Fiar

NÃO HÁ PANDEMIA QUE CORTE A RAÍZ AO FIAR

Esteve por um fio, mas naquilo que também pode ser entendido como uma celebração e homenagem à enorme capacidade de resistência da fundadora do FIAR, Dolores de Matos, o FIAR vai agitar Palmela no último fim de semana de julho. Instalações, animação e performances um pouco por todo o lado, ruas, largos, igrejas, cineteatro, incluindo paredes e fachadas dos edifícios.

São dois dias, 25 e 26 de julho, com intervenções que são já uma característica deste importante acontecimento nacional no campo da performance e da intervenção comunitária. Circo contemporâneo, instalações, performances, dança, teatro e música. Nos espetáculos em espaços fechados as entradas são gratuitas, mediante reserva prévia mas atenção, no momento em que escrevíamos este texto os bilhetes estavam praticamente esgotados.

FIAR – A VILA, a  edição do FIAR deste ano, conta com o apoio da Câmara Municipal de Palmela, dos financiamentos públicos para a Cultura e tem parcerias com a Revista FOmE e o projecto Gerador. Esta é a primeira edição que ocorre depois do falecimento, faz um ano, no principio de Agosto de 2019,  da fundadora do FIAR, Dolores de Matos, a Lola como era conhecida no meio artístico, personalidade multifacetada, actriz, cantora, produtora e programadora cultural esteve, ligada durante muitos anos à área cultural da autarquia de Palmela.

 

FIAR – A VILA, alguns destaques

A pele, em que Ricardo Guerreiro Campos, adaptando-se aos constrangimentos das novas regras de saúde pública, contracena com as atrizes do Teatro As Avozinhas, cujas intervenções ocorrem em vídeo. Pele é “um projeto visual e performativo que procura mapear o corpo através das suas relações físicas e dos seus vestígios, intentado numa dramaturgia do branco e da pele”.

O mito de Penélope visitado duas vezes em performances distintas e autónomas: Leonor Keil em Elo/ Novelo reflete sobre a “ necessidade, humana em geral e feminina em particular, de transformar a rotina imposta em prazer, a espera em esperança, o projecto em objecto, a obsessão em objectivo, a crença em missão”, Tiago Vieira faz um movimento introspetivo sobre os seus processos de criação:  “Penélope é um conjunto de ecos, de vozes distorcidas vindas da infância, dos mortos transformados em números, esquecidos em valas comuns, enterrados nus em tempos de peste, é o corpo solitário o Bairro Alto vazio, sem festa, são os corpos que desejam tocar e ser tocados”.

Também A Dramaturgia de Rua, instalação com pequenos textos de vários autores que são divulgados em formato de cartaz A0 em diferentes locais da vila de Palmela.

FIAR – A VILA, a  edição do FIAR deste ano, conta com o apoio da Câmara Municipal de Palmela, dos financiamentos públicos para a Cultura e tem parcerias com a Revista FOmE e o projecto Gerador.

 

FIAR – A VILA | PROGRAMAÇÃO

– Dramaturgia de RUA – Instalação FIAR

Inicio dia 25 , 16h00

A palavra não pode ser silenciada, dos teatros, dos livros, dos textos, das bocas e das paredes que as ouvem, veem e leem. As palavras constroem-nos os pensamentos, constroem narrativas e transformam os lugares onde elas pousam. A dramaturgia aborda a vila, constrói as suas histórias e a palavra revela a sua força.

Espalhados pela vila em formato A0 vários autores: Dolores de Matos, João Pedro Azul, Ricardo Gomes Gonçalves, Carolina Bettencourt, Ricardo Falé, Pedro Ferrão, Wagner Borges, Iolanda Rodrigues, Miguel Reis.

Local: diferentes locais da vila de Palmela | Duração: durante todo o evento | Classificação: todos

– A MÚSICA ANDA NA RUA

Dia 25, 16h30

O músico holandês Rini Luyks, há trinta anos a viver em Portugal,  com um percurso importante na música e no teatro, e que tem sido um teimoso  lutador pela presença da música na rua, nas ruas de Lisboa, percorre, com o seu inseparável acordeão  as ruas do centro histórico de Palmela.

Local: itinerante. Ponto de partida: miradouro Serra do Louro; termina no Largo São João| Duração:1h | Classificação: todos

– A VILA A FIAR – Performance participada e instalação

Tentemos desvendar a arte de fiar juntos. Sentir a textura dos fios da vida. Perceber como o novelo se desenrola, por vezes ágil, por vezes frágil na voz, na mão e no lugar de cada um de nós. Em cada ponto aperfeiçoamos o passo, todos juntos fiamos caminhos para novas relações, novas visões, lugares, novos mundos.”

