Factor Activo

Catorze anos depois, o colectivo de Covilhã vê finalmente editado o primeiro álbum de originais.

Tantos anos de vida, num túnel sombrio, por fim, a saída.
in Poeta

Foram precisos catorze anos de trabalho, concertos ao vivo e participações em colectâneas para os Factor Activo editarem um álbum de originais. “Em directo do fim do mundo”, foi recentemente editado pela Loop Recordings, resumindo aquilo que o colectivo da Covilhã tem feito ao longo de todos estes anos e é um prémio merecido para a vontade e persistência da banda.

Depois de lerem o primeiro parágrafo podem ficar a pensar que estamos perante um álbum de hip-hop “old school”, com um beat certo e umas rimas “mal amanhadas”, a fazer lembrar os primórdios do hip-hop em Portugal. Desenganem-se. Os Factor Activo não se ficam apenas no “mero” hip-hop, têm uma visão global da música, das batidas e da electrónica. A verdade é que o projecto da Covilhã estava muito à frente do seu tempo e pagou cara a factura com um jejum de catorze anos. Felizmente a hora chegou.

Este álbum é realmente uma caixinha de surpresas. Começa com “beira baixa independente”, um manifesto pesado e duro sobre a sociedade, prossegue no mesmo formato, sempre incisivo nas rimas e eclético na sonoridade. Passa pelo dub, pelo funk e pelas rimas em francês em “non merci”. No meio de tanta variedade, são apresentados instrumentais sempre marcados pelo dub e electrónica, por vezes experimental, como em “Silsila”, com a participação de Kubik.

A inovação e a incansável necessidade de experimentar está patente em “ando à procura dum som”, uma faixa que podia muito bem servir de resumo a este álbum, onde para além de resumir os 14 anos de actividade do projecto, deixa em aberto qual o caminho que a banda irá seguir daqui para a frente. A fechar o disco, e de uma forma quase inesperada, surge “sordos como el miedo”, num formato muito próximo aos Gotan Project e que conta com a participação do colombiano Alejandro Burgos.

Será que vai ser preciso esperar mais 14 anos para um novo disco? De certeza que não.

Aqui ficam algumas datas onde a banda vai apresentar este trabalho (os concertos servem também de apresentação à colectânea Super Castelo Branco que reúne alguns dos projectos da região como os Norton, Musgo, etc):

12 de Março – Cine-Teatro (com Musgo e Tree Valley) – Castelo Branco – 22h
19 de Março – Tertúlia Castelense (com Jaguar e Tree Valley) – Maia/Porto – 22h



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