Estreias & Regressos

10 nacionais / 10 internacionais. Os conselhos da RDB.

Dez apostas, dez nomes: cinco nacionais e cinco internacionais. Discos de estreia acabados de sair ou ainda nem isso – fica aqui algum sangue novo musical dado a conhecer por gente nova. Toda ela muito recomendável…

Nacionais:

Linda Martini – “Olhos de Mongol”

Um EP de estreia bem sucedido, concertos com os God is an Astronaut ou um dos dos mais bem sucedidos concertos na edição 2006 do SBSR são alguns dos trunfos da banda de Queluz.

“Olhos de Mongol”, o álbum de estreia que se avizinha, promete muito. Os Linda Martini são actualmente uma das mais indispensáveis “novas” bandas portuguesas – falta a prova dos nove em formato longa duração para comprovar a teoria. A base sonora assenta no pós-rock, nalgum experimentalismo eléctrico e numa força pouco comum em território nacional. Cantam (quando é caso disso) em português e são bons, muito bons. E se tudo correr como o previsto serão enormes…

You Should Go Ahead – “You Should Go Ahead”

Editado recentemente, “You Should Go Ahead” mostra uma banda com sangue na alma. Assumidamente rock, a estreia da banda apresenta ao público nacional um conjunto de temas muito coeso e, não raras vezes, particularmente inspirado. Partilharam recentemente palco com os The Strokes e os She Wants Revenge (no Lisboa Soundz) e prometem continuar a agitar o panorama eléctrico nacional. Cá estaremos sempre prontos para os escutar.

Spartak – “Spartak One”

Do rock para a pop, das guitarras para os teclados. Os Spartak editam agora o seu EP de estreia, “Spartak One”, apanhado de alguns dos melhores temas pop de cariz electrónica de tempos recentes em território luso. Sim, os Spartak vêm de Alcobaça. Sim, têm algumas ligações a gente como os Loto (o vocalista Ricardo Coelho produziu o EP) e The Gift. Sim, vale a pena. E que venha depressa o primeiro álbum. Entrevista AQUI

Buraka Som Sistema – “7″”

Já foram muito falados aqui na RdB, em particular no mês passado. Kuduro progressivo, dizem eles. Eles, a Buraka Som Sistema. Uma enorme festa, agradecemos nós. O primeiro 7″ é já um dos mais felizes (e celebrados) momentos musicais de 2006, um registo a respirar novidade e criatividade. As actuações no Clube Mercado apresentam-se já como um dos destaques inevitáveis do panorama musical nacional deste ano. Para breve segue-se um EP e depois, esperamos nós, um álbum. E que continuem os concertos, que é aí que a Buraka ganha (ainda mais) pontos.

The Poppers – “Boys Keep Swinging”

Rolling Stones e Beatles são os nomes mais evidentes quando procuramos referências para a estreia dos The Poppers. A cena mod britânica é o contexto ideológico destes Lisboetas, mas os temas do registo de estreia conseguem, ao mesmo tempo, soar bastante actuais e refrescantes. Produzido por Paulo Miranda, “Boys Keep Swinging” é um disco que, não obstante outros méritos, apela à dança. Ao bater o pé. Às palmas. Siga o rock’n’roll! Entrevista AQUI

Internacionais:

Guillemots – “Through The Window Pane”

Depois de um EP e de um “mini-álbum” que deixaram água na boca, a verdadeira confirmação em formato longa-duração. “Through The Window Pane”, álbum de estreia dos já relativamente mediatizados Guillemots, é um dos mais refrescantes discos do ano. Combina paisagens rock com momentos mais secretos (até vestígios de Bjork andam por aqui) e, pasme-se, a coisa resulta. Já abriram concertos de Rufus Wainwright e preparam-se para ser gigantes – em Inglaterra a total afirmação da banda já parece inevitável, resta agora o resto do mundo. Eles que nos invadam que não nos importamos com isso.

The Feeling – “Twelve Stops and Home”

“Twelve Stops And Home”, primeiro de originais dos The Feeling, logrou alcançar o segundo lugar na tabela britânica de discos mais vendidos. Nada mau para uma estreia, certo?

