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Fatal como o Teatro Universitário!

Maio é mês de FATAL. De 5 a 29, há para ver 20 espectáculos de grupos, vindos das mais activas cidades portuguesas em teatro académico e a oferta de workshops e masterclasses.

No mês da Queima das Fitas, para o Teatro não vai nada, nada, nada? Tudo! – mais precisamente para o FATAL, Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa que começou a 5 de Maio e animará o palco da Comuna e de outros locais (nos eventos específicos) até 29 de Maio, pelo décimo ano consecutivo.

Os 20 espectáculos são apresentados por igual número de grupos de teatro de Universidades públicas, privadas e dos Politécnicos de Lisboa, Porto, Coimbra, Évora, Aveiro e Beira Interior. No Ano Europeu da Criatividade e Inovação, os grupos vêm também da Alemanha, de Espanha, de França e do Brasil.

De 7 a 22 de Maio, o Festival abre espaço a dez performances com durações entre 6 e 40 minutos. No fim da apresentação das peças, haverá tertúlias “sobre as escolhas e os trabalhos dos grupos, dando o privilégio ao público para falar”, informa o programa. Nestes debates, estão presentes convidados das Universidades e da área das Artes do Espectáculo. A apresentação fica a cargo de “estagiários em formação profissional”. Além do Teatro da Comuna, as iniciativas integradas no FATAL decorrem no Espaço Ginjal, em Almada na Residência Universitária Fraústo da Silva no Monte da Caparica, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, no Auditório do Instituto Português da Juventude de Moscavide, no Goethe Institut (no campo Mártires da Pátria), na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, no Bar Funicular e na Praça Luís de Camões (ambos no Bairro Alto).

Em todas as sessões, será distribuída a revista FATAL 2009 que este ano publica testemunhos de alguns participantes na primeira edição do Festival, encenadores, actores e organização e textos ensaísticos comemorativos dos aniversários do TEUC, da Universidade de Coimbra; do TUP, da Universidade do Porto; do GRETUA, da Universidade de Aveiro e do Teatr’UBI, da Universidade da Beira Interior. O FATAL em revista inclui ainda um panorama do teatro universitário na Alemanha, em Espanha e na França, e um anuário, com todos os grupos de teatro universitário português em actividade. A edição é da Reitoria da Universidade de Lisboa.

Em paralelo às peças, haverá uma exposição sobre um dos mais antigos grupos de teatro académico português, o GTL – Grupo de Teatro de Letras, com vinte anos de actividade e encenado por Ávila Costa. Decorrem as exposições FATAL Pintura em Cena – a partir de fotografias de espectáculos de anteriores edições, a FATAL Folio – com a exposição dos cartazes, a Fatalidades II, com os trabalhos do primeiro workshop de fotografia de teatro, e uma instalação urbana de trabalhos de um docente e de alunos da Faculdade de Belas-Artes no Campus da mesma Universidade de Lisboa.

Os premiados do Festival são apresentados no dia do encerramento; às 22 horas da sexta-feira 29 de Maio, no Teatro da Comuna. O júri tem como Presidente Honorário, o actor Ruy de Carvalho. A Festa FATAL continua depois da meia-noite, com música dos anos 80.

Na edição 2009, fazem parte da Comissão de Honra do FATAL o prémio Nobel da Literatura, José Saramago; Manoel de Oliveira, realizador de cinema e João Mota, director d’A Comuna – Teatro de Pesquisa, além do ministro da Cultura José António Pinto Ribeiro e dos representantes do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal e do Reitor da Universidade de Lisboa. As empresas REN – Rede Eléctrica Nacional e a Caixa Geral de Depósitos e as Fundações Calouste Gulbenkian e PRO DIGNITATE são também membros daquela Comissão.

TEATRO UNIVERSITÁRIO ONTEM E HOJE

Na abertura do décimo FATAL, a organização realça “a diversidade de conceitos de encenação e de abordagens dramatúrgicas” ao longo de 10 edições, e que considera serem “duas das áreas sobre as quais menos possibilidades têm sido oferecidas no ensino e no teatro profissional do nosso país”. Uma evolução concretizada “no trabalho de novos encenadores”, da geração dos estudantes universitários, a par dos “jovens actores formados nas escolas de teatro”, o que tem permitido “as condições ideais para experimentar e começar a trabalhar as próprias encenações e dramaturgias, com actores disponíveis para arriscar”. No repertório, a organização salienta as adaptações e as colagens de textos de teatro, literatura e peças com criação, encenação ou adaptação colectiva. A organização do FATAL regista ainda o aumento do número de jovens encenadoras “o que subverte os cenários anteriores”.

O Festival, que se apresenta como um “laboratório de dramaturgia” e uma “escola de teatro e encenação”, propõe aos estudantes o teatro universitário como uma colectividade em que não existem propriamente hierarquias. Talvez neste momento “o desafio colocado ao teatro universitário seja conseguir reflectir, a própria universidade, que como tudo o resto, está a atravessar um período de crise”.

Sem descurar a história, a sessão de abertura do FATAL 2009, a 28 de Abril, prestou homenagem a Paulo Quintela, um dos principais mentores do teatro universitário português, fundador do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC) e seu director artístico e encenador.

A organização do Festival sublinha a importância do teatro universitário durante a ditadura do Estado Novo, numa “certa tradição de espaço de liberdade”. E realça a sua função como parceiro de aprendizagem, crescimento e reflexão. “Talvez devesse ser este o papel do estudante universitário no teatro (…) – tentar inovar ou explorar ainda mais estas raízes, de forma a interrogar e a questionar os vários tipos de teatro instituído, com novas formas e novos temas, mais próximos da sua vivência”.

A selecção dos grupos de teatro universitário fica a cargo da organização do FATAL a partir do acompanhamento de um espectáculo ou ensaio dos inscritos. Entre os responsáveis pela selecção, existe em cada ano um membro com experiência em teatro universitário e alunos do mestrado em Teatro da Escola Superior de Teatro e Cinema. O júri do Festival inclui, ainda, os actores João de Carvalho e Carla Lupi, a directora de produção do Teatro Municipal de São Luiz, Teresa Gonçalves, a doutorada em Texto Literário, investigadora do CIES-ISCTE e escritora, Maria Gabriela de Sousa e Silva e a finalista da licenciatura em Artes do Espectáculo da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Marta Pessoa.

Os critérios de selecção das peças combinam a “Qualidade”, em que, com a margem de subjectividade inerente, a organização avalia a encenação, a direcção de actores, a interpretação, a cenografia, a dramaturgia, a sonoplastia, o desenho de luz e o texto; a “Equidade”, ou seja, a proporcionalidade dos grupos de teatro académico de Lisboa e das outras cidades do país na programação do FATAL; a “Representatividade”, em que procura assegurar, através de quotas, a distribuição institucional dos concorrentes (segundo a organização cerca de um terço de universidades do país reúne dois terços dos grupos de teatro) e a “Oportunidade”, ao incluir na programação pelo menos um grupo que nunca tenha participado no FATAL ou que se tenha formado recentemente.

Registe-se que, segundo números da organização, o FATAL já apresentou, ao longo das suas dez edições, mais de 90% dos grupos de teatro universitário existentes e apresenta uma média aproximada de três mil espectadores por edição.

Além das peças, o FATAL põe à disposição, preferencialmente de membros de grupos de teatro e alunos do Ensino Superior, workshops e masterclasses sobre commedia dell’arte, dramaturgia, fotografia e tradução para teatro.



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