Festival de Cinema Luso-Brasileiro

Até 11 de Dezembro em Santa Maria da Feira.

As forçadas e institucionalizadas conexões linguísticas entre Portugal e Brasil mantêm-se, atravessando, caso seja necessário, oceanos e barreiras culturais, enriquecendo quem as explora.

O Festival de Cinema Luso-Brasileiro, a realizar em Santa Maria da Feira entre 4 e 11 de Dezembro, é um exemplo do potencial que a união dos dois países pode representar. Primeiramente de força original e principalmente histórica esta aliança encontra, agora, argumentos artísticos para sair reforçada.

O objectivo é partilhar conhecimentos, técnicas e vivências entre cineastas de ambas nacionalidades. Quer sejam conhecidos ou não. O que importa é que o sejam e estejam interessados no desafio. O Festival pretende transmitir vibrações cinéfilas sem cerimónias, complexos nem estratagemas. Aposta em encontros informais tornando-o, assim, num Festival humanizado.

A “Cidade Baixa” abre o Festival. Filme de Sérgio Machado, aos 20 anos recomendado pelo Jorge Amado ao Walter Salles, e desde aí apadrinhado, tendo acompanhado, como assistente de direcção, os projectos “Central do Brasil”, “O Primeiro Dia” e “Abril Despedaçado”. Hoje, aos 37 anos, lança a sua primeira longa-metragem como realizador, filme já premiado em Cannes na secção Un Certain Regard.

Nas Sessões Competitivas, o facto de este ser o último festival do ano permite realizar uma selecção dos melhores filmes dos últimos 365 dias. Nas Longas-metragens disputam o Prémio de Melhor Filme, numa competição fortíssima, quatro longas brasileiras e duas portuguesas. A competição das Curtas-metragens é composta por 21 filmes a concurso que incluem 15 curtas brasileiras e 6 portuguesas. O destaque vai para a estreia mundial dos filmes “Cega Paixão” de Carmen Castello-Branco (PT) e “Silêncio” de Sérgio Borges (BR).

A secção Somos todos filhos da terra é, em simultâneo, um laboratório de descoberta e experimentação, composta por 8 trabalhos a concurso, sendo que apenas um filme será o eleito. O destaque incide nos filmes que, no Festival, estreiam mundialmente: “Conversa Mole” de Paulo Abreu (cineasta português revelado na anterior edição do festival) e “Acossada” de Karen Akerman e Karen Black (BR).

José Álvaro Morais (PT), Carlos Reichenbach (BR) e Christian Caselli vão ser homenageados. Nos documentários, Kiko Goifman (BR) será destacado. No Sangue Novo, será Kleber Mendonça Filho (BR).

As Sessões Especiais apresentam 3 documentários. “Soy Cuba, O Mamute Siberiano” de Vicente Ferraz, sobre o fracasso do filme “Soy Cuba”, realizado pelo director soviético Mikkhail Kalatozov; de Evaldo Mocarzel é apresentado “Do Luto à Luta”, um filme sobre os portadores da Síndrome de Down, revelando as deficiências, mas evidenciando sobretudo as suas potencialidades; por último, é visualizado o “Moacir Arte Bruta” de Walter Carvalho, um retrato sobre Moacir, um pintor que vive isolado do mundo, nunca tendo tido formação, mas que demonstra capacidades de desenho geniais.

Para finalizar o Festival, após a entrega de prémios, a organização escolheu a quarta longa-metragem de Lúcia Murat (BR), “Quase dois irmãos”, que retrata os últimos 50 anos do Brasil e explica a construção da actual complexidade do tecido social brasileiro. Paulo Lins, autor do romance “ A Cidade de Deus”, escreveu, em conjunto com a realizadora, o argumento deste filme que explora a relação entre a classe média e a favela carioca através de quase dois irmãos, Miguel e Jorge.

E assim está planeado terminar o Festival de Cinema Luso-brasileiro que este ano celebra 9 edições de cumplicidades artísticas. E assim ganhamos nós a possibilidade de aproveitar e desfrutar dos encantos de Santa Maria da Feira enquanto somos brindados com imagens, emoções e paixões de uma indústria cinematográfica resultante da experiência conjunta de dois países irmãos.



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