após parágrafo, até atingir a forma perfeita. É uma luta. É que, como uma carreira musical, um texto deve ser escrito de forma ponderada, com pés e cabeça.

Eis então que surge a minha janela de oportunidade para meter os Dutch Uncles ao barulho. Estes quatro rapazes da zona de Manchester – de Marple para ser mais exacto – têm pautado a sua carreira pela ponderação, sem precipitações e sempre num crescendo bem sustentado. Ao todo são cinco os Dutch Uncles. Nas guitarras estão Pete Broadhead e Daniel Spedding. A ocupar-se da bateria está Andy Proudfoot. Já o baixo é responsabilidade de Robin Richards. Duncan Wallis ocupa-se da voz e dos teclados, peça fulcral nas canções dos Dutch Uncles. Mas não se pense que as canções dos Dutch Uncles encerram em si algum segredo ou alguma fórmula revolucionária. Não, nada disso. São simplesmente canções pop, boas canções pop. E olhem que isso é algo cada vez mais raro nos tempos que correm, em que adjectivos como quantidade, rapidez e imediatez parecem ter mais importância que outros como qualidade, sinceridade ou intensidade.

Para escrever textos como este, torna-se inevitável alguma pesquisa prévia e, no pouco que os Dutch Uncles têm escrito sobre si pela WWW, houve uma frase que me chamou a atenção e que, uma vez traduzida, dizia algo como “Eles são conhecidos pelo seu uso atípico de métricas no contexto da música pop”. Mas o que quer isto dizer concretamente? Confesso que o meu conhecimento musical é o de apreciador, fã e entusiasta, e não de entendido. Não sei ler uma pauta musical mas o ouvido sabe efectivamente ouvir, ou pelo menos tenta. Por isso senti a necessidade de investigar um pouco mais. A métrica diz então respeito a uma notação musical utilizada no Ocidente, ou seja, aqui para os nossos lados, para especificar o número de batidas em cada medida e qual o valor de uma nota musical que equivale a uma batida. Entenderam, ou deu pelo menos para ficar com uma ideia? Se o que acabei de escrever não fez qualquer tipo de sentido, sugiro que experimentem ouvir algumas canções destes rapazes. Acho que vão perceber. É que as canções parecem ter todas elas um ritmo desconcertante. Ao utilizar a palavra desconcertante não quero dizer que as canções têm um ritmo frenético ou rápido. Parece que cada batida surge um pouco fora de tempo e é evidente que tal é feito propositadamente. Mesmo que continue sem fazer qualquer tipo de sentido, não darão o tempo como perdido.

Já com três álbuns na bagagem, foi com o último, “Out of Touch in the Wild”, que a banda viu o seu trabalho reconhecido um pouco por todo o mundo. Segundo Duncan Wallis, o álbum aborda “temáticas vagamente relacionadas com vícios e amizades” mas, de entre todas as dez canções que dão corpo a “Out of Touch in the Wild”, há uma que sobressai mais do que qualquer outra. «Flexxin». É uma excelente canção, descrita como um “exercício na escrita de personagens a contar histórias de indescrições sexuais” e que faz com que, quase por si só, valha a pena escutar os Dutch Uncles.



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