Festroia

O segundo festival de cinema mais antigo de Portugal comemora vinte anos de edições e, mesmo sem apoio do estado, traz até Setúbal o melhor do desconhecido cinema mundial.

Inserido numa região com uma grave lacuna de eventos culturais, o Festroia é um dos festivais de cinema mais emblemáticos em Portugal e apenas o Fantasporto é mais antigo, comemorando a vigésima quinta edição em 2005. Com o lema de divulgar as películas de países que têm uma produção cinematográfica que não excede os trinta filmes por ano (na secção oficial), o Festróia invade mais uma vez o Fórum Luísa Todi em Setúbal, pela primeira vez na sua história, sem subsídio do ICAM.

O certame está dividido entre competições oficiais e ciclos especiais. Na secção oficial, pode-se assistir a filmes que seriam impossíveis de ser exibidos num circuito normal, dominado pelas grandes produções dos países mais desenvolvidos a nível cinematográfico. Da África do Sul ao Brasil, passando pela Irlanda e pela Islândia, podemos ver e descobrir filmes, realizadores e actores que possivelmente nos surpreendem pela positiva. Da lista de filmes em competição destacamos a mais recente obra do brasileiro Jorge Furtado, “O Homem que copiava”, assim como a aguardada participação da Islândia com “Cold Light” do realizador Hilmar Oddsson.

Ainda na área competitiva, existe lugar para as primeiras obras, onde não há qualquer tipo de restrição no que diz respeito à proveniência, só se pede que sejam filmes de estreia na carreira dos realizadores. Neste conjunto de obras, destacamos “Cuba Livre” do realizador norte-americano Juan Gerard. Para finalizar as áreas competitivas, existe ainda uma secção apelidada de “O Homem e a Natureza”, onde a temática incide sobre os valores e património histórico e cultural do Homem. Nesta secção, podem competir documentários e ficções de longa e curta duração.

Mas um festival de cinema não é apenas competição, por isso as homenagens e ciclos são fundamentais na programação. Quanto a homenagens, o Festival de Cinema de Tróia vai homenagear, na sua cerimónia de abertura, o actor Raul Solnado, por uma carreira de mais de meio século dedicada ao teatro, ao cinema e à televisão, atribuindo-lhe um Golfinho de Honra de consagração. Esta homenagem alarga-se para além do festival com a atribuição da Medalha da Cidade, conferida pelo Município de Setúbal.

Mas Solnado não é caso único nesta edição do festival. Na lista das homenagens consta também o nome de Ettore Scola, um dos maiores relizadores europeus vivos. O italiano acaba de rodar o seu mais recente filme, “Gente de Roma”, e é autor de uma cinematografia vasta, dedicada em grande parte à comédia social. Como director, Ettore Scola realizou quarenta filmes, mas a sua obra criativa também regista uma intervenção destacada como argumentista, com a participação em mais de oitenta películas. Vão ser exibidos os seus filmes mais representativos, num ciclo que percorre as várias décadas de produção do realizador.

Em ano de Europeu, o futebol não é esquecido. O Festróia exibe também uma grande mostra de filmes sobre o tema “Dias de Futebol”, com a qual se dará ao público a oportunidade de conhecer algumas das obras mais importantes realizadas nos últimos anos, tendo por tema a actividade futebolística. No que diz respeito aos ciclos de destacar o cinema Húngaro. A mostra, que tem o apoio do Instituto de Cinema Húngaro e da Embaixada da Hungria em Portugal, contará com a presença de uma comitiva representativa, com destaque para os realizadores Istvan Szabo e Bela Tarr, incentivando o público português a descobrir a mais recente produção cinematográfica de um país com um grande historial no cinema mundial.

Se todos estes pontos aqui focados não forem suficientes para dar um saltinho até Setúbal, o festival tem ainda mais motivos de interesse, que passam pela apresentação dos nomeados para o Fassbinder Award, uma selecção de curtas-metragens europeias e muito mais.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This