Entrevista a Gonçalo Luz

“How I feel” é o último trabalho do realizador e vai estar em competição na bienal de Estugarda, dedicada às Curtas-metragens

“How I Feel”, o mais recente filme de Gonçalo Luz, foi seleccionado para integrar a secção da competição Internacional da Ludwigsburg European Short-Film Biennale, a decorrer de 12 a 18 de Setembro, em Estugarda, na Alemanha. Trocámos algumas impressões com o realizador sobre o filme, esta sua selecção e o estado geral do novo cinema português.

Escrito, filmado e realizado por Gonçalo Luz (o mesmo de “Em Fátima Rezei Por Ti” e “Crónica Feminina”), “How I Feel” aborda o reencontro de um jovem casal após a separação, seguindo as personagens no seu conflito para entender as razões que as movem de encontro e para longe uma da outra.

O filme e a presença na Alemanha serviram de mote para uma troca de ideias com o jovem realizador português. Fiquem com a entrevista.

RDB: Ser um jovem realizador em Portugal é uma tarefa difícil? Não tem havido progressos?

Gonçalo Luz: Ser realizador não é uma tarefa fácil, seja onde for. Mas acho que a forma como encaramos e ultrapassamos as dificuldades também nos define a nós e aos nossos projectos.

Não há estruturas perfeitas de produção: se há menos meios temos acima de tudo que ser criativos na escolha e na forma como estruturamos o nosso projecto, mas teremos muito provavelmente mais espaço para fazer o que queremos como queremos, dentro das limitações. Se houver mais meios à disposição teremos por certo muitas coisas facilitadas, mas poderemos estar limitados de outras formas, começando pela nossa própria independência e mobilidade.

Acho importante estar à altura dos projectos, entender e enfrentar as suas dificuldades em todas as fases, mesmo depois de os filmes estarem prontos. Realizar também é isso.

Quanto a progressos, vivemos uma conjuntura em que a recessão generalizada nas diversas áreas se reflecte necessariamente neste meio, remetendo-o para um vazio um pouco preocupante, é certo, mas como país pequeno que somos é natural que isso ainda se sinta mais.

A “democratização” tecnológica e a acessibilidade do suporte digital são um progresso importante no sentido em que alargaram as possibilidades e a independência dos criadores. Acima de tudo é uma questão de vontade.

RDB: Como tem sido a tarefa de reunir apoios para conseguires produzir os teus projectos?

GL: Os apoios têm sido muito variados, dependendo do projecto e das suas necessidades específicas: quando filmei “em Fátima rezei por ti” era eu e uma câmara mini DV que comprei com algum dinheiro que juntei – trabalhei sem necessitar de apoios. Quando filmei a “Crónica Feminina” já tive uma estrutura de produção que criei para o efeito, essencialmente graças ao apoio financeiro do ICAM, obtido através de concurso – foi de longe o filme com maior orçamento de todos. O “How I Feel” foi totalmente filmado com uma câmara mini DV emprestada. Era eu e os actores que se juntaram ao projecto com a vontade de o concretizar. Mais tarde montei o filme com o apoio da Filmes de Fundo que, através da Pandora da Cunha Telles, cedeu o equipamento para a pós-produção desde a montagem às misturas áudio. Contei obviamente com a disponibilidade de várias pessoas que deram o seu indispensável apoio colaborando na pós-produção do filme, pessoas como o Miguel Tomar Nogueira com quem montei o filme e o Emídio Buchinho que fez um trabalho incansável no som, da montagem às misturas finais, entre outras.

RDB: Em que te inspiraste para realizar “How I feel”?

GL: Inspirei-me num acontecimento da minha experiência pessoal… como aliás, de uma forma ou de outra me inspiro para realizar os meus trabalhos… mas este é certamente o mais pessoal…

RDB: É importante ter o filme no festival em Estugarda?

GL: É acima de tudo importante na medida em que o filme está integrado na secção competitiva de um festival internacional. E é sempre uma oportunidade de continuar a mostrar o filme.

RDB: Tens algumas expectativas na competição?

GL: Penso que tudo é possível…

RDB: Onde e quando vamos puder assistir ao filme em Portugal? Alguma previsão?

GL: Para já, em Setembro. Será exibido integrado na secção ptrama do VideoLisboa, algures entre 7 e 11 de Setembro no Fórum Lisboa… a informação estará disponível em breve no site do festival – www.videolisboa.com

RDB: Ideias e projectos para o futuro?

GL: Sempre, mas por agora ainda é segredo.



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