“Em Parte Incerta” | Gillian Flynn

“Em Parte Incerta” | Gillian Flynn

Até que a morte nos separe

A sabedoria popular já o diz e há muito: o casamento pode dar cabo do juízo e do corpo de uma pessoa. Gillian Flynn, apesar de um casamento aparentemente feliz, decidiu escrever “Em Parte Incerta”, um romance sobre a dificuldade da coabitação onde, no lugar de uma escrita romântica e/ou emocional, teceu uma intriga onde mora o mistério, o humor negro e a incerteza até ao virar da página derradeira.

No dia em que Nick e Amy celebram o 5º aniversário do seu casamento, Amy desaparece deixando para trás um cenário de rapto com ar de assassinato: há mobília de pernas para o ar, indícios de luta, vestígios de sangue mas, do corpo ou da arma do crime, nem um pequeno sinal. Com o andar da investigação, Nick envolve-se numa teia de mentiras e estranhos comportamentos, que fazem dele o suspeito principal – tanto para a polícia como para os media, que esmiúçam o caso em programas incendiários e propensos à crucificação popular na onda de um “Jerry Springer Show”.

A história é-nos contada a duas vozes: a de Nick Dunne, o narrador que partilha o seu sofrimento com o leitor; e a de Amy Elliott, através do seu diário, páginas que nos fazem entrar na intimidade do casal e construir o seu diagrama relacional. Porém, à semelhança do que acontece com as personagens da saga “Crónicas do Gelo e do Fogo”, de George R.R. Martin, ninguém é aquilo que aparenta ser, fazendo de cada elemento do casal um camaleão em potência.

Agora, se não levarem a mal, o melhor será ficarmos por aqui. Não porque não nos apeteça dissertar mais sobre esta preciosidade macabra, mas apenas porque este é um daqueles livros para ler sem grande preparação ou bagagem. Basta saberem que, a partir do momento em que terminarem de ler a primeira página, terão uma imensa dificuldade em largá-lo. E que, no final, passarão a olhar para o outro lado da cama com uma certa desconfiança. Gillian Flynn escreveu um thriller que merece que lhe cantem o «Parabéns a você». Ou, neste caso, a marcha nupcial.

Uma edição Bertrand Editora



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