E viveram felizes para sempre…? Au bout du conte

“E viveram felizes para sempre…?”

A nova comédia de Agnès Jaoui

Agnès Jaoui, muito conhecida em Portugal pelo imenso sucesso de Le goût des autres / O gosto dos outros, é a madrinha da 14ª edição da Festa do Cinema Francês, e esteve em Lisboa na estreia de Au bout du conte / E viveram felizes para sempre…?. Sem dúvida uma personagem incontornável do panorama actual da cultura francesa, a qual tivemos o prazer de conhecer no dia da estreia da sua nova comédia.

Fotografia da Agnès de Catarina Sanches

O filme, que continua a percorrer o país com a Festa do Cinema Francês, agora pode também ser visto no circuito comercial. Conforme o nome indica, trata-se de um claro paralelismo com os contos de fadas que povoam a nossa imaginação. Uma história escrita a duas mãos com Jean-Pierre Bacri, na qual ambos são também protagonistas.

Conta-nos a história da princesa Laura (Agathe Bonitzer), uma jovem de 24 anos que mais não é do que a típica menina dos contos de fadas, que vive na esperança de encontrar o seu príncipe encantado. Como em todos estes contos, os príncipes e as princesas são obrigados a ultrapassar determinadas barreiras para ficarem juntos e, nesta que é uma fábula dos tempos modernos, novos ingredientes são adicionados: Temos trios amorosos e galãs que, ao final de contas, podem bem ser principies encantados (ou será que não?).

As personagens não são, em nada, caricaturas ou personagens-tipo. São antes construídas com profundidade e com características muito próprias. Somos brindados com referências claras a histórias como a Cinderela ou o Capuchinho Vermelho, e todo o filme se desenha sobre uma estética contagiante e trabalhada ao detalhe. Uma produção recheada de grafismos de histórias infantis e de montagens propositadamente artificiais e exageradas.

Uma dicotomia inteligente e bem conseguida entre a realidade e a fantasia que, no entanto, oferece um desfecho um tanto ou quanto artificial. Sendo um filme bastante longo e denso, esperava-se-lhe um ponto final diferente, sem vírgulas ou pontas soltas. Não que o filme fique em aberto, mas a incerteza do futuro é tão grande quanto é a certeza do futuro de qualquer final dos filmes onde as personagens “viveram felizes para sempre”.

Embora não sendo a obra-prima da realizadora, esta é sem dúvida uma comédia que vale a pena ver, mais que não seja para desmistificarmos determinados tabus que temos em relação às histórias de amor (e ao amor, em si).

Fotografia da Agnès de Catarina Sanches



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