FILHO ÚNICO – Skepta no Festival Zona Não Vigiada, na Zona J, Chelas, Entrada Livre, 26 de Setembro

Festival Zona Não Vigiada

Programado e produzido pela Filho Único a convite da Casa Conveniente, a companhia de teatro dirigida pela actriz e encenadora Mónica Calle, outrora sediado no Cais do Sodré e entretanto relocado para Chelas, o cartaz contará com a estreia em Portugal de uma das figuras mais decisivas da música independente urbana dos dias de hoje, o londrino Skepta, a par de uma selecção estelar de alguns dos nossos autores

O Festival Zona Não Vigiada é uma nova etapa do processo de implantação da  Casa Conveniente/Zona Não Vigiada na sua nova vida na Zona J em Chelas. Inserido na programação regular tem, da mesma forma que os espectáculos teatrais e as outras actividades programadas, o objectivo de criar percursos dentro do Bairro assim como um movimento do centro para a margem, trazendo públicos para a Zona J que normalmente não viriam, assim como captando públicos no interior do Bairro para actividades a que normalmente não têm acesso. A vinda da Casa Conveniente para a Zona J vem na sequência do trabalho que começou a ser desenvolvido desde 2009 no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus. A introdução de um evento de música na programação regular da Casa Conveniente/Zona Não Vigiada corresponde a uma constatação evidente que é a da importância da música na vida do bairro. Foi com este objectivo em mente que tomámos a iniciativa de propor uma colaboração com a associação cultural Filho Único para a organização do Festival, uma vez que o seu trabalho pioneiro na programação de música em Portugal tem justamente permitido um movimento semelhante ao que aqui propomos mas à escala internacional. Desta forma esta colaboração permite justamente colocar através da música o Bairro do Condado numa rota internacional de uma música inovadora de diversas origens mas também com raízes nas diferentes comunidades que hoje vivem em Portugal.

Festival Zona Não Vigiada: Norberto Lobo + Iguanas + Pega Monstro + Skepta + DJ Lilocox & DJ Maboku + DJ Firmeza

Local: Zona J, Chelas 
Data: 26 de Setembro
Horário: 15h > 21h
Entrada: LIVRE

SKEPTA

Carismático, acutilante e persistente, Skepta é o líder anímico e estético da renascença Grime em curso há já uma bequinha, mostrando o futuro para esta música londrina alicerçando-se nas suas origens, que ajudou a desenvolver também em primeira instância. Crescendo na zona norte de Londres, Tottenham, uma das áreas com taxa de criminalidade mais elevada do Reino Unido, epicentro dos tumultos arsenistas de 2011 que se viu em directo, Skepta começou originalmente como produtor e DJ para a firma Meridian Crew, fazendo instrumentais como “D.T.I. (Pirate Station Anthem)” (2003), ou “Private Caller” (2004) com um elenco estelar de MCs a mandarem vir por cima, até Wiley o ter convencido a pegar no microfone, tendo ingressado nos Roll Deep do decano do Grime por uma breve temporada, quando a era dos white labels evoluía para os downloads digitais, assim agregando uma base de apoio mais alargado. Em 2006 forma a Boy Better Know com o irmão JME, crew e editora independente para publicar a sua música no mercado, tendo ao longo do tempo lançado mais valores como Jammer ou Preditah. Ao longo dos 13 anos de carreira já teve vários singles no Top 40 britânico, hinos poderosos no underground, beefs a rodos, álbuns, mixtapes e controvérsias mil em abundância. Mas o seu single de 2014 “That’s Not Me” – com o seu vídeo iconicamente cru e de baixo custo, inesperadamente premiado nos MOBO Awards, claramente evocativo da era dos vídeos pixel-mamados e DVDs de rua que viveu – marcou um recentrar impactante da sua perspectiva e voz. Seguindo-se a uns anos de novos sons e aparências, “That’s Not Me” surgiu como uma redenção de passos falsos passados e um regresso às raízes, com o artista distanciando-se imperialmente dos alçapões e ruas sem sentido da sua vida recente a facturar oportunidades, mas não a viver o (seu) sonho. Porque descobriu que isso é dinâmico, entre consciência e instinto, e não formulado por outros para si.  Depois de “It Ain’t Safe” com A$AP Bari, este ano segue vertiginoso de afirmação global para Skepta, afinando laços empáticos e estratégicos com Drake e Kanye West – esteve com ‘Ye em estúdio, ainda por desvendar o resultado, e magnanimamente no palco dos BRIT Awards na rendição de “All Day” – tendo lançado o fulgurante novo single “Shutdown” em carteira rumo ao álbum “Konnichiwa”, continuando por anunciar qual a editora ou data de lançamento associadas. Esta é a estreia em Portugal do Verdadeiro, na Zona J, em Chelas, com entrada livre.


