Warm-Up Vodafone Paredes de Coura | Dia #2 (13.04.2013)

Festival Fumo 2014 | 27 e 28 de Junho

Sob a ascendência da nuvem

Depois do blues, da folk e da pop com sabor a algodão doce, o Festival Fumo dedicou o seu último fim-de-semana a sonoridades mais intempestivas, onde muitas vezes o céu se deixou atravessar por uma tempestade de nuvens que, apesar da chuva imensa, não deixou que se ouvissem cair as gotas de chuva.

Na noite de dia 28 falhámos por pouco a colheita de sangue, ouvindo apenas um tema de nuestros hermanos Trono de Sangre. Os ouvidos encolheram de tamanho ao entrar no auditório da Escola de Hotelaria – antigo quartel do 11 -, sala que provavelmente será mais receptiva – e indicada – a sonoridades mais tranquilas.

Os Ash is a Robot despejaram o seu rock hardcore como se não houvesse amanhã, com uma grande atitude em palco e uma sonoridade que nos traz à memória Mr. Patton, seja pelo evocar da memória dos Faith no More ou um outro dos seus outros projectos de estimação. Uma salada de frutas amargas, temperada com muito noise e punk, servida com a energia de um chef de faca afiada.

Quanto aos Black Bombaim, projectam fora de palco o ar de um grupo de rapazes que combina uma saída nocturna sempre na expectativa vã de terminar a noite com uma rapariga debaixo dos lençóis. Lá em cima, porém, a conversa é bem diferente. A sonoridade da banda, que tem em “Titans” o seu maior monumento musical, vive em redor da guitarra de Ricardo, que vai levando a secção rítmica de viagem em viagem, de ilha em ilha, num percurso psicadélico com raízes plantadas numa terra abençoada pelo signo stoner. Pena que não se pudesse fumar na sala para que a viagem tivesse sido ainda mais serena.

Coube aos Linda Martini encerrar o festival no dia seguinte, na mais aprumada sala de espectáculos da cidade. Em termos melódicos, o som da banda é muitas vezes demasiado circular, caindo numa repetição que torna difícil distinguir entre temas, que agarram num verso e o repetem até à exaustão como um grito de guerra, envolvendo depois tudo numa nuvem sónica carregada e algo monótona. Nada que impedisse os fãs de se juntarem nas filas da frente para, no final, tomarem o palco de assalto para desespero de quem tinha por missão zelar pelo espaço. Só faltaram mesmo as bandejas e os Martinis à discrição para que a noite tivesse terminado em grande.



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