“Esta cidade não é para mulheres”…

“Esta cidade não é para mulheres”…

... como estas seis.

Seis atrizes — Ana Valentim, Joana Cunha, Maria Cardetas, Maria Torres, Mariana Pacheco de Medeiros e Teresa Queirós. Um palco e um espectáculo dentro do espectáculo. Afinal, o que é isso do casting senão uma representação temporária de um outro eu com o objectivo de promover a minha própria encenação?

Em “Esta cidade não é para mulheres” há isso mesmo: um casting. Um papel feminino, acessível apenas para mulheres, sem que no entanto se saiba quem é o autor desse suposto espectáculo ou sequer sobre o responsável do casting.  Estamos perante a história de seis mulheres, atrizes, que se vão encontrando num teatro abandonado e que, à medida que vão chegando, vão mantendo diálogos sobre isso que é a representação temporária e a ação de nos despersonificarmos com o intuito de nos vendermos com uma nova personificação.

É aqui que a realidade e ilusão se começam a misturar e, num tom jocó-sério, começam a surgir diante do nos nossos olhos personagens que correspondem ao mais fantasioso que existe no universo feminino e que vão partilhando ideias desconcertantes, modos de estar e pensar algo perturbadores, frustrações e outras ambições.  O conflito estabelece-se, ou não estivéssemos nós perante um grupo de SEIS mulheres dispostas a dar tudo por uma representação da qual não sabem o que esperar mas que, nem por isso, estão dispostas a desistir. Desistir é palavra que também não ocupa lugar no que diz respeito à necessidade de elas abandonarem os seus próprios princípios e ideologias. E se esta hipótese, pela sua inquietante actualidade na realidade do espectáculo, parecia ser capaz de perturbar estas actrizes, rapidamente percebemos que essa realidade não é para (estas) mulheres.

Todas estas seis mulheres são retratos das mulheres que Rosa Montero descreve no livro “Histórias de Mulheres”, que inspirou esta peça  e que procura explorar esta condição de atrizes perante as exigências das artes performativas. À encenadora Sofia Santos Silva ter-se focado nesta condição não foi um pormenor.

Esta cidade não é, de facto, para mulheres como estas. Para mulheres que não compactuam com a necessidade de representações temporárias do eu. Para mulheres que são, antes de tudo o resto, agentes próprias de identidades imutáveis. Agentes próprias do seu próprio papel no feminino.

Esta cidade não é para mulheres” esteve em cena no Teatro Turim até ao dia 14 de dezembro e começa o ano de 2015 no Porto, onde vai estar em cena no CACE  entre 9, 10 e 11 de janeiro.

 

 



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