Fernando Santos

A Galeria Fernando Santos apresenta no Porto até dia 20 de Abril as exposições de Valdemar Santos e de Luis Palma.

A Galeria foi fundada a 12 de Novembro de 1993, tendo aberto ao público com uma exposição do artista Júlio Resende e, desde então, tem desenvolvido o seu trabalho em sempre em prol dos artistas portugueses, divulgando e apoiando os novos projectos.

Durante o mês de Abril é possível visitar as exposições de dois artistas bastante distintos em dois espaços diferentes, separados por alguns metros (Oficina e Galeria).

No espaço desigando por Oficina, a proposta recai sobre a mais recente exposição/instalação de video e fotografia de Luis palma, “As Cidades Contínuas”.

A proposta agora apresentada, divide-se em duas partes partindo do pressuposto que tem a ver com a estrutura do lugar. Sendo o espaço, para um fotógrafo, apetecível ao uso de imagens que convivem com a luz, a opção, sem ter que recorrer à caixa de luz, foi a continuidade, sempre difícil, do recurso ao vinil colado sobre vidro tornando, possivelmente, estas obras efémeras como, aliás, o foi este espaço que era uma oficina de reparação de carros, como são as cidades que se transformam ao longo do tempo ou como é a própria vida que se consome com a morte; assim acontece com a viagem que tem sempre um ponto de partida e um ponto de chegada.

A primeira parte deste projecto inclui três imagens de grande formato duas das quais fazem parte da série “Boring Postcards # 2” e cuja informação, contida em cada uma das fotografias, é importante para a tradução deste título sempre referenciado com algum sentido de humor num discurso quase sempre irónico onde o contexto urbanístico, recorrente à sua arquitectura “anónima”, está representada no universo da sociedade actual. A terceira imagem em questão é uma fotografia que serviu de apoio, para uma edição em livro, para o projecto “A Experiência do Lugar”.

A segunda parte apresenta um longo plástico transparente que cobre uma superfície, iluminada, que fica abaixo do chão e que servia de suporte para a mudança de óleo. Este material translúcido tem um texto impresso que fala sobre “as cidades contínuas” do escritor Italo Calvino. Percebe-se que se trata, eventualmente, de uma zona histórica de uma cidade cuja informação fotográfica a remete para uma cidade igual a tantas outras onde só muda o nome do lugar no aeroporto.

Na Galeria Fernando Santos propriamente dita, encontra-se a nova exposição de Valdemar Santos – “…da casa do cão que tinha marinheiro” que se reporta a um enigmático conto de Herberto Helder intitulado “Cães, Marinheiros”.

Todavia, na sua pintura, que esta nova exposição mostra ter ganho uma espessura conceptual cada vez mais nítida, nada ocorre daquilo que poderíamos designar como algo em que se inscrevesse uma pertença ao domínio da ilustração. Sendo certo que o referido conto de Herberto Helder, como aliás ocorre com toda a sua restante obra, cobre uma vasta rede de glorificação da imagem e das forças e intensidades do imaginário, essa relação com o espaço literário, que sempre constituiu um motivo de perigosidade para as artes visuais, poderia ver-se em si mesma atenuada no que dissesse respeito a uma relação ilustrativa com um texto anterior.

No entanto, e como sempre acontece quando é o próprio artista que o assume, como neste caso, essa relação está lá de alguma forma inscrita, mesmo se desde logo se evidencia como não estando dominada pelo sentido ilustrativo.

Um texto, para um artista, pode ser, sabemo-lo bem, apenas um pretexto, tanto mais quanto há uma medida, de alguma maneira inapreensível, que pode fazer desse mesmo texto o motor sub-reptício que desencadeia, em qualquer um de nós, a súbita deflagração de uma rede de imagens, sejam estas mentais, oníricas ou até materializadas numa dimensão tão visual como a da pintura. A questão, porém, reside em tentarmos compreender em que medida essas relações subtis interferem reciprocamente no acto da pintura ou no da e com isso, compreender que o universo visual das imagens podendo ser motivado por uma palavra, uma frase, uma forma que não nasceu directamente da própria ordem das imagens, nem por isso deixar de lhe pertencer de pleno direito.

As duas exposições irão estar patentes até dia 20 de Abril. Para os mais interessados aqui fica a morada e contacto de e-mail da galeria (Rapidamente irá chegar à Oficina).



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