DJ FIRMEZA


Mago a tocar a sua música ao vivo no domínio de enredos percussivos de uma outra dimensão, do mais pronto a conduzir uma pista de dança rumo ao transe comunal que sem esforço o seu âmago espiritual convoca. Nascido em Portugal e orgulhoso residente no bairro da Quinta do Mocho, de onde os precursores do estilo deste som e cultura Nervoso e Marfox também são residentes e ele é um dos mais brilhantes continuadores, Fifaz tem sido uma presença regular no circuito apelidado da ‘Noite Africana’ na Grande Lisboa nos últimos ano e nas festas mensais ‘Noite Príncipe’ no Musicbox. Co-fundador da crew Piquenos DJs do Guetto, viu editado o EP em vinil ‘B.N.M. / P.D.D.G.’ na Príncipe no final de 2013, que recebeu atenção elogiosa da crítica musical nacional e internacional. Em 2014 embalou para tocar cada vez mais no Velho Continente, desde a festa de Verão no terraço do Schinkel Pavillon em Berlim até a um pavilhão gedodésico num bosque na Suíça. Está agendado o lançamento do seu EP “Alma do meu pai” em nome próprio na Príncipe para o mês de Outubro.

 

PEGA MONSTRO

Pega Monstro é o duo de rock lisboeta das irmãs Maria (voz e guitarra) e Júlia Reis (bateria), afiliado à Cafetra Records que ajudaram a criar e desenvolver desde 2008.

O aguardado segundo álbum da banda chama-se “Alfarroba” e acaba de ser lançado pela editora londrina Upset The Rhythm em CD, vinil LP e Digital, com distribuição em Portugal pela Flur, sendo que o vão promover numa generosa digressão pelo Reino Unido este Agosto, com datas em clubes e festivais de música independente, tocando duas vezes em Londres, uma delas abrindo para os Deerhoof no Tufnell Park Dome.
“Alfarroba” é, da raiz da sua intenção, imaginação e materialização, um álbum magnífico e raro. Directo, simples e comovente porque subtil, complexo e excitante. Das obras, seja em que campo das artes se quiser considerar, com uma perspectiva no feminino mais forte e emocionalmente inteligível sobre maturação individual e artística na sociedade portuguesa nos dias de hoje. Luís Filipe Rodrigues afirmou na sua crítica com pontuação máxima na revista Time Out Lisboa que “Ainda só estamos em Julho, mas já está encontrado o melhor disco do ano.”

DJ LILOCOX & DJ MABOKU

Lilocox, natural de Cascais com raízes em Cabo Verde pela parte do pai e São Tomé e Príncipe pela parte da mãe, e Maboku, nascido em Luanda mas a viver cá desde catraio, são as duas caras metade da C.D.M. (Casa da Mãe Produções), seminal equipa de produção a Norte de Lisboa de música de dança electrónica vibrante e inovadora e que tem vindo, para além das influências que a informam, a ser identificada como específica da área da Grande Lisboa. Ambos fizeram parte dos Piquenos DJs do Guetto, cujo split EP com os Blacksea Não Maya “B.N.M. / P.D.D.G.” foi lançado no final de 2013, e em Fevereiro deste ano viram editado o EP “Malucos de Raiz” da C.D.M., ambos na Príncipe e já esgotados, alvos de atenção elogiosa da crítica musical nacional e internacional. O estilo de mistura ao vivo da dupla em formato b2b é um assombro de propriedade sobre a matéria desta música fluída e elegante, serena mas maravilhosa partilha de uma energia criativa inspiradora, que tem seduzido todas as pistas de dança por onde têm espalhado o seu perfume de jogo.

IGUANAS

Unidade manetrónica de Leonardo Bindilatti e Lourenço Crespo, provavelmente a equação de ritmos & blues mais desprendida, potente e vital em cima de um palco hoje em dia em Lisboa. A sua estética abstracta confere-lhes um senso de estilo único e irredutível, com uma atitude “não passa nada” completamente no limão. Editaram no Verão de 2013 o longa duração de estreia “Doce” com selo Cafetra Records, e entre o trabalho ambicioso de ambos os membros, Leonardo enquanto Rabu Mazda envolvendo-se em colaborações com outros pares e em gravações do novo opus das Putas Bêbadas que também integra como baterista, Lourenço entre concertos de Éme para o qual empresta os seus dotes de teclista na banda ao vivo e a preparação do seu primeiro disco a solo de canções da sua pena, projectam começar a trabalhar em material novo de Iguanas para breve, que esperamos possam já estrear no Zona Não Vigiada.


NORBERTO LOBO


Norberto Lobo é uma das figuras principais da música portuguesa contemporânea, um artista independente e empírico, que não ironiza sobre o futuro ou o destino, antes age, opera e materializa, e assim no curso da sua carreira vai transformando o seu mundo e o de quem o ouve e acompanha. No seu mais recente disco, ‘Fornalha’, lançado na suíça three:four records, voltamos a realizar que a probabilidade de não existir mais território para as suas composições à guitarra é justamente desarmada pelo espaço prodigioso que a sua música continua a abrir e a oferecer-nos, prosseguindo a impulsionar a inovação no seu trabalho com uma subtileza tal que o parece revestir de uma espécie de liberdade fantástica.



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