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Festival Paredes de Coura 2011

Das saudades à realidade é um pulinho.

Duas semanas depois, recordamos o Festival Paredes de Coura deste ano. E a que se deve este facto? Pois bem, porque durante estes quatro dias, outras coisas se passaram e queremos contar-vos o que vimos por lá.

“Campo, que te estendes / Com verdura bela / Ovelhas, que nela / Vosso pasto tendes / De ervas vos mantendes / Que traz o Verão / E eu das lembranças / Do meu coração.” Nada melhor do que esta estrofe escrita por Luís Vaz de Camões e cantado por Zeca Afonso para ilustrar o sentimento que ainda perdura por Paredes de Coura. Por onde quer que olhássemos, era o verde das árvores altas que ilustram as montanhas que predominava no horizonte. Ao fundo, ouvíamos o rio a correr e no ar, o cheiro a hortelã. A área do campismo era mais que suficiente para todos. Ninguém estava em cima de ninguém e não havia o habitual barulho e gritos constantes como nos outros festivais.

As condições oferecidas pela organização ao campista eram bastante satisfatórias. À partida, o campista de Paredes de Coura já está preparado para o que vai encontrar e todos, de forma organizada, aprumam-se para um duche de água fria ou para lavar os tachos do almoço. O tempo ameno ajuda e pó nem vê-lo. Tudo muito sereno.

Felizmente a chuva, a intempérie mais temida, não deu o ar da sua graça e todos ficámos a admirar ainda mais o S. Pedro.

Nas margens do Rio Tabuão, as folhas das árvores repousam em paz. Em cima delas alguns insectos, e à nossa “beira” eram as vespas que não nos largavam. Dica #1: levar repelente para insectos. Uma simpática campista até nos anunciou a receita infalível para afastar as vespas e demais animais voadores: juntar à água da lata de salsichas a água dos cogumelos. Confesso que não chegámos a experimentar, mas é capaz de ajudar. Este ano ninguém se lembrou de falar das salmonelas, mas também o rio estava visivelmente mais limpo do que em anos anteriores. Sob o seu leito, inúmeros barcos insufláveis e colchões davam vida e alegria ao local. Alguns aproveitavam para namorar, outros para conversar ou para partilhar fruta com quem estava sentado nas margens e outros subiam o rio como se estivessem a explorar o Amazonas.

Em termos de estilo, a moda este ano era ter no pulso a pulseira daquele que foi a surpresa dos Festivais de Verão – o Festival Milhões de Festa. Talvez pela aproximação geográfica ou pela semelhança do estilo musical, parecia que todos os presentes se tinham tele-transportado de tal sítio. Para além das pulseiras, as t-shirts a publicitar o festival acima referenciado também desfilavam no corpo de alguns rapazes e também raparigas. As t-shirts de edições anteriores do festival Paredes de Coura saíram igualmente do baú e espalharam alguma magia e recordações, como foi o caso do mítico cartaz do ano de 2005 em que nomes sonantes como Arcade Fire, Foo Fighters, Kaiser Chiefs e os “repetentes” Death From Above 1979 estavam estampados no tecido. Houve também quem não usasse t-shirt e optasse por desenhar a caneta a sua própria camisa, e de marca: Dolce & Gabbana.

Igualmente na moda estavam as t-shirts representativas de bandas imortais: Nirvana e Joy Division, e as que continham frases como “Sai da frente Guedes”, entre outras, com mensagens reveladoras.

O aclamado cão amarelo (a.k.a. Piruças) esteve presente nesta 19ª edição do certame. Desta vez mostrava-se mais imponente que nunca e lá no alto, sobrevoando as cabeças da multidão que se encontrava no palco principal, avistava-se o Piruças de sorriso rasgado. O Piruças também tem um perfil do Facebook e continua em campanha para ser a mascote do festival. Esperamos que consiga os votos necessários pois seria uma mascote fiel.

Outra “mascote” foram os Kings Of Convenience, que com grande estilo e subtileza foram remando por aquele rio acima e alegremente distribuíram sorrisos, autógrafos e até cantaram uma versão de «Wish You Were Here» dos Pink Floyd (basta procurarem no YouTube). Torno minhas as palavras dos membros da banda: Pareces de Coura é um pequeno paraíso.

Dica #2: se és daqueles que vai para os festivais à procura de brindes, esquece. Publicidade é coisa que em Paredes de Coura não abunda. É um facto que a banca da Antena 3 estava lá e oferecia uns headphones e o Jornal de Notícias sorteava DVD’s com filmes singularmente interessantes, chapéus de palha (que deram muito jeito porque o sol era abrasador) e canetas, mas não havia mais nada para além disso. Se em tempos o certame foi patrocinado por marcas de operadoras de telemóvel ou de cerveja, actualmente são poucos os patrocínios. Contudo, creio poder afirmar que este é um modelo a seguir pois assim não há outros motivos de distracção.

Quem vai para este festival, vai pelo amor que sente pela música. Até pode não gostar ou conhecer o grupo que está a tocar, mas sente a música, o ambiente e vibra como um verdadeiro detentor do conhecimento. O público é diferente. As pessoas são diferentes. Estas mostram-se mais simples, mais calmas e prontas para socializar de forma ordeira. Neste local consegue-se fazer amigos para uma vida inteira e também é um local propício a reencontros.

Em jeito de conclusão, este festival é mais do que uma afirmação no universo dos grandes Festivais de Verão. É como se fosse um local sagrado, uma romaria onde todos adoramos o santo principal: a música (e que a harmonia esteja sempre contigo).



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