Os motivos estão à vista – rock com vistas largas, sensibilidade pop e a capacidade na escrita de grandes canções. Doze grandes canções, melhor dizendo. “Twelve Stops And Home” irradia luminosidade, honestidade e alegria. A alegria de doze belas composições. Têm estreia agendada em palcos portugueses para o próximo mês de Setembro, na Aula Magna de Lisboa. É caso para dizer que chegam no tempo certo: antes de serem enormes.

Milburn – “Send in the Boys EP”

Consta que são da mesma rua dos Arctic Monkeys. São amigos dos autores de “I Bet You Look Good on the Dancefloor”, jantam com eles, bebem uns copos juntos e afins. Ouvindo o EP de estreia dos Milburn, as impressões viram certezas: há aqui muita proximidade com os Arctic Monkeys, um dos grandes fenómenos musicais de 2006. Proximidade parental e musical. Também falados há algum tempo no mundo da Internet, “Send in the Boys EP” apresenta os Milburn às lojas – as comparações com os vizinhos serão inevitáveis, mas que isso não impeça a descomprometida audição do registo. Para os fãs deste rock mais revivalista valerá a pena, fica a garantia.

Living Things – “Ahead of The Lions”

Ouvindo “Ahead of The Lions”, disco de estreia dos Living Things, um fantasma parece atravessar a obra da banda: Iggy Pop. É verdade, Iggy e os Stooges são referência maior da banda. Mas não só: quem gosta de um certo rock praticado por bandas como os Monster Magnet tem aqui um disco a não perder. Ao vivo, apresentaram-se recentemente em Portugal no Hot Stage do Rock in Rio. Mais alguma insistência, e um single apelativo poderão fazer os Living Things explodir definitivamente.

Luke Temple – “Hold a Match for a Gasoline World”

Para quem não conhece: Luke Temple é um cantautor (soa melhor o termo inglês songwriter, não soa?) norte-americano que se estreia agora com “Hold a Match for a Gasoline World”. Após anos a ouvir Coltrane, Dylan ou Wonder, o músico decide arriscar e o resultado está à vista. Num mercado tão desejoso de um bom punhado de canções (e sempre à procura de novos cantautores), Luke Temple parece surgir como o mais forte candidato à next-big-thing do género. Pela amostra que é “Hold a Match for a Gasoline World”, fica a certeza: a distinção fica bem entregue.
10 grupos já consagrados de regresso

Dez apostas, dez nomes: cinco nacionais e cinco internacionais. Discos acabados de sair de gente já com carreira feita (alguns já acabada, infelizmente) mas com novidades discográficas de relevo no mercado. Artistas essenciais, alguns deles já clássicos. Ficam os conselhos:

Nacionais:

GNR – “Continuacção”

Depois de encerrarem a edição 2006 do Rock in Rio, aí está a compilação “Continuacção” – mais uma peça a juntar ao puzzle GNR. “Continuacção” surge 25 anos após o primeiro single, «Portugal na CEE», e tem o extra de apresentar pela primeira vez em CD alguns temas da banda de Rui Reininho. Para os fãs e para os pouco conhecedores terem um primeiro contacto com o algum do legado dos autores de «Dunas».

António Variações – “A História de António Variações”

António Variações foi, não haja dúvidas, uma das mais influentes figuras do panorama pop nacional. A compilação “A História de António Variações” promete manter bem vivo o imaginário do cantor, dois anos após o sucesso dos marcantes (e óptimos!) Humanos. “A História de António Variações” é mais uma homenagem a uma figura essencial: uma merecida homenagem.

Mind da Gap – “Edição Ilimitada”

São um dos nomes mais marcantes do hip-hop nacional de sempre. “Edição Ilimitada”, a novidade de originais, pode até nem ser o melhor disco dos Mind da Gap mas vale pelo regresso ao activo de uma das mais influentes máquinas de ritmos em solo luso.

Pop Dell’ Arte – “POPlastik 1985-2005”

São um dos mais bem sucedidos projectos da música portuguesa de sempre. Dos mais inspirados, frescos, estimulantes. A compilação “POPlastik 1985-2005” tem já alguns meses mas merece a distinção, agora que a banda acabou de tocar na primeira parte dos Belle and Sebastian no Coliseu de Lisboa. Vale a pena descobrir os temas centrais da obra de João Peste e companhia. E, depois, partir à procura dos discos de originais.

