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Elle

Meteram-se com a mulher errada.

Estão a ver aquele filme com a Sharon Stone e o infame cruzar de pernas? Pois “Elle” é realizado pelo mesmo senhor, Paul Verhoeven, mas não tem nada a ver com o “Basic Instinct“. Aleluia! (calha bem dizê-lo porque estamos na época natalícia).

Elle” é baseado no livro “Oh” de Philippe Dijan e é seguramente um dos filmes mais surpreendentes do ano.

Isabelle Huppert encarna Michèle Leblanc, dona de uma empresa de videojogos, que um dia é agredida e violada na sua própria casa. Dito isto, “Elle” não é um filme sobre violação. Quer dizer, é, mas não é só sobre isso. Depois da cena chocante com que o filme inicia, os espectadores podem ficar com a ideia errada de que o enredo gira à volta da temática ‘vítima traumatizada decide suicidar-se’. Pois desenganem-se. Michèle não é uma mulher que se vai abaixo facilmente (estou obviamente a ser irónico, pois considero o estupro uma das piores experiências pelas quais um ser humano pode passar). Não posso desvendar a reacção de Michèle e os actos que leva a cabo, mas posso garantir que ficarão de boca aberta.

O filme acaba e a primeira questão que me vem à cabeça é: porquê o título insípido? Porque afinal Elle significa apenas Ela. Decidi fazer uma pesquisa na internet, mas não obtive resposta. Será que o realizador de “Robocop” e do duvidoso “Showgirls” quis destacar o papel feminino na trama, mas sem precisar um nome? A ser essa a explicação parece-me uma medida escusada, pois é óbvio que Ela neste filme só pode ser Michèle. As outras mulheres limitam-se a orbitar à sua volta. São meros planetas, enquanto que Michèle é o sol.

Como uma pesquisa leva a outra, acabei por descobrir que a actriz Isabelle Huppert tem a idade da minha mãe. Não é que a idade em si seja relevante, mas fez-me cogitar acerca do currículo extenso da actriz. Lembrei-me de alguns filmes excelentes que vi com ela – “La Pianiste“, “Loulou“, “Amour” – e cheguei a uma conclusão: Huppert é um dos monstros vivos do cinema francês. Provavelmente não irá ganhar o Oscar no próximo ano – uma vez que existe a tradição, não assumida, na Academia de premiar actrizes que encarnam figuras públicas (sim estou a referir-me a Natalie Portman e à sua Jackie Kennedy) – mas o papel da actriz francesa é merecedor desse reconhecimento.

Desejo a todos os cinéfilos um Feliz Natal e um excelente 2017 e…que venham mais Elas!

 



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