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Festival MED 2023 – dia 3 (01.07.2023)

Sendo Sábado e último dia de festival, é sempre mais que sabido que será o dia mais concorrido. E assim foi também em 2023, o que provoca com que muita, em alguns momentos, tenhamos que fazer opções musicais com base nisso, dado que certos palcos e artistas chamarão multidões aos palcos do MED. Não surpreende, portanto, que tenhamos feito do Palco Castelo o nosso quartel-general no dia de encerramento.

O fim de tarde fez-se, porém, no Palco Chafariz, onde testemunhamos o espectáculo bem viajado da dupla Balkan Taksim. O balanço criado pelos romenos permitiu-nos escutar melodias tradicionais sempre mais ou menos desconstruídas ou reconstruídas, ecoando sonoridades do seu país, da ex-Jugoslávia e até do Curdistão (com uma curiosa música de casamento). Sașa-Liviu Stoianovici, responsável pela instrumentação, e Alin Zăbrăuțeanu, que arquitecta a fachada electrónica, retiraram visivelmente muito prazer da passagem por Loulé, dado que esticaram o seu tempo em palco até ao derradeiro milésimo. Ainda que os minutos finais de improvisação tivessem danificado ligeiramente o momento em que podiam ter culminado com a última composição pensada.

Zarpámos então, pela primeira vez nesta edição, até ao Palco Castelo, onde Zeca Medeiros se aprestava para entrar em acção, com a sua marcante voz e os arranjos delicados dos excelentes músicos que o ladearam. Derretemo-nos a escutar as histórias de amor daquele veterano coração, para além das odes aos seus Açores, a Portugal, e ao mundo em geral, porque o amor é um sentimento global. As suas palavras são sempre acutilantes, nunca devemos desviar o foco um segundo, sob pena de termos deixado para trás algo valioso. É sempre um concerto encantador, tendo ainda contado com a simpática presença da sua habitual colaboradora Filipa Pais.

Após a costumeira pausa para jantar, retornámos ao mesmo palco para medirmos o pulso à ascensão de Ana Lua Caiano, que até aqui tem sido forte e ritmada, tal e qual as canções que tece. Munida da sua estação musical, entre teclados, percussões e a pedaleira de loops, a jovem compositora vai debitando com elevada confiança canções de travo tradicional, reconhecendo-se já o seu cunho, às quais agrega igualmente motivos menos óbvios, fruto da sua criatividade. São apenas 2 EPs que tem disponíveis, mas o crescimento tem sido avassalador. Que saiba continuar.

Não lográmos assistir à exibição dos Bateu Matou, tal o tamanho da multidão que os cercou para ver em palco. Comprovámos à distância o bom momento de forma da banda, que parece continuar em sentido crescente, com ideias frescas e renovadas.

Era, portanto, hora de rumar até ao Palco Matriz para o derradeiro concerto do Festival MED 2023, assinado pela mão do mestre de cerimónias Omar Souleyman, como sempre apenas acompanhado pelo seu parente teclista, que é o grande artesão das autênticas malhas por sobre as quais o cantor sírio vai declamando. Sempre a puxar pelo público, tal como os ritmos frenéticos das suas canções, Omar ganha rapidamente a simpatia de todo. É claramente uma daquelas figuras que, há uns anos, nunca ninguém imaginaria ver em palco, e muito menos envolvido num aparato electrónico que nos mantém em movimento constante. Velho conhecido das plateias nacionais, o sírio nunca falha, e consegue garantir actuações vibrantes e que ficam facilmente na memória, ocorrendo aquela alegria quando sabemos que o vamos voltar a vislumbrar algures.

Foi um fecho apoteótico para este festival ainda em claro crescimento no seio de Loulé, providenciando cada vez mais palcos e palquinhos, promovendo novas e mais arrojadas experiências, enquanto inclui simultaneamente nomes mais típicos de outras andanças.

Fotografias: Festival MED

Reportagem do dia 29 de Junho aqui e do dia 30 de Junho aqui.



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