Dia 25, 16h45

Com Paula Moita (Artista plástica) e Gonçalo Freire (Ator)

Local: Largo São João Baptista| Duração: performance de 30m e instalação durante todo o evento

 

– LE VOYAGE DU BALAYEUR – CIRCO CONTEMPORÂNEO

Um vulgar varredor que todos os dias encontra imensas coisas que as pessoas perdem, coisas que elas não querem mais tocar, ver ou usar. Um dia encontrou um livro…

Dia 25, 18h00 + sessão extra às 19h15

Criação e interpretação: Clara Zolesi e Diogo Santos

Local: Largo 5 de Outubro | Duração: 35m | Classificação: todos

 

FOME DE PAREDE – Instalação Revista FOmE

A Revista FOmE, criada por Pedro Faria Cunha e Margarida Mata para dar destaque a artistas emergentes da Margem Sul do Tejo,  sai do papel para as paredes e fachadas de alguns edifícios de Palmela do centro histórico de Palmela. Durante algumas horas surgem pinturas, ilustrações, fotografias de artistas FOmE.

Dia 25 e 26, 20h30, Centro histórico de Palmela

Classificação: todos

Pele – Teatro

“Será o corpo um espaço comum? Agora é o corpo vivo, respirado – a cama aberta ao mundo. Pele pesquisa, assim, a transversalidade da pele através da anulação identitária. O que é a pele velha? A pele nova?”

Dia 25, 21h30,  instalação no Largo S. João Baptista

Encenação: Ricardo Guerreiro Campos, Interpretação: Teatro As Avozinhas e Ricardo Guerreiro Campos.Produção: FIAR/CAR

Duração: aprox. 40m | Classificação: m/12

 

“Penélope” de Tiago Vieira. Fotografia de Alípio Padilha

– A INTERRUPÇÃO (PAUSA PARA INTERVALOS)

“Para que não se afunde num insuportável mar de desespero, a Natureza atribuiu ao Homem afaculdade de aceitar que se encontram, à proa e à popa da sua existência, dois buracos negros inapreensíveis. Entre eles, um Intervalo. Celestino prepara-se para entrar no barco…Pausa. Intervalo. Celestino entra em palco…”

Dia 25, 23h00, Cineteatro São João (palco)

Conceito, encenação e dramaturgia: Bruno Humberto e Rui de Almeida Paiva. Intérpretes e co-criação: Celestino Pinto, Bruno Humberto, Isadora Alves Com a participação de: Joaquim Manuel e Bibiana Maria Voz-off: Sara Pinto Música: Philippe Lenzini Design de Luz: Gonçalo Alegria Produção executiva: Marta Moreira

Duração: aprox. 1h15m | Classificação: m/6

 

– NESTA RUA QUE É SUA

Um palhaço divertido e brincalhão que, em jogos de improvisação com o público, vai descobrindo os recantos e encantos das terras e locais por onde viaja no seu monociclo!

Dia 26, 11h00: Itinerante. Centro histórico de Palmela

Criação, interpretação e produção: Diogo Duro

Duração: 1h30m | Classificação: todos

 

 

– ELO E NOVELO

O fiel amor de Penélope tem como adversário o tempo. Ela estica segundos, dribla minutos, dilata a duração dos dias. Obstinando-se nessa sua batota do amor. A impossibilidade de partir e a impossibilidade de regressar.”

Dia 26, 17h00.  Igreja de Santiago – Castelo de Palmela | Duração: 50m | Classificação: m/12

Concepção, criação, interpretação: Leonor Keil. Cenografia, figurino: Henrique Ralheta- Músicos: Daniele Pistone, Marian Yanchyk e Mattia Corda

 

HUESOS DEL NIÑO – CONCERTO

O projeto a solo de Pedro Cunha traz-nos melodias harmoniosas com influências do flamenco, acompanhadas de subtis efeitos de delay que conduzem o público numa viagem de paisagens sonoras.

Dia 26, 18h30 + sessão extra às 19h30, Ruínas da igreja de Santa Maria – Castelo de Palmela

Músico e compositor: Pedro Cunha, Vídeo: Samir Noorali

Duração: 1h | Classificação: todos

 

PENÉLOPE – PERFORMANCE/DANÇA

“Mais uma vez regresso a Penélope, como se fosse impossível escapar de uma grande Amor, de uma obsessão que começou na juventude a observar prostitutas com mais de 50 anos na Praça da Figueira mas que continua a contaminar a idade adulta. Uma obsessão que acompanha a escrita em noites de insónia, que me fez redescobrir uma relação intensa entre a espera, o amor, a resistência, a revolução. “ Tiago Vieira

Dia 26, 22h00, Sala Polivalente da Biblioteca Municipal de Palmela

Direção, cenografia, coreografia, texto, dramaturgia e figurinos: Tiago Vieira

Intérpretes: Tiago Vieira, Nuno Pinheiro, Luís Coelho Graça, Crista Alfaiate

Apoio: ORG.I.A e Fundação GDA

Coprodução: FIAR

Duração: 1h10m| Classificação: m/16

 

INFORMAÇÕES ÚTEIS

Entrada gratuita mediante marcação prévia para o telefone: 926 003 000 ou para o e-mail: fiarcultura@gmail.com (até 30 minutos antes do início dos espetáculos). Informações e levantamento de reservas no foyer do Cineteatro São João. Espetáculos com lotação limitada. O uso de máscara é obrigatório em recintos fechados. Nos eventos de rua, recomendamos que mantenha as regras de distanciamento social.



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