Exposição “A Lisboa que teria sido” no Museu de Lisboa

Exposição “A Lisboa que teria sido” no Museu de Lisboa

Até 18 de Junho no Museu de Lisboa, no Palácio Pimenta - Pavilhão Preto, esta exposição mostra-nos uma Lisboa alternativa.

Vista do miradouro do Castelo de Jorge, Lisboa é um aglomerado de casas baixinhas que se alinham de frente para o Tejo, emoldurando-o para quem nelas habita.

Em socalcos, os telhados raramente impedem a vista de quem mora na fila de trás e é possível ver os vales e as colinas que se estendem até à água.

Lisboa tem a Praça do Império e do Comércio, das maiores praças do mundo, tem a intimidade labiríntica dos bairros, a traça dos prédios pombalinos e a esquadria das Avenidas Novas. Lisboa não tem as avenidas amplas e os jardins de Paris, os monumentos da atulhada Roma, nem as escadarias e fachadas com leões e águias de Viena. Lisboa também não tem arranha-céus, ou edifícios espelhados como as Docklands em Londres.

Como estas cidades, Lisboa foi uma cidade importante ao longo dos séculos, mas nunca herdou estas marcas de monumentalidade e modernidade.

Não foi por falta de ideias, pois arquitectos propuseram fachadas mais luxuosas e edifícios mais icónicos.

A exposição no Museu da Cidade, no Palácio Pimenta, “A Lisboa que teria sido” reúne maquetes, ilustrações e plantas de projectos que foram propostos e que não se concretizaram.

Os projectos em exposição datam do século XIX até aos dias de hoje e realmente transportam o visitante para uma realidade alternativa. Uma Lisboa mais faustosa, em que a Avenida da Liberdade terminaria numa porta, tal como a da Avenida Unter den Linden em Berlim termina na Porta de Brandenburger.

Uma cidade com edifícios que reflectissem as tendências da época, como a modernização da Praça do Martim Moniz.

Uma cidade com mais mobilidade em que viadutos por cima das colinas ligariam o centro à periferia.

Uma Lisboa em que Parque Eduardo VII seria parecido com o Jardim do Luxemburgo em Paris, com lagos, clareiras e muito arborizado.

Numa altura em que Lisboa confronta-se com o turismo de massas, que trás mais trânsito, mais pessoas para o centro e mais especulação imobiliária, esta exposição além de ser sobre ideias de como Lisboa poderia ter sido, também é um apelo à reflexão sobre o futuro. Uma cidade que assegure um equilíbrio saudável na coexistência dos seus habitantes com quem a quer visitar. Uma cidade que precisa de lisboetas para continuar a ser Lisboa.



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