Eleven

Eleven

10 anos de cozinha de autor no centro de Lisboa

O primeiro restaurante lisboeta a receber uma estrela Michelin celebrou no mês passado uma década de existência e a RDB provou e aprovou o recente menu que também dá nome ao espaço que dispensa apresentações: Eleven.

Sob a mestria do chef alemão Joachim Koerper, fomos guiados numa autêntica viagem que desperta todos os sentidos e transporta para outra dimensão.

Situado num dos pontos mais altos da capital, no topo do Parque Eduardo VII, o Eleven é uma referência na cozinha de autor em Portugal. Fundado por onze sócios (daí o nome), este espaço imponente com uma vista magnífica sobre Lisboa é o cartão de visita para quem procura experiências degustativas ao mais alto nível, como se espera de um restaurante que foi o primeiro a receber uma estrela Michelin na cidade (e que recentemente voltou a confirmar a distinção para o Guia de 2015).

Eleven Exterior

A orientação da cozinha é responsabilidade de Joachim Koerper, um chef com largos anos de experiência que exibe requinte e originalidade nas suas criações. Este alemão que se apaixonou por Portugal e que por cá vai estando, divide a sua vida entre Lisboa e o Rio de Janeiro, onde coordena os restaurantes Enotria por JK e Enoteca Uno, dos quais é chef e proprietário, tal como no Eleven.

A elegância inerente ao espaço faz-se notar, não só ao entrar pela porta, como também ao abrir a carta, na qual o chef dá as boas-vindas ao universo de Outono: “A natureza é a perfeição, a minha missão é extrair dela a melhor matéria-prima, sentir os aromas, provar os sabores e texturas para assim imprimir a magia da simplicidade e elegância à minha cozinha”. Se a expectativa já era alta, ao ler estas palavras ficámos completamente ansiosos por descobrir o maravilhoso mundo gastronómico idealizado por Koerper.

O responsável de sala recomendou-nos o menu Eleven (76€ por pessoa, suplemento de vinhos 45€ por pessoa), um dos que figuram na nova carta de Outono-Inverno. Aceitámos e demos início à, provavelmente, melhor refeição das nossas vidas. O escanção que nos acompanhou neste jantar começou por servir uma flûte de espumante bruto Paulo Loreano de 2008 que fez companhia ao amuse bouche, uma surpresa para despertar o palato, evidenciado pelo sabor levemente salgado e fresco que permanece na boca.

Seguiu-se a entrada: brandade de esturjão fumado com caviar de arenque e vinagrete de ostras e limão, uma pequena maravilha que combina texturas e sabores requintados de forma magistral. A destacar o gosto do vinagrete que equilibra o contraste do esturjão com o caviar. O vinho indicado para degustar este prato foi o White de 2012 com assinatura do chef, um vinho alentejano mais frutado resultante de uma produção limitada (cerca de 350 garrafas) caracterizada pela dupla casta, 50% Antão Vaz e 50% Viognier.

Eleven - Entrada

Eleven - Entrada

Ainda como entrada, surgiu diante dos nossos olhos um creme de abóbora com mexilhão e chips de alho. De notar o ritual que envolve o serviço deste prato: depois de deixar na mesa a terrina com o mexilhão acomodado nas tiras de alho, o empregado verte gentilmente o creme aveludado em redor dos outros elementos. A cremosidade e a combinação de sabores intensos e distintos elevam uma simples sopa a uma escala absolutamente divinal.

Eleven - Entrada

Sucederam-se os pratos principais. O cardápio sugere a escolha entre peixe e carne, mas decidimos pedir um de cada para saborear ambos. O sortido de peixe do dia (robalo, pescada e peixe-galo) com macarrão de Outono e molho de crustáceos trazia consigo com a promessa de ser uma iguaria com sabores típicos da estação. A salientar a desconstrução do macarrão, uma espécie de canelones recheados com cogumelos, e a trilogia de peixes que combina com a textura sólida do molho. Para acompanhar, Quinta do Grifo Reserva de 2010, um tinto do Douro que contraria o mito de que apenas os brancos ligam com o peixe.

Na opção de carne, destaque para o leitão eficientemente confeccionado em baixa temperatura com chutney de tomate e figo e molho de laranja. Este é um exemplo de que só os melhores conseguem transformar um produto comum, como é o leitão, numa autêntica experiência degustativa. Neste caso, o tinto reserva 2009 Chef’s Collection, de Paulo Loreano, foi a sugestão ideal para um prato que pede um vinho mais encorpado.

Eleven - Peixe
Eleven - Prato Carne

Continuando esta viagem gastronómica de excelência, provámos uma selecção de queijos composta por um da ilha de S. Jorge feito a partir de leite de vaca, um cremoso produzido com leite de ovelha e um amanteigado oriundo da Serra da Estrela. Aqui, a escolha vinícola recaiu sobre um vinho do Porto, o Rozès Vintage de 2011, cujo aroma doce mostrou ser o par perfeito para os vários tipos de queijo.

Eleven - Queijo

 

Não nos despedimos do Eleven sem antes provar um magnfíco crème brulée de coco com sorvete de piña colada. Absolutamente exímia esta combinação entre o doce e o ácido, com evidência de que os sabores exóticos conferem maior personalidade a um prato tradicional. Para finalizar, foi-nos apresentado o único vinho estrangeiro, um branco alemão Riesling Beerenauslese de 2009, fortemente marcado pelas notas frescas e doces.

Eleven - Sobremesa

Se dúvidas houvessem, dissipavam-se neste instante. É impossível apontar o dedo a qualquer pormenor no Eleven, exactamente por esse motivo. Desde a excelência da cozinha, passando pela qualidade de serviço e de atendimento prestados por uma equipa bastante competente, cordial e atenciosa, não esquecendo a decoração nobre e o ambiente intimista, está tudo certo. Ao fim de 10 anos, a exigência e o rigor foram apurados com distinção e estão presentes em todos os detalhes. Talvez sejam esses os segredos para o sucesso deste restaurante que obrigou Lisboa a ganhar uma nova dinâmica no que diz respeito à cozinha de autor.

Eleven Chef - Joachim Koerper

Joachim Koerper constata isso mesmo e confirma que o panorama culinário de topo «evoluiu muitíssimo. Grandes chefs e muitos talentos jovens em Portugal. É muito bom para o país», remata em entrevista. Sobre o estilo das suas criações, o chef adianta que tem «uma cozinha globalizada» que inclui «produtos locais, mediterrânicos e também exóticos. Faz parte da gastronomia experimentar novos sabores e texturas». O resultado está à vista nos seus menus, uma fusão agradável entre ingredientes convencionais e outros mais extravagantes.

Questionado sobre a recente reatribuição da estrela Michelin, Koerper responde que essa conquista é «a confirmação de muito trabalho e do incansável esforço» da sua equipa. Para o futuro, o chef mostra-se cauteloso e prefere não fazer planos. Contudo, e isso garantimos nós, se os padrões de excelência se mantiverem, o Eleven terá pela frente mais uma bonita década repleta de boas histórias contadas à mesa.

 

Horário de funcionamento:
De Segunda a Sábado das 12:00h às 23:00h
Encerra ao Domingo
Rua Marquês Fronteira, Jardim Amália Rodrigues
1070-051 Lisboa

 

Fotografia (dos pratos) de Ricardo Freire Mateus
Fotografias de ambiente e do chef cedidas pelo Eleven.

 



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