fantas2017

FANTASPORTO 2017

A 37ª edição do Festival Internacional de Cinema do Porto arranca a 20 de Fevereiro apresentando 125 filmes inéditos.

O Festival Internacional de Cinema do Porto- Fantasporto regressa com 125 filmes em exibição em antestreia nacional, antestreia europeia, antestreia internacional e em antestreia mundial . Será entre 20 de Fevereiro e 5 de Março, com a competição a começar no dia 24 de Fevereiro.

Entrevista a Mário Dorminsky, co-diretor do Fantasporto, função que partilha com Beatriz Pacheco Pereira.

O Fantasporto está atualmente consagrado como um dos 10 melhores festivais independentes do mundo. Como é que vê esta escalada de consagração do evento?

A cada vez maior internacionalização do Fantasporto leva a que, cada vez mais cheguemos a todos os meios da Indústria. Só para dar uma ideia enviaram filmes para selecção 66 países e teremos 35 países representados nas diversas competições. Tal chama também a imprensa internacional, os media em geral que, no caso sobretudo dos canais de Televisão europeus ou mundiais, como a Euronews referem diariamente o festival inserindo na sua grelha duas a três grandes reportagens do Festival. Tal, em ligação à programação, sempre considerada de grande qualidade, pela critica e imprensa presente no festival, coloca o evento numa posição preponderante no âmbito dos Festivais Internacionais de Cinema, em particular os chamados independentes (das majors)  e dos Fantásticos, em que lideramos o ranking Mundial juntamente com Barcelona (Sitges) e Bruxelas. Chegados a este ponto poderemos considerar que o Fantasporto atingiu a sua mais alta maturidade e é natural obter epítetos de qualidade como os que tem obtido basicamente do estrangeiro, diga-se…

Para esta edição receberam mais de 300 filmes, oriundos de 60 países. Isto também reflete a projeção cada vez mais internacional que o Fantasporto tem construído ao longo dos anos enquanto plataforma de lançamento de novos filmes?

Uma das particularidades do Fantasporto é a sua natural tendência de “descobrir” novos cineastas para Portugal e, muitas vez para o audiovisual Europeu e Mundial. Só para dar exemplos que me vêm à cabeça de imediato, lembro-me de David Lynch, Peter Greenaway, Johny Too, Luc Besson, David Cronenberg, Quentin Tarantino, David Fincher, Hal Hartley, Ridley Scott, Peter Jackson, Guillhermo Del Toro bem, uma quase infinita lista de realizadores de prestígio Mundial que aqui no Fantasporto estiveram presentes com os seus primeiros filmes, muitas vezes também em pessoa. A popularidade do Festival é, pode-se dizer gigante, e no Mundo do Cinema muitos já são os realizadores que escolhem o Fantasporto para fazer as estreia Mundiais dos seus filmes, o que é uma honra para nós.

Qual é o atual fio condutor em termos de seleção, que leva à escolha final dos filmes que vão ser exibidos na edição de 2017?

Qualidade, diversidade, boas actuações que suportem uma boa história, isto é um bom argumento. Boa cenografia, bons efeitos e imagem, sobretudo gráficos e sobretudo modernidade nas secções competitivas. Sejam os filmes do Irão, da Guiné, da Oceania, dos Estados Unidos, enfim de qualquer parte do Mundo.

Dos 125 filmes disponíveis, quais os cinco mais sonantes desta edição do Fantasporto?

No meu ponto de vista, e não pretendendo ser egocentrico, é injusto destacar filmes. Daí que os 125 serão os “melhores”. Mas é lógico que há filmes mais para grande público e outros para públicos especiais, mais cinéfilos. Assim os filmes que são exibidos à noite são os mais atractivos para o publico(mais medias e super produções), bem como os dos fins de semana e… este ano também os de Terça feira, dia de Carnaval!

Uma das novidades desta edição consiste numa nova secção dedicada ao público infantil e pré-adolescente. Como é que esta oferta se vai concretizar e porque é que a fazem agora?

Foi um projecto que já existiu em tempos mas dedicado exclusivamente ao cinema de animação. Chamava-se ANIMATE. Este MINIME inclui animação e imagem real. É o lado da formação dos mais novos que também nos preocupa e que surge aqui plasmado nesta secção que pode alargar-se no próximo ano, caso as Escolas possam integrar o projecto, tal como acontece com a divulgação dos filmes portugueses nas secções Premio de Cinema Português e o concurso entre Escolas de Cinema de Artes, no qual 8 participam este ano.

Não é a primeira vez que o holandês Ate de Jong participa no festival, mas desta vez vai-lhe também ser atribuído o Prémio de Carreira do Fantasporto. Como surgiu a escolha deste cineasta?

Muito simples. Desde sempre gostávamos do filme Drop Dead Fred, o qual comemora 25 anos da sua realização este ano. Sempre exibimos filmes do Ate de Jong, e há dois anos exibImos o seu penúltimo filme a concurso. Uma amizade forte cresceu. Convidado-lo para integrar o Juri Internacional no ano passado, o que aceitou. Este ano tem um filme novo dele em competição na Semana dos Realizadores…

Qualidade, Carreira, Celebração de 25 anos de uma obra marcante do cinema, estreia de um novo filme…acho que é justificação que chegue para a atribuição do Prémio de Carreira FANTASPORTO a Ate de Jong.

Já vão na 37º edição do festival. Olhando para trás, o que mudou no estado do cinema em Portugal desde então?

Precisaria da revista inteira para responder a esta pergunta. No que diz respeito ao Fantasporto…cresceu. Quanto ao Cinema em geral tem vindo a concentrar-se em grandes grupos empresariais quer na parte da exibição, quer na da aquisição de direitos, o que diminui a diversidade de cinema que se poderia ver nas salas. As TV´s exibem cerca de 150 filmes por semana, a pirataria aumentou de forma gigante e…os espectadores e receitas naturalmente desceram. Para conseguir ultrapassar a situação a tecnologia substituiu-se ao cinema…Grandes efeitos especiais, o 3 D, o 4 K, enfim tudo formas de chamar a atenção do espectador. Aumentou um pouco no último ano a ida dos portugueses ao cinema! Curiosamente o que fez crescer estes números foi o cinema português…as readaptações das comédias portuguesas dos anos 40 e 50!

E o que é que é urgente mudar?

Pouco e muito. Tudo depende de quem usa o dinheiro na área do audiovisual e como o usa. Não devem existir grandes alterações em relação ao que se passa actualmente, mas tudo depende também da criatividade da área tecnológica que o pode servir.



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