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Sean Riley & The Slowriders | Entrevista

"Só deve haver um fim quando o mesmo é desejado… Nunca nos passou pela cabeça acabar a banda". Afonso Rodrigues em discurso directo

Só deve haver um fim quando o mesmo é desejado…

De regresso com novo registo de originais homónimo, editado no passado dia 8 de Abril, os Sean Riley & The Slow Riders, na pessoa do seu fundador e vocalista Afonso Rodrigues, falaram connosco acerca do novo disco e do que ainda os move, dez anos depois do início da sua carreira.

Antes de mais, parabéns pelo vosso novo disco. O vosso som respira saúde e o vosso regresso era já ansiado por muitos fãs.

Afonso Rodrigues: Muito obrigado!

Porquê o interregno na vossa carreira, agora finalmente interrompido? Não teria sido mais fácil um término, para depois regressarem numa digressão de consagração, como os LCD Soundsystem?

Só deve haver um fim quando o mesmo é desejado… Nunca nos passou pela cabeça acabar a banda. Provavelmente nunca vai acabar, mesmo quando deixarmos de fazer música juntos. Acho que foi mais andarmos ocupados com outras coisas e não darmos pelo tempo a passar. Até que de repente, lembrámo-nos… Além disso o mundo já tem falsos finais e comebacks que cheguem.

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De onde surgiu a inspiração para este álbum? Depois da “trilogia” anterior, há alguma ideia unificadora transversal à dezena de faixas deste novo álbum?

A inspiração surgiu da vontade de voltarmos a fazer música juntos e de ver o que fluía… A uma ideia de importância. De reflexão sobre as coisas que são verdadeiramente importantes. Da Condição Humana… do amor, da amizade.

Sobre o vosso processo criativo: como evoluiu desde que são banda?

Penso que de disco para disco procuramos novos estímulos. Isso reflecte-se no processo criativo. Neste em concreto começámos por nos afastar dos sons e abordagens aos instrumentos que nos eram mais confortáveis para conseguirmos chegar a lugares diferentes.

O que procuram conseguir quando começam a criar determinada música?

Ilustrar uma ideia ou um sentimento de uma forma que nos pareça harmoniosa.

Quando sabem que determinada canção está concluída?

Quando já toda a gente prefere estar com o carro de portas abertas à porta da sala de ensaios a ouvir o que gravámos do que estar na sala a tocar.

Ao ouvir a vossa música, é inevitável a percepção de uma ligação quase telepática com o outro lado do Atlântico, não só pela língua e nome da banda (que faz lembrar uma banda dos 60´s), mas também pela ambiência que criam, cinemática, como se de uma viagem nocturna na célebre Highway 66 se tratasse. Esta ligação é intencional ou nem por isso?

Nunca foi intencional. Talvez seja um reflexo do que gostamos, de coisas que nos marcaram, do que somos.

Falem-nos dos vossos projectos a solo. Algum lançamento previsto para breve? Ou estão em suspenso para mostrarem este novo álbum pelo País e pelo Mundo?

Para já a ideia é levarmos esta música ao maior número de sítios e pessoas possível e divertirmo-nos com isso.

Com quase uma década de história, é inevitável perguntar: qual o balanço que fazem da vossa “infância” como banda? Vale a pena ser músico profissional em Portugal? Como prevêem que será a próxima década?

A nossa infância foi muito feliz, esperamos ser crianças para sempre. A segunda questão deixa-me a pensar se há alguém que faça música sem ser, em primeiro lugar, por e para si. Sinceramente não tenho resposta para essa questão. Sei que para mim (e para os meus) é necessário fazer música. “Profissionalmente” ou ao fim-de-semana, em Lisboa ou em Teerão.

É difícil prever o futuro. Vamos esperar que seja tão positivo a nível de criação em Portugal como foram os últimos 2 ou 3 anos. Se conseguirmos manter o nível de qualidade e volume de produção já é uma grande vitória. O resto, será o que tiver que ser.



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