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Efterklang + First Breath After Coma @ Lisboa Ao Vivo (23.10.2019)

A divisória feita ao alinhamento funcionou lindamente, permitindo que o novo disco se entranhasse convenientemente, não o misturando com temas de estrutura diferente, e guardando uma mão cheia de trunfos para a recta final, garantindo um grau de satisfação altíssimo.

Muitas vezes sentimos que as primeiras partes dos concertos servem meramente para encher enchidos, ou eventualmente para as editoras darem palco a bandas ainda há procura do seu público. Porém, quando é convocada uma das mais estimulantes bandas nacionais para abrir a noite dos Efterklang, ainda para mais com contornos especiais, dado que se dedicariam a interpretar na íntegra o seu último álbum, ficamos com água na boca.

Os First Breath After Coma atiraram-se ao palco do Lisboa Ao Vivo para colocarem a nu as qualidades do seu disco deste ano, que equivale a mais um extraordinário passo na ascensão e evolução do colectivo leiriense. Num universo cada vez mais electrónico e etéreo, os First Breath After Coma trazem-nos à memória os trabalhos mais recentes de Bon Iver e os riffs dos Ratatat, sempre com uma consciência melódica tremendamente apurada. E que experiência a de escutar o retumbante «I Don’t Want Nobody» ao vivo, valeria desde logo o preço da entrada.

Após uma pausa para remodelar o palco, os Efterklang entravam em acção, com um Casper Clausen ainda mais sorridente que o habitual, por estar a jogar em casa. Lisboa tem sido o quartel-general do dinamarquês durante os últimos anos, e a felicidade de estar a apresentar o disco de regresso nessa cidade notava-se a milhas. O núcleo duro da banda, constituído por Casper, Mads Brauer, e Rasmus Stolberg fez-se acompanhar por mais quatro músicos, que se ocuparam desde a bateria às teclas, passando pelas cordas e sopros. Sete anos depois da última edição, os Efterklang apostaram na sua língua materna para o novo trabalho, que ao vivo desfilou o seu carácter íntimo, frágil, mas sempre com um trago de esperança presente nas melodias do mesmo. Canções como «Uden Ansigt», «Vi Er Uendelig» ou «Hold Mine Hænder» (durante a qual o público arriscou o coro em dinamarquês, guiado pelo maestro Casper) são exemplos máximos dessa natureza que descrevemos. Pena foi que nem sempre o som sala (ao invés do que é costume) se mostrasse devidamente sofisticado para repercutir o ambiente alcançado em estúdio.

O concerto dividiu-se em duas etapas, com a inicial a incidir sobre o novo “Altid Sammen” (que significa “Sempre Juntos” em português), e uma complementar numa espécie de encore especialmente alargado, onde os dinamarqueses revisitaram canções mais familiares da audiência, retiradas dos seus álbuns em inglês.  E foi com elevado prazer que escutámos «Alike», o clássico «Modern Drift» ou «Cutting Ice to Snow», que nos consegue realmente transportar para paisagem esbranquiçada por um Inverno rigoroso. A divisória feita ao alinhamento funcionou lindamente, permitindo que o novo disco se entranhasse convenientemente, não o misturando com temas de estrutura diferente, e guardando uma mão cheia de trunfos para a recta final, garantindo um grau de satisfação altíssimo.

Alinhamento

– Verden Forsvinder
– Supertanker
– Vi Er Uendelig
– Uden Ansigt
– Under Broen Der Ligger Du
– I Dine Øjne
– Hold Mine Hænder

(encore)
– Alike
– Modern Drift
– Cutting Ice to Snow
– Sedna
– Black Summer
– The Ghost

(encore 2)
– Dreams Today



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