nawara

Festival Olhares do Mediterrâneo 2016

Ocorreu entre os dias 29 de Setembro a 2 de Outubro de 2016, a 3.ª Edição do Festival Olhares do Mediterrâneo, no Cinema São Jorge, em Lisboa.

O festival apresentou uma programação composta por 33 filmes, debates, workshops, performances e uma exposição. O substrato do festival é o olhar feminino no mundo cinematográfico.

Sara David Lopes, uma das produtoras do Festival, conta que esta tem sido uma viagem gratificante, “um projecto de amigos que ganha forma e pretende ser mais ambicioso. Quando começamos estávamos integrados nas Festas de Lisboa e as edições anteriores foram em Junho”. Nesta edição, ficaram autónomos, arriscaram mais um dia e o público acedeu.

Estes olhares femininos sobre o mediterrâneo revelaram-se como um olhar bem profundo sobre as questões humanitárias que afinal estão bem perto de nós e que tão bem escapa à consciência.

A destacar da programação:

Nawara
Ficção/Drama|Egipto|2015

Realizado por Hala Khalil, esta longa-metragem tem como pano de fundo a Primavera Árabe, seguida pelos olhos e pela simplicidade da jovem Nawara (interpretada por Menna Shalabi).

Nawara é empregada doméstica ao serviço da classe alta egípcia, para a qual presta a devida vassalagem e honra o compromisso de cuidar da casa dos seus patrões quando estes decidem deixar o Egipto. Pelos olhos de Nawara, há uma esperança na mudança: aquela mudança que na verdade todos nos revemos quando pensamos em atingir a utopia de uma sociedade mais justa e equilibrada. Pelos olhos de Nawara é retratado um Egipto de contrastes – como se fosse diferente de outros países? – em que há aquela classe privilegiada e aquela classe desprotegida.

E pelos seus olhos, temos a perfeita noção que a vida pode ser bela, pode ser justa e pode ser equilibrada mas como a vida não é por nós controlada, a realidade encarrega-se de a tornar tal como ela é, sem aquele encanto primaveril.

 

Les Messagers
Doc |França|2014

Em Les Messagers – documentário em estreia nacional e realizado por Hélène Crouzillat e Laetitia Tura – podemos ver o testemunho de mulheres, homens (e crianças) na sua travessia pelo Mediterrâneo com vista a Europa. Mas que afinal não chegam: ficam em Marrocos ou morreram no mar.
Os testemunhos na primeira pessoa têm normalmente dois efeitos: uma lição de vida e um murro no estômago. Ora, neste documentário aprendemos também o conceito de “coisificação” – que é bastante mais denso e profundo do que uma lição de vida e/ou um murro no estômago. Trata-se da coisificação da espécie humana perpetrada pela espécie humana.

De notar que se seguiu ao documentário um debate que incluiu a participação de SOS MÉDITERRANÉE – organização não-governamental que se dedica à questão dos refugiados – e no qual foram debatidos as questões prementes da crise dos refugiados, a impotência dos países europeus, a questão da Itália e da Grécia como países receptores e as politicas que estão a ser seguidas para travar a entrada de pessoas como nós na Europa.

 

Pirates of Salé
Doc | Marrocos / Reino Unido | 2014

Documentário exibido que contou com a presença das realizadoras, Rosa Rogers e Merième Addou, aborda a vida de alguns jovens que se juntaram ao Circo Shems`y, em Salé, Marrocos. Percorrendo os vários percursos – desde o ingresso e admissão ao circo, à realização pessoal e profissional desses jovens – o Circo Shem`y ganha aqui destaque como sendo uma espécie de tábua de salvação para alguém que não tem muitas opções de escolha.
A luta é diária e os esforços para singrar são evidentes, sobretudo, em relação às jovens mulheres – cuja opção é ficar em casa, arranjar um marido e cuidar dos filhos.

 



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