Esben and the Witch | “Wash The Sins Not Only The Face”

Esben and the Witch | “Wash The Sins Not Only The Face”

Um conto de fadas com banda sonora gótica

Esben and the Witch é um conto-de-fadas macabro que envolve sangue, traições, sexo e invejas, numa saga com uma moral sobre o poder dos mais fracos. A história dinamarquesa é do século XIX, mas os sons da banda inglesa com o mesmo nome poderiam perfeitamente servir de banda sonora a esta história.

Os Esben and the Witch, compostos por Thomas Fisher (guitarra/teclista), Daniel Copeman (guitarra) e Rachel Davies (voz), nasceram em Brighton, Inglaterra, em 2008. Descritos pela revista Q, em 2011, como uma das próximas grandes bandas, nomeados, no mesmo ano, para o BBC Sound of 2011 (uma das mais fortes listas sobre os próximos nomes da música a ter em atenção) e referidos pela NME em críticas positivas, a banda de indie rock com influências de rock gótico já abriu concertos para nomes como The XX e The Foals.

No passado mês de Janeiro, o trio lançou, pela Matador Records, o seu mais recente álbum “Wash The Sins Not Only the Face”, com o single de estreia «Deathwaltz» (pré-lançado em 2012). Nesta segunda compilação, a banda consegue afastar-se da conotação gótica sem deixar de lado as sonoridades densas e enfeitiçantes que a caracterizam.

Em “Violet Cries”, o albúm de estreia, a voz de Davies oscilava perclitantemente entre o quase inaudível e alguma força em momentos explosivos, mas que não atingiam o clímax esperado, mantendo uma linha vocal pouco ampla mas cujas subtis camadas vocais eram o ponto forte da maioria das músicas; enquanto os sons da guitarra de Copeman e o teclado electrónico de Fisher preenchiam os momentos espaçados, criando envolventes e perturbadoras melodias surrealistas.

“Wash the Sins” revela alguma maturidade em relação ao seu antecessor, sem deixar de dar continuidade ao estilo vertiginoso e claustrofóbico que os caracteriza. A primeira e mais palpável alteração é a limpeza sonora reflectida na maioria das músicas, desta vez sem grandes espaçamentos ou impurezas, dando total protagonismo à poderosa voz de Davies. Músicas como «Iceland Spar», «Slow Wave» e «Smashed To Pieces In the Still of the Night» mantêm a mesma tensão harmónica subjacente ao anterior álbum; já os sons de «Deathwaltz» revelam uma evolução sonora mais forte, sem tantas quebras e num compasso mais acelerado. Fica contudo a sensação de que existe um clímax em crescendo mas nunca atingido. A banda parece estar a tentar encontrar uma identidade mais coerente, caminhando nesta direcção mas ainda com algumas falhas.

A estreia acontece em Portugal a 26 de Abril, na Newcomers Week, no Porto



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This