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Eleanor Friedberger @ MusicBox (11.02.2017)

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Foi sem trejeitos de estrela, nem tiques de cantautor perturbado, que Eleanor Friedberger conseguiu encher o palco do Musicbox, munida apenas a sua guitarra eléctrica e de um omnipresente sorriso, revisitando a tríade de álbuns a solo e não só.

Estando sozinha com a sua guitarra, as canções ganham um acentuado travo folk, chegando perfeitamente a ombrear com as raízes mais indie da intérprete. Tanto assim é que em momentos como «Singing Time» parecemos estar a escutar Camera Obscura, por exemplo. A solitária guitarra é coadjuvada pelo pedal de efeitos em breves instantes de certos temas, o que ajuda a adensar ligeiramente o som, algo que no entanto não é primordial no meio da desarmante simplicidade com que a autora os interpreta nesta ocasião.

Por falar em raízes, Eleanor não as renega, tendo aproveitado para repescar um par de títulos do catálogo dos seus Fiery Furnaces para esta actuação, evocando a passagem por Portugal na companhia do seu irmão há pouco mais de sete anos.  A saber, «Evergreen» e « Waiting To Know» (numa melodia capaz de fazer inveja aos Beach House) foram as recordações eleitas.

Pelo meio houve ainda tempo para homenagear outros compositores, através de versões dos Smog (avé Bill Callahan!) e de Cate Le Bon, uma das suas compositoras favoritas da actualidade, segundo confidenciou ao respeitoso público que povoava o Musicbox.

Mesmo não tendo encore, o concerto terminou sem darmos conta de termos sido abençoados com dezasseis temas. Somente ao rever os apontamentos do alinhamento nos apercebemos desta farta quantidade. O prazer faz-nos sempre perder noção do tempo, tal como neste concerto que valeu como um chá bem quentinho, ou um licor com maior teor de álcool (tendo em conta que era Sábado à noite), para o público que ousou enfrentar a pluviosidade.

A terminar a noite, em termos de actuações ao vivo, e sob o olhar atento da senhora Friedberger que calmamente já degustava um copo de vinho branco ao balcão, tivemos King John. Com o seu rock a transportar-nos para outras décadas, o quarteto açoriano tentou provar que «Blues Are Better». A banda encabeçada por António Alves mostrou-se bastante honrada em poder actuar no afamado palco do Cais do Sodré, e retribuiu com um som pungente e uma máquina musical bem oleada, à qual falta eventualmente algum pó da estrada para ficar ainda mais enquadrada no seu género.

A finalizar um (variado) Sábado em grande no club do Cais do Sodré, a loucura saudável de Homem Fino tomou conta dos vinil e, na comemoração da primeira década de carreira, fez dançar as mentes mais abrangentes por entre relatos de Karoglan e psicadelismo árabe.

Alinhamento:

– My Mistakes
– He Didn’t Mention His Mother
– I Was a Stranger (Smog cover)
– Your Word
– I Am the Past
– Evergreen (Fiery Furnaces)
– Sweetest Girl
– Singing Time
– Because I Asked You
– Cathy With The Curly Hair
– Love Is Not Love (Cate Le Bon cover)
– Does Turquoise Work?
– A Long Walk
– Stare at the Sun
– Other Boys
– Waiting To Know (Fiery Furnaces)



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