Einstürzende Neubauten

A banda berlinense liderada por Blixa Bargeld vai estar de visita ao Centro Cultural de Belém para um concerto único

O desmoronamento de edifícios novos ou a decadência de uma sociedade urbana, feita de movimentos mecanizados. Curiosamente, os mesmos movimentos que dão forma à música dos Einstürzende Neubauten. Uma música fria, como a cidade que os origina, Berlim.

Em 1980, o guitarrista e vocalista Blixa Bargeld, eterno líder da banda, e membro até há pouco tempo dos Bad Seeds, que acompanhavam Nick Cave, formou o grupo com o percussionista americano N. U. Uhnruh. A ideia ia para além da música e passava pela construção de um colectivo artístico, o que sempre aconteceu ao longo da carreira.

Juntamente, entre outros, com os Cabaret Voltaire e com os Throbbing Gristle, ambos ingleses, ajudaram a construir aquilo a que convencionou chamar de industrial, pelo uso constante de máquinas na música, tendência que se reforçaria mais tarde.

Em 1983, numa série de mexidas na banda, entrou F.M. Einheit, o futuro “chefe da maquinaria”. A electrónica ganhou um papel preponderante e uma digressão, por Inglaterra, com os Birthday Party, a primeira banda de Nick Cave, levou-os a assinar pela Some Bizarre. Era a editora perfeita para uma banda que de forma amiúde destruía os palcos que pisava e que usava efeitos pirotécnicos.

Foi depois do fim dos Birthday Party que Nick Cave convidou Blixa Bargeld para integrar os Bad Seeds. O álbum “Halber Mensch” ainda foi editado posteriormente, mas o fim da banda aconteceu mesmo. Por pouco tempo, no entanto, já que o regresso foi rápido e deu à luz uma série de álbuns, sendo os últimos de originais, “Silence is Sexy”, um dos mais acessíveis da carreira, e “Perpetuum Mobile”, ambos gravados para a Mute.

Esta é a terceira passagem do grupo por Portugal depois de uma estreia incendiária na Voz do Operário, com primeira parte dos Lucretia Divina, e de uma aparição em Carviçais, em 2000, no festival em que Bobby Gillespie, dos Primal Scream, não apanhou o avião.

O facto de usarem quase todo o tipo de objectos como mobilização percussiva, desde betoneiras a pneus, torna o som dos Einstürzende Neubauten muito particular, ainda que, por exemplo em “Silence is Sexy”, essas características se tenham diluído um pouco.

Os seus elementos electrónicos repercutiram-se, por exemplo, no som de bandas como os Nine Inch Nails. Em Portugal, os Mão Morta nunca renegaram a proximidade com algumas das ambiências da banda de Blixa Bargeld, se bem que nos primeiros tempos fosse mais fácil encontrar pontos de contacto, ou não fosse o sonho da banda bracarense ir tocar a Berlim.

Recentemente, foi também editada uma colecção de temas compreendidos entre 1980 e 1982, intitulada “ Kalte Sterne – Early Recordings”, que antecedeu a edição do primeiro álbum, “Kollaps”, ao mesmo tempo que a versão especial de “Tabula Rasa”, disco marcante da banda, de 1993, saía para o mercado. Na formação actual estão presentes Blixa Bargeld, sem a guitarra eléctrica, um baixista, um guitarrista, dois teclistas e um baterista.

Curioso será observar um possível encontro entre vários públicos. Punks actuais, góticos que não deixaram de o ser ou saudosos pelos anos 80 vão ter hipótese se rever.

Mais do que canções, os Einstürzende Neubauten constroem ambientes, cenários ou transições para estados de catarse caótica onde a ordem é o ruído.



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