Nelly Furtado – “Loose”

Ok, uma pequena batotice. Nelly Furtado não é exactamente portuguesa de nascença mas há muito que Portugal a tomou como sua. Depois de alguns discos interessantes em registos pop mais descomprometidos, “Loose” é, certamente, o grande disco de Nelly Furtado. Assistida pelo influente Timbaland, “Loose” vê uma Nelly mais solta e, acima de tudo, certeira. Canções como «Maneater» (single do ano?) ou «No Hay Igual» estão aí para confirmar a teoria.

Internacionais:

Six Organs of Admittance – “The Sun Awakens”

Aí está mais um disco de Ben Chasny enquanto Six Organs of Admittance, uma figura com relativo culto em Portugal. “The Sun Awakens” alarga os horizontes sonoros comuns ao projecto Six Organs, num registo muito limpo e polido. Relaxante mas sempre intenso, “The Sun Awakens” promete, pelo menos, manter bem viva a verve criativa de Ben Chasny. E isso já não é nada, nada mau…

Johnny Cash – “American V: A Hundred Highways”

O (primeiro) disco póstumo de um dos mais essenciais músicos do século XX. Ponto final. “Walk The Line”, o filme, voltou a mediatizar Johnny Cash, e a novidade “American V: A Hundred Highways” está aí para os fãs. A voz está mais para lá do que para cá e, por isso e mais, torna-se emocionante ouvir este disco. Saber que a morte paira por aqui confere a “American V: A Hundred Highways” um tom de despedida tocante. E brilhantes canções tem este disco, assente em versões (traço comum à saga “American”) de outros artistas. Consta que há mais material gravado por Cash anterior à sua morte à espera de ser editado. Se tiver metade da qualidade de “American V: A Hundred Highways” será bastante apreciado. Se mantiver este nível, será mais um punhado de canções essenciais gentilmente ofertadas por um músico (e uma figura) essencial do cançonetismo norte-americano. De todos os tempos.

AFI – “December Underground”

De Johnny Cash para o… punk. Os AFI, após o vistoso “Sing The Sorrow”, editam agora “December Underground”, o registo que os confirmará, certamente, como um dos mais notórios projectos dentro do estilo. Anos após terem tocado na primeira parte dos Offspring em Lisboa, um regresso da banda seria mais que apreciado. Que bem deve saber ouvir um tema como «Miss Murder» ao vivo…

Pajo – “1968”

Depois do “1972” de Josh Rouse, David Pajo aposta agora no ano de 1968 como imaginário para o seu novo de originais. David Pajo, recorde-se, uma figura central no imaginário indie – dos Slint ao projecto Papa M, passando pelos mais visíveis Zwan, Pajo é figura central na música rock norte-americana da década de 90. “1968”, o novo de originais depois do muito inspirado “Pajo” (do ano passado), solidifica David Pajo na sua faceta de cantautor – mais um disco íntimo, caseiro e delicado. E com grandes canções. Sabe sempre bem regressar a um músico como David Pajo.

Thom Yorke – “The Eraser”

O que dizer da estreia a solo de Thom Yorke? Toda a gente sabe, presume-se, quão importante é actualmente a banda inglesa, autora do seminal “Ok Computer” e de outros discos não menos fundamentais como “Kid A” ou “Amnesiac”. Novo disco dos Radiohead só mesmo para 2007, para que conste. Período de seca durante os próximos meses? Falso, falso. Thom Yorke, o vocalista, surge agora no mercado com um primeiro (único ou não só o tempo o dirá) disco a solo, intitulado “The Eraser” (XL/Popstock). Gostaram dos Radiohead parelha “Kid A” – “Amnesiac”? Pois bem, “The Eraser” é disco essencial para vocês, pois então. Assente em paisagens electrónicas (minimalistas), recheado de fundamentais silêncios e pausas, “The Eraser” é, no seu todo, um grande disco. Discretamente promovido, surgiu quase como um estranho objecto. Estranho mas belo, muito belo. “Black Swan”, a mais acessível “Analyse” ou “Atoms For Peace” são apenas algumas dos mais fundamentais momentos de “The Eraser”.

Não será o disco mais fácil de assimilar, mas a persistência recompensa. “The Eraser” é, de antemão, candidato evidente nos habituais balanços qualitativos de final de ano. Mesmo sem disco de Radiohead em 2006, é reconfortante abraçar novas composições de Thom Yorke. Reconfortante porque não há muitos músicos assim no actual panorama da música mais alternativa. Infelizmente, diga-